Futebol Nacional
None

Por Onde Anda

O sortudo Camutanga

Superesportes conversa com ex-centroavante "bruto" que jogou no Trio de Ferro do Estado durante os anos de 1960 e 1970 e foi parar no Sporting Lisboa, de Portugal

postado em 17/07/2012 08:25 / atualizado em 17/07/2012 09:27

Yuri de Lira /Diario de Pernambuco

Arquivo Pessoal
Ele rodou pelos clubes pernambucanos durante as décadas de 60 e 70. Orgulhoso da sua naturalidade, carregou consigo o nome da cidade em que nasceu nos tempos que jogou bola. Fernando Camutanga, ou apenas Camutanga, adotou como sobrenome o pequeno munícipio na Zona da Mata do Estado. Foi atacante do Santa Cruz, Sport e Náutico, além de ter defendido o Ferroviário do Recife e o Central de Caruaru, onde pendurou as chuteiras - em 1973 .

O ex-atleta assume que não era nenhum craque. Pelo contrário. A realidade é que tratava-se somente de "um magrelo que não sabia jogar, mas fazia muitos gols", como o próprio costuma se definir. Com um estilo de jogo grosseiro, brigou pelo posto de artilheiro em diversos campeonatos pernambucanos daquela época. Nunca alcançou a meta. Hoje, aos 63 anos, trabalhando como procurador federal, relembra com saudades os tempos que atuava dentro das quatro linhas.

Apenas um cara de sorte
A aparência já podia denuciar que Camutanga não sabia jogar. Um metro e oitenta de puro desengonçamento. "Sempre fui ruim de bola, eu era péssimo. Só tinha muita sorte. A bola batia em mim e entrava. O meu único atributo era a altura. Conseguia fazer alguns gols de cabeça por causa disso", fala o ex-atacante, que só chegou a ser artilheiro em campeonatos de aspirantes. "Eu tive um treinador chamado Nélson Lucena, que dizia que eu era um dos piores jogadores que ele já tinha visto na vida". Embora fraco tecnicamente, Camutanga foi parar no Sporting Lisboa, de Portugal, após uma boa temporada no Sport, em 1970. No clube lisboeta, não teve sucesso e acabou sendo emprestado para o também luso Vitória de Setúbal. Depois de quatro meses, retornou ao Brasil.

Arquivo Pessoal
O orgulho da sua cidade
Localizada na Zona da Mata de Pernambuco, Camutanga tem o ex-centroavante como um dos seus filhos ilustres. Fernando é uma semi-celebridade por lá. Fundado em 1963, o município é, por sinal, mais jovem que ele próprio. Fernando relembra o fato que o tornou "xodó" da cidade. "Depois de uma partida pelo Pernambucano de 77, quando eu jogava pelo Náutico, um repórter de rádio veio me entrevistar. Falou que o meu nome era muito grande para ele narrar e sugeriu que eu o diminuisse. Falei, ao vivo, que ia tirar o 'Fernando'. O pessoal de Camutanga estava ouvindo e fizeram uma festa para mim por que mantive o nome da cidade", relembra. "Fiquei muito emocionado", acrescenta.
     
Uma saudade que não dá mais para matar
Como a maioria dos ex-atletas, Camutanga sente falta de jogar futebol. Contudo, essa saudade não pode mais sequer ser amenizada. Há 13 anos, foi afligido por uma artrose. Submeteu-se a uma cirurgia que o impede até hoje de fazer grandes esforços. "Não posso nem bater a minha pelada. Quando soube que não poderia jogar nem brincando, chorei muito. Foi uma grande perda para mim", afirma. "Mato a saudade vendo pela televisão. O que posso assistir de jogo de futebol, eu assisto. Só não vou para campo por que tenho medo da violência", complementa.

Arquivo Pessoal
Ápice longe de casa
Camutanga rodou por vários clubes pernambucanos. Foi revelado pelo Santa Cruz, em 1965. Transferiu-se para o Náutico no ano seguinte e foi defender o Bonsucesso, do Rio de Janeiro. Retornou para o Estado ainda em 1966, para o Sport. Permaneceu na Ilha do Retiro até 1970, sendo emprestado em 1968 para o CRB, de Alagoas. Também acumulou no currículo passagens por dois times portugueses. Porém, foi no Norte do País que ele alcançou o título mais expressivo da sua breve carreira: um modesto campeonato paraense, pelo Remo - em 1973. "Foi o meu ponto alto como jogador. Tenho boas lembranças de lá e guardo com carinho a faixa de campeão", sentencia. Pelo Leão do Pará, Camutanga ainda participou de dois Brasileiros, em 72 e 73.

Rubro-negro de coração
Apesar de ter jogador nos três grandes times do Recife, Fernando Camutanga não esconde a sua preferência pelo Sport. Mas, na verdade, o clube da Praça da Bandeira não foi o único clube a morar no seu coração. Admite: "Virei a casaca". Até os 12 anos de idade, ele era torcedor do Santa Cruz. Fanático. Torcia para o Tricolor com euforia. O ex-atacante explica como se tornou rubro-negro. "O meu irmão começou a me levar para os jogos do Sport, aí eu me apaixonei", conta. Hoje, Camutanga faz questão de estar sempre por dentro das notícias do Leão. "O time estava ruim, mas creio que agora vai melhorar. Chegaram alguns reforços como Gilberto. Se ele repetir o que fez no Santa, o meu Sport vai se dar bem", opina.