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Histórias de Everton Ribeiro em Dubai: passeios luxuosos, carro atolado e 'amizade' com xeque

Ex-jogador do Cruzeiro está totalmente adaptado à vida no rico emirado

postado em 04/10/2016 08:00 / atualizado em 24/10/2016 09:49

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Everton Ribeiro leva uma vida de sonhos em Dubai. Em campo, vive grande fase com a camisa do Al Ahli. Conquistou três títulos e já foi eleito o melhor meia do campeonato local. Fora dele, está totalmente adaptado à vida no emirado. Mora com a mulher e o cachorro em uma casa cedida pelo clube. Nos períodos de folga, curte uma das cidades mais luxuosas do mundo. O jogador, contudo, firma os pés no chão e tenta não se deslumbrar.

Por enquanto, Everton Ribeiro não pensa em voltar para o futebol brasileiro, mas recorda com carinho do Cruzeiro, clube pelo qual marcou 24 gols em 116 partidas e se sagrou bicampeão brasileiro (2013 e 2014). O Superesportes conversou com o ex-armador celeste por telefone. Ele contou histórias curiosas, falou sobre o xeque dono do clube e dos planos para a carreira.

Na última quinta, você deu duas assistências na vitória do seu time. Quase dois anos depois de deixar o Cruzeiro, você continua vivendo grande fase?

Está dano tudo certo, conquistamos títulos importantes, fui eleito o melhor meia no ano passado, está sendo um período muito bom, estou conseguindo desenvolver um futebol bom aqui, e conquistando espaço, abrindo as portas para mais brasileiros.

Qual a principal diferença você notou no futebol em Dubai?

É a atmosfera no estádio. Na quinta, por exemplo, foi um grande jogo, mas não tinha quase ninguém, isso é o mais diferente. No Brasil, a gente estava acostumado a jogar com 30 mil pessoas no Mineirão. Aqui o estádio é pequeno, quando lota dá 10 mil.  

E as diferenças quanto ao treinamento?

A gente não faz coletivo aqui. É treinamento tático e físico. E o treinador cobra muito, é uma outra maneira de trabalhar, estou aprendendo muito. É em alta intensidade, me preparo bem, acho que estou na minha melhor forma.



O forte calor interfere em treinos e jogos?

É muito mais quente. Principalmente agora quando começa a temporada. A gente joga com 36 graus à noite. Todo jogo tem parada técnica. É bem difícil, a gente sente muito o cansaço, quando chega o fim do jogo estamos estafados. Só treinamos em campo depois do pôr do sol porque é muito quente. Começa a melhorar a partir de outubro e novembro...

A comissão técnica é européia, tem jogador africano, brasileiros, árabes. Como é feita a comunicação?

O time se comunica em inglês. No início, não falava tão bem, agora já consigo falar melhor, estou fazendo aulas.

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Você ainda pensa em Seleção Brasileira?

Eu sei que é mais difícil, mas não é impossível. Jogadores que atuam na China estão sendo convocados. Depende muito de mim, de fazer bons jogos, de me preparar bem, acho que o Tite está atento a todos os torneios.

E o sonho de jogar na Europa?

Ainda continuo com a vontade de jogar na Europa. O mundo globalizado tem olheiros por todo lado, então depende muito de mim. Mas estou muito feliz aqui, vivemos muito bem, quero ficar mais tempo.

Como é a vida em Dubai?

Não tem restrição nenhuma, temos todos os programas do Brasil. E a segurança aqui é incrível, funciona mesmo. A cultura é diferente. Perdi o meu celular uma vez, e eles vieram correndo me devolver. Eu gosto muito de viver aqui e me adaptei totalmente. É tudo muito grande, tem os maiores prédios, maiores shoppings, aqui eles gostam destes títulos de grandeza, de mostrar que têm dinheiro. Se você não tiver a cabeça boa, acaba se perdendo, a gente sabe que é tudo passageiro, tenho a cabeça boa.

Já conheceu muitos lugares turisticos por ai?

Conheci muitos lugares legais. A gente foi conhecer o hotel sete estrelas, por dentro é uma coisa deslumbrante, de ouro, com espaços incríveis. É coisa de outro mundo. O deserto também é uma coisa de outro mundo. Tem jardins incríveis, as praias, a natureza é muito valorizada também.

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Alguma história curiosa em Dubai?

No dia do meu aniversário, minha mulher me deu um ingresso de um show. Deixei ela na entrada do local e fui estacionar o carro. No estacionamento, tinha um banco de areia e um quadrante de concreto. Meu carro acabou grudado ali. Não conseguia tirar. Os árabes, que nem me conheciam, começaram a cavar a areia, se sujaram todos para me ajudar. É um povo muito solidário. Fiquei muito feliz com a atitude deles ainda mais no dia do meu aniversário.

Conhece o xeque dono do seu clube?

A gente treina na academia dele. Ele é muito esportista, faz salto de paraquedas, crossfit, mergulho. É um cara muito simpático, cumprimenta todo mundo, muito educado. Ele trata muito bem os jogadores. Os estrangeiros recebem casas e carros cedidos por ele, que é o príncipe herdeiro, segundo na linha sucessória.

Já encontrou cruzeirenses por ai?

Já encontrei alguns cruzeirenses, é muito bacana porque eles me abordam, tiram fotos, relembram grandes momentos, acabo matando a saudade do Cruzeiro. É muito legal essa relação. Um carinho muito grande, e é recíproco. Foram momentos marcantes que me levaram para Seleção, ganhei grandes títulos, conquistei prêmios individuais. O Cruzeiro sempre vai ficar marcado. Se tiver a oportunidade mais para frente, será uma grande oportunidade voltar. Mas primeiro quero construir minha carreira fora do Brasil.

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