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ESPECIAL BH 120 ANOS

Paixões: conheça a Dona Zuzu, ilustre torcedora do América Futebol Clube

A paixão de Zuleine Epiphanio Garcia Leão começou a tomar forma há 62 anos

Quando o americano Fernando Brant e o cruzeirense Milton Nascimento descreveram as ruas e avenidas vazias nas tardes de domingo por causa do futebol, eles poderiam, muito bem, estar imaginando um típico domingo belo-horizontino. Seja nos seus primeiros anos, nos estádios do Barro Preto, Lourdes ou Alameda; no Independência e, sobretudo, nos últimos 52 anos, no Mineirão, o futebol sempre ditou a rotina das famílias da capital mineira.

Para celebrar os 120 anos de BH, o Superesportes/Estado de Minas reuniu três torcedoras que transformaram as camisas de América, Atlético e Cruzeiro em segunda pele. Zuleine Epiphanio Garcia Leão, a dona Zuzu, de 82 anos, cruza o país de ônibus e avião onde o Coelho estiver. Ana Cândida de Oliveira Marques, de 97, a Vovó do Galo, se tornou um xodó e amuleto da torcida alvinegra. Salomé Silva, de 83, gaba-se de ter faltado a pouco mais de 20 jogos do Cruzeiro em toda a história do Mineirão.

Futebol é paixão e, nas arquibancadas mineiras, elas conjugam o verbo torcer com devoção.



“TUA TORCIDA FEMININA É DEMAIS”

Pode ser na Série A, B, C ou J, nas palavras da própria Zuzu. Segunda ou terça à noite, domingo de manhã ou à tarde, onde estiver 11 americanos correndo atrás da bola, Zuzu estará na arquibancada com uma de suas mais de 60 perucas verdes, cantando do início ao fim da partida. Ela sabe todos os cantos da torcida, dos mais apaixonados aos mais provocativos. Durante os 90 minutos, gesticula contra os bandeirinhas, apoia o goleiro João Ricardo e corneta os ataques perdidos.

“Acho que se o América morrer, eu morro junto”, conta Zuzu, apelido de Zuleine Epiphanio Garcia Leão, nascida em Pitangui, no Centro-Oeste de Minas. “A minha paixão é o América. Tenho um vício, amo esse time. Tem horas que eu penso mais nele do que meus filhos (risos)”, brinca.

A paixão de Zuzu começou a tomar forma há 62 anos, quando conheceu Ayrton Garcia Leão, seu futuro marido, que chegou a ser médico do América por alguns meses. Eles se casaram em 1962. Nos anos seguintes, Zuzu se dedicou à família. Há 22 anos, em 1995, Ayrton faleceu e Zuzu descobriu no América o remédio para a ausência de seu grande amor. “Tinha que me apegar a alguma coisa, porque senti muito a morte dele. Meus filhos já estavam casados, família criada, fiquei sem rumo. Então, o amor da minha vida começou a ser o América.”

Ao lado da amiga Eni Batista Campos, de 78 anos, passou a seguir o América pelo país – na alegria ou na tristeza –, viajando até 13 horas de ônibus. No corpo, tatuagens do América mostr a paixão à flor da pele. “Minha família não acha ruim, eu simplesmente não dou satisfação. Chego e falo: estou indo e ponto final. Quero acompanhar o América até os 90 anos pelo menos.”


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