DA ARQUIBANCADA

Havaiana sempre e Galo até a morte!

Que tipo de gente vai a um jogo do Galo vestido de regata azul? Eu te digo: o verdadeiro atleticano, aquele que não tá nem aí, que não escolhe roupa

postado em 18/03/2017 12:00 / atualizado em 18/03/2017 11:12

Ramon Lisboa/EM/D.A Press

O futebol é mesmo uma caixinha de cerveja: uma hora você está triste e acabrunhado, achando que a coisa não vai dar liga, que tudo está prestes a desandar; noutra, toma aquele porre de felicidade e tem a mais absoluta certeza de que algo grandioso nos aguarda num futuro não muito distante. E que, levando-se em conta a dureza dessa vida proletária, talvez já seja a hora de partir, a nado e a pé, em direção a Dubai – onde enfrentaremos o Jemerson num jogo de compadres em dezembro próximo. É, meu amigo, sonhar não custa nada, é grátis, é na vascaína.

Esse estado alterado de consciência tem um culpado: o Tupi de Juiz de Fora Temer, sobre o qual sapateamos na segunda-feira passada, jogando um futebol vistoso e cheio de vontade. É culpa também do Luan, esse nosso amuleto que acaba de voltar das profundezas do departamento médico. (Quando vi aquela cabeleira entrando em campo, pensei: é invasão de torcedor. E quem vai dizer que eu tava errado?) O Tupi não é pior que o Godoy Cruz, o San Caetano de La Plata. O Tupi tem Caça-Rato – e contra Caça-Rato os fracos não têm vez.

Eu estava lá! Eu vi com esses meus olhos que a Cidade do Galo há de comer (ok, ok, se não der pra me enterrar na cidade sagrada, larguem as cinzas na portaria.) Vim, vi e venci. Por 4 a 0, com gol de Elias e tudo! Nem sabia que estavam vendendo cerveja no estádio. Queria ter comprado oito, que é pra poder carregar todas ao mesmo tempo usando a técnica da pata de caranguejo, com todos os dedos metidos no suco de cevada – quem é do velho Mineirão há de se lembrar como é. Maldita crise! Comprei apenas seis, e dois dedos de cada mão acabaram ficando obsoletos.

Atlético e Tupi. Taí o jogo perfeito pro atleticano de raiz, saudoso dos copos de mijo voando sobre as nossas cabeças no Mineirão lotado, aquele furdúncio. Hoje, fazem fila pra comprar cerveja. Muito mais eficiente era o bololô que se formava em frente ao bar, aquela desordem absoluta, cada um ganhando no grito seus oito copos de chope, depois transportados por sobre a carcaça craniana dos demais – com prejuízos evidentes a quem estava embaixo. Tome um chope depois de passar por uma provação dessa e você saberá qual o melhor chope do mundo. E o xixi? Cada um que cavasse seu espaço no urinol. Isso sim era meritocracia pura!

Atlético e Tupi não chegou a tanto, são outros tempos. Mas que beleza ver o chope, o pobre e as bandeiras – elas também estão voltando! Se fosse na Libertadores ou no Brasileirão, tinha gente reclamando, porque “eu paguei, eu quero ver o jogo”. Ninguém quer exatamente “ver o jogo” Atlético e Tupi. O sujeito quer apenas estar ali com o Galo, cantar o hino, passar a régua com a Beth Carvalho no gogó. À minha frente, um camarada vestia uma regata azul, puída, calção de jogar bola e chinelo Havaiana. Que tipo de gente vai a um jogo do Galo vestido de regata azul? Eu te digo: o verdadeiro atleticano, aquele que não tá nem aí, que não escolhe roupa pra ir em casamento nem jogo de futebol. Havaiana sempre e Galo até a morte!

Hoje tem mais: Tricordiano e Atlético! O estádio se chama Farião. Farião, pessoal. Não há a mais remota possibilidade de o Santiago Bernabéu ser melhor que o Farião. Tomara que venda cerveja. Cachaça, se der. O Galo deveria fazer o Pacote Roots, no modelo daquele que foi feito para a compra de ingressos da Libertadores. Com R$ 100 o sujeito teria ingresso garantido para as pelejas mais “série D” da temporada, com desconto em latão de Kaiser e open bar de espeto de gato. Quem fosse de Havaiana ganhava dois. Obrigatório o uso de camisa pirata.

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