Não vou criticar nosso time pela derrota para o São Paulo. Lutamos, tivemos alguns lances polêmicos, um erro do nosso zagueiro artilheiro e um pênalti que poderia ser tratado como artisticamente bem marcado.
Achei que o adversário viria desmotivado pela queda do técnico e apresentaria futebol burocrático. Mas pelo visto o grupo do tricolor paulista quer dar mais uma chance ao interino. Como estava viajando, assisti ao jogo pela Band. Irritou-me a falta de conhecimento do Neto para comentar sobre o Cruzeiro. Afinal de contas, era o jogo do líder do campeonato.
Mais uma vez, Fábio fez a diferença, ao defender o pênalti batido pelo Luís Fabiano. Pênalti que, por sinal, teve atuação perfeita do Lucas. Basta rever o lance para ter certeza de que ele abriu as pernas de forma exagerada para que houvesse o toque, levando à marcação da falta. A reclamação exagerada de Willian Magrão fez sentido. Ele acabou levando inusitado cartão amarelo mesmo não estando em campo. Tivemos chances de empatar, mas para mim as falhas na marcação, principalmente nos rebotes, foram determinantes para o resultado. Jogamos bem, mas os detalhes fizeram a diferença.
A estreia do nosso zagueiro Rafael Donato foi digna de um filme. Falhou no primeiro gol do São Paulo, marcou dois gols e ainda atuou boa parte da partida com a cabeça enfaixada. O saldo pessoal dele não foi suficiente para ajudar no resultado. Mas um zagueiro com mais de 1,90m de altura e artilheiro tem tudo para se tornar uma referência dentro do time.
Agora temos um desafio contra um rival de longa data: o Internacional. Quem já teve a oportunidade de ler o livro do ex-goleiro Raul Plassmann, atualmente coordenador da base celeste, não esquece a passagem em que ele fala dos duelos do Palhinha com o zagueiro chileno Figueroa. Talvez o resultado mais expressivo tenha sido a vitória de 5 a 4 no Mineirão, pela Libertadores de 1976, mais precisamente em 7 de março. Você pode ver uma entrevista com Nelinho no YouTube contando detalhes dessa partida, as defesas históricas do Manga, juntamente com os melhores momentos. Esse jogo, inclusive, foi o início da vitoriosa campanha pelo título continental. Além de detalhes sobre como estavam os times na época, Nelinho comenta como era difícil para os jogadores que atuavam fora do eixo Rio-São Paulo chegar à Seleção Brasileira. Eram então as duas melhores equipes do Brasil. Vale a pena ver para entender essa rivalidade histórica.
Hoje, o Cruzeiro está montando uma boa equipe, enquanto o Inter tem seu técnico, Dorival Júnior, pressionado pelos recentes resultados. Acho que está na hora de mostrar que essa derrota para o São Paulo foi somente um descuido.
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