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| Rossi marcou os três gols na vitória sobre Brasil, que culminou na eliminação em 1982 |
Demolido em 1997, o Estádio Sarriá, em Barcelona, ainda continua vivo na memória dos admiradores do futebol. Nele, a Seleção Brasileira perdeu a única e derradeira partida na Copa do Mundo da Espanha, em 1982 – derrota para a Itália por 3 a 2, na segunda fase. A "Tragédia do Sarriá", como o episódio ficou conhecido, completa 30 anos nesta quinta-feira.
A seleção que resgatou o brilhantismo do futebol brasileiro, que não era visto desde 1970, fracassou na busca pelo tetracampeonato mundial. “Estou há trinta anos procurando a resposta para aquela derrota, mas o futebol é assim. Quando a bola rola é outra coisa”, lamenta o ex-volante da Seleção Brasileira e hoje treinador Toninho Cerezo.
GALERIA DE FOTOS DA TRAGÉDIA DO SARRIÁ
Com um esquema ofensivo e um time repleto de craques, a equipe do técnico Telê Santana embarcou para a Espanha com a confiança e a unanimidade dos brasileiros: “A população se identificou com aquela seleção. Demos o que eles queriam: futebol-arte, bem jogado, sem violência e com muita integra e dedicação”, relembra o ex-zagueiro Luizinho, que foi titular durante toda campanha.
Metódico, Telê, mentor daquela geração, montou o elenco privilegiando a qualidade técnica. “Não tínhamos apenas 11 bons jogadores. Todo o grupo era extremamente qualificado”, comenta Luizinho.
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| Lances da Copa do Mundo de 1982 |
Em campo, a Seleção Brasileira fez jus ao favoritismo que detinha. Na primeira fase, venceu os três jogos, marcou 10 gols e sofreu apenas dois. Na estreia, diante da URSS vitória por 2 a 1, com gols de Sócrates e Éder.
Passado o nervosismo natural, o desempenho da equipe evoluiu. Com facilidade, o Brasil bateu a Escócia por 4 a 1 - Zico, Oscar, Éder e Falcão marcaram. No último jogo da primeira fase, a fraca Nova Zelândia foi goleada por 4 a 0, com dois de Zico, um de Falcão e Serginho.
Dono da melhor campanha, o selecionado nacional, na segunda fase, ficou ao lado da Itália e Argentina no Grupo 3. As três seleções se enfrentariam em jogo único e a melhor avançaria à semifinal. “Sabíamos que quando a competição fosse avançando as dificuldades aumentariam. Enfrentar Itália e Argentina, na seqüência, seria duro”, avalia Cerezo.
Mesmo com Maradona, Kempes e Passarela, a detentora do título mundial de 1978 não ofereceu muitas dificuldades aos comandados de Telê Santana, que venceram por 3 a 1 – gols de Zico, Serginho e Júnior. “A vitória sobre os campeões mundiais nos encheu ainda mais de certeza que o trabalho estava sendo bem feito. Era o caminho certo”, relembra o ex-volante Paulo Isidoro.
Antes de enfrentar o Brasil, a Argentina perdera para a Itália por 2 a 1. Dessa forma, o empate com a Seleção Italiana daria a vaga ao escrete verde-amarelo. No dia 5 de julho de 1982, surpreendentemente, o atacante italiano Paolo Rossi, com gols e bela atuação, escreveu o histórico capítulo da "Tragédia do Sarriá".
Preso por envolvimento em um esquema de manipulação de resultados na Itália, o ex-jogador da Juventus foi solto nas vésperas da Copa do Mundo. Mesmo estando afastado dos gramados por dois anos, o atacante contou com a confiança do técnico Enzo Bearzot.
Autor de três gols na partida, Rossi foi considerado o carrasco da eliminação brasileira. Os belos gols de Sócrates e Falcão não impediram o revés histórico. “O futebol poderia acabar naquele dia”, define Paulo Isidoro. “Aquela derrota foi muito sofrida pela maneira como aconteceu. A tristeza consumiu todo grupo”, relembra.
A eliminação prematura não tirou o brilho da equipe que encantou o mundo e ainda é reverenciada pelo desempenho esplendido na Copa. “Mesmo com a derrota, se eu pudesse escolher entre ser campeão com um time pragmático ou participar daquela Seleção de 1982, preferiria sempre perder como perdemos. Até hoje somos exaltados em todo o mundo”, orgulha-se Luizinho. “Mostramos ao mundo a verdadeira escola do futebol brasileiro. A derrota do Brasil foi também o revés do futebol-arte”.
Gols da partida Itália 3 x 2 Brasil
Futuro incerto para o futebol brasileiro Integrante da seleção que encantou o mundo em 1982, Luizinho vê com ceticismo a nova geração do esporte nacional: “Temos um problema grave de técnicos no Brasil. Eles esqueceram a origem do nosso futebol e pregam um estilo de pegada, briga. Podemos conquistar a Copa em 2014, mas dificilmente será com aquele brilhantismo visto anteriormente”, comenta o saudoso zagueiro que atuou pelo Atlético, Cruzeiro e Vila Nova em Minas Gerais.
Para Isidoro, “não temos [Brasil] condições de formar uma equipe brilhante como aquela para jogar a Copa no Brasil. A mentalidade de algumas pessoas que estão à frente do futebol deve ser alterada”.
A Espanha, que foi sede da brilhante campanha brasileira de 1982, reinventou seu futebol e é a seleção que mais se aproxima do histórico estilo canarinho: “Futebol de toque de bola, que valoriza os jogadores habilidosos e técnicos em detrimentos dos brucutus”, conceitua Cerezo.
Ficha da Tragédia do Sarriá:Itália 3 x 2 Brasil
Itália: Dino Zoff; Antonio Cabrini, Fulvio Collovati (Giuseppe Bergomi), Cláudio Gentile Gaetano Scirea, Giancarlo Antognoni, Gabriele Oriali, Marco Tardelli, (Giampiero Marini), Bruno Conti; Francesco Graziani e Paolo Rossi
Técnico: Enzo Bearzot
Brasil: Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior; Cerezo, Sócrates, Zico, Falcão; Eder e Serginho (Paulo Isidoro)
Técnico: Telê Santana
Motivo: 2ª fase da Copa de 1982
Estádio: Sarriá
Data: 05 de julho de 1982
Gols: Rossi (5 min/1º T; 25 min/1º T; 29 min/2º T); Sócrates (12 min/1º T) e Falcão (27 min/2º T)
Cartões Amarelo: Genti e Oriali
Árbitro: Abraham Klein (ISR)
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(14) comentário(s)
Autor:
Jose das Merces de Souza
MORREU ALGUÉM? QUE TRAGÉDIA FOI ESTA?
Autor:
lucio teixeira
Melhor time de futebol de todos os tempos pena que não tinha goleiro, mas valeu pelo futebol lindo, vejo a seleção de hoje 11 no ranking da fifa da vontade de vomitar :[
Autor:
Talles Macieira
Trinta anos depois não é hora de achar culpados. As escolhas de Telê Santana são questionáveis como todas as outras das copas, sempre tem um que fica de fora. O futebol é assim. Não fosse, não seria tão encantador!
Autor:
Sergio Ricardo dos Santos
O Brasil tinha centroavante melhor, Roberto Dinamite e goleiro melhor, Raul. Porém, Telê insistiu no Serginho, muito fraco e Waldir Perez, idem. Porém , Telê e Cerezo se redimiram dez anos depois, dando o mundial para o São Paulo. Quanto a Júnior e Zico, bons de Maracanã e Rede Globo.
Autor:
Alex Sandro Abreu
A imprensa paulista e carioca culpa o Cerezo por um simples toque errado, porem escondem q Waldir Peres e Serginho amarelaram a copa inteira e o Junior Falhou nos três gols italianos e nem se dignifica a dividir este peso com o Cerezo q para ele é bem maior. Covardes estes três.
Autor:
Talles Macieira
3 jogadores titulares eram do Galo e 3 do Flamengo. Bons tempos!
Autor:
rodney mota
Sr. Marcelo Nascimento. Esse jogo não Atlético x Marias. E o futebol e bom por isso. Nem sempre vence o melhor. O seginho Chulapa perdeu todos os gols e o Valdir Perez tomou gols do meio da rua. Coisas do futebol. Ps: nessa época você não tinha time pra torcer, por isso culpa os atleticanos..
Autor:
luiz souza
2 dos comentaristas aqui viram outro jogo, em outra época. Se fossem pelo menos justos e analíticos veriam que o JUNIOR falha nos três lances: 1º) não marcou o cruzamento, 2º) entrou de carrinho sendo o último jogador e 3º) ficou dentro do gol dando condições ao P.Rossi. Revejam o jogo com informação
Autor:
Marcelo Nascimento
Quem entregou aquele jogo para os italianos foram o tal de Luizinho e Cerezo, com aquele lançamento perfeito para o PRossi.
Autor:
Júlio César Scarpelli
Cabrini desfilou com charme e beleza, defendendo e atacando com a mesma desenvoltura. O saudoso Scirea lembrou Fachetti. Antognoni era o cérebro. Conti e Graziani foram ariscos nas pontas. E ainda tinha o Altobelli entrando em alguns jogos. Previsível o que aconteceu na Copa.
Autor:
Júlio César Scarpelli
Paolo Rossi foi artilheiro da Copa de 1982, com pouco tempo de treino. Fez os 6 gols decisivos no Mundial, 3 contra o Brasil, 2 contra a Polônia na Semi-final e mais um na Final contra a Alemanha. Dino Zoff foi fantástico e seguro. Gentile foi certeiro na marcação, anulou Zico e Maradona.
Autor:
André Corrêa
Importante destacar também que, até o jogo contra o Brasil, Rossi não havia feito NADA no mundial. Meteu três gols na gente, fez mais dois na semifinal contra a Polônia e outro na final, contra a Alemanha. Acabou artilheiro da Copa.
Autor:
André Corrêa
Se aquela partida fosse jogada 100 vezes, o Brasil ganharia 99. O time deles era digno de muito respeito, mas o time do Telê era fantástico. Só faltou um atacante melhor que o Serginho.
Autor:
Júlio César Scarpelli
A verdade dos fatos é que a Seleção Italiana era superior à Seleção Brasileira. Paolo Rossi, o Bambino de Ouro, foi fator decisivo e a Itália mereceu vencer a partida e a Copa do Mundo. Time por time, a Itália era melhor tecnicamente e Bearzot deu um nó no Telê.