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Fred Melo Paiva
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DA ARQUIBANCADA

Distraídos venceremos

Fred Melo Paiva - Estado de Minas

| Tags: celular 

Publicação:

07/07/2012 08:39

 

Atualização:

07/07/2012 08:40

A liderança, ah, a liderança... Pelo menos três vezes por dia, acesso a tabela do Brasileiro no site do Superesportes e fico apreciando toda aquela bela matemática. Vitórias, derrotas, empates, gols pró, gols contra – e a gente lá em cima, encarapitado bem no topo. Será a ascensão da classe C? Será a tomada de Monte Castello?

Cada vez que olho a tabela do campeonato, vislumbro a possibilidade de aquilo não se alterar mais. Os dias passarão, as semanas, os meses – e quando dezembro chegar lá estaremos, em nossa cobertura triplex no Leblon. Nesse momento, meus olhos marejam. Posso ouvir a voz de Vilibaldo Alves narrando os minutos finais do jogo contra o Botafogo, na final de 1971. “Quareeeeeeenta e cinco minutos! As lágrimas correm em meu rosto!”, ele disse, um ano antes de eu nascer. Posso ouvir o Willy Gonzer soltando finalmente o grito de campeão, ele que tanto mereceu. Posso ouvir o Mário Henrique se demitindo ao vivo no rádio, segundos antes de se juntar à massa na saída do Independência.

Tem gente que se emociona vendo a Monalisa. O atleticano se emociona olhando a tabela com o Galo lá em cima. Dizem que o corintiano sonhava acordado com a conquista da Libertadores. O que dizer então de nós em relação ao Campeonato Brasileiro? O Corinthians nunca tinha chegado a uma final de Libertadores até a conquista de quarta-feira. O Atlético foi vice-campeão brasileiro invicto, foi vice assaltado (Flamengo), foi vice roubado (Corinthians). Se a regra dos pontos corridos valesse desde sempre, teríamos ganhado seis vezes. É por isso a nossa fissura por esse título impossível, que tão injustamente nos escapa.

Mas o futebol, assim como a vida, é algo complexo e paradoxal. O mesmo título que nos falta é aquele que forja o melhor da alma atleticana. Essa lacuna, esse buraco que a gente tem no peito é também a nossa força e a magia de torcer para o Galo. Muitas vezes, enquanto estou abduzido pela tabela, fico pensando o que vai ser do atleticano quando ganharmos um Brasileiro. Não estou falando das 800 cervejas que cada um nós consumirá no mês seguinte ao título, culminando com nossas demissões e nossos divórcios. Fico pensando o que vai ser da gente depois de curar a ressaca e não houver mais campeonato como aquele pra sonhar. O que será do corintiano sem a Libertadores que lhe faltava? O que será do atleticano quando a segunda estrela estiver impressa na camisa? Eu não sei.

Já roguei aos céus por um campeonatinho Brasileiro e acabei ateu. Já fiz promessas – as que cumpri e as que não cumpri. Às vezes, acho que tudo é culpa do Telê, que prometeu andar até Congonhas do Campo depois do título de 1971 e tomou um táxi quando ninguém estava olhando. Já fiz contas e analisei as estatísticas. Obviamente que nada disso deu certo, me fazendo crer que realmente há uma cabeça de burro enterrada no nosso quintal. Agora, como bom jornalista, me apeguei aos fatos. E fato é que construímos uma estrutura que fatalmente nos dará o título. Pode ser este ano, pode ser no ano que vem. Mas, como disse o Leminski, distraídos venceremos.

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