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Fred Melo Paiva
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DA ARQUIBANCADA

A infalível tática da pelada

Fred Melo Paiva - Estado de Minas

| Tags: celular 

Publicação:

23/06/2012 08:45

Eu não entendo muito de esquema tático e só me interesso razoavelmente pelo assunto. Tenho certeza de que a maioria dos técnicos compartilha comigo o desinteresse e ignorância. Pelo menos os treinadores brasileiros – porque dos estrangeiros não posso dizer nada, já que não dou notícia do futebol internacional. Conforme já expliquei aqui, eu nem gosto de futebol – gosto apenas de Atlético. E como o Atlético é uma religião, preferi me especializar numa certa teologia de botequim do que na análise de sistemas.

Ainda assim darei os meus pitacos, baseados no mais sagrado e inegociável empreendimento do macho – a sua pelada. Não confundir com aquela outra, também inegociável, que o recebe suado depois do arranca-toco semanal (normalmente sucedido pelos Gatorades de cevada). Essa é uma santa. Refiro-me mesmo ao próprio arranca-toco, com sua tática infalível: os melhores jogam na frente, os piores atrás, o péssimo cata no gol. E cada um pega o seu.

O macho vem sofrendo sucessivas derrotas desde a revolução feminina dos anos 1960. Açoitado pelas mulheres, foi obrigado a tornar-se sensível, fazer a mão e passar gel. Ao macho que não quer andar com uma picanha entre os dentes, foi negado até o palito na mesa do restaurante. Jogadores de futebol, representantes da raça desde Friedenreich, tiveram de trocar o cigarro de filtro amarelo pela aula de pilates. Em vez de levar mulheres para a concentração, ficaram noivos. O macho não pode mais beber chope no estádio. Não pode jogar a pilha do rádio no bandeirinha. O macho virou um pária, e isso impactou fortemente o futebol.

Uma das mais notáveis consequências desse estado de coisas é que, assim como o palito de dente, a pelada sofre grande desprestígio. Não apenas porque desapareceram os campinhos de bairro. Mas sobretudo porque suas táticas infalíveis foram substituídas pela estratégia do “professor”, pela ciência do esporte e pelas academias de ginástica (não por acaso, a faculdade em que se formam os metrossexuais, indo depois estagiar na manicure).

Na pelada, o que fazemos com o sujeito que perde um gol como perde o Bernard? A gente xinga. Horroriza. Fazemos bullying. Se não adiantar, recua-se o cabeça de bagre para o limbo da pelada: aquele espaço entre o último zagueiro e o meio-campo, podendo ser uma das laterais. Taí: põe o Bernard na lateral esquerda. Se o cara não sabe fazer gol, que vá jogar lá atrás – é simples. Só não me venham tirá-lo do time. Na pelada não se tira quem joga bola em favor de outro que vai “compor melhor taticamente” – e está certíssimo. O sujeito que vá compor melhor taticamente lá com as negas dele.

Tem gente discutindo se Guilherme e Ronaldinho devem jogar juntos. Então você ganha no par ou ímpar, pode escolher dois craques e vai deixar um de fora porque ele “faz a mesma função tática que o outro”??? Ah, fala sério... E essa lentidão do time do Atlético no jogo contra o São Paulo? “Opção tática”??? Lá na minha pelada eu ia perguntar o seguinte: “Se você veio aqui para ficar tocando de lado, por que não ficou jogando bola com seu filho na garagem?” Vamos para cima deles, Galo!

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