Paulo Galvão - Estado de Minas

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11/03/2010 07:00
22/04/2010 10:10
Quando todos esperavam que a partida entre América-TO e Atlético, interrompida na semana passada em função da chuva terminaria, os 25 minutos que faltam e estavam marcados para ser disputados ontem à noite, em Teófilo Otoni, foram suspensos pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). O presidente do órgão, Sílvio Augusto Tarabal Coutinho, julgou procedente pedido do alvinegro, que invocou, entre outras coisas, o regulamento do Campeonato Mineiro, e concedeu liminar mantendo a suspensão da partida até manifestação do Tribunal Pleno.
O Artigo 42, parágrafo segundo, do regulamento do Estadual, diz: “A partida iniciada e suspensa no seu transcorrer pelo árbitro por motivo fortuito será jogada os minutos restantes, depois de ouvida a Justiça Desportiva, quando possível, caso contrário, por seu referendum”. Tarabal também considerou que jogadores atleticanos sofreram contusões que podem ser atribuídas “ao intervalo de 15 minutos ocorrido durante a etapa complementar da partida, bem como às péssimas condições do gramado”, que, a seu ver, “não apresentava condições sequer para reinício após o intervalo”.
A decisão coroou a boa estratégia adotada pelo departamento jurídico do Galo. O clube da capital já havia solicitado à Federação Mineira de Futebol (FMF) que o restante da partida contra a equipe do Vale do Mucuri ficasse para o dia 23, tendo tempo para recuperar o atacante Diego Tardelli e o volante Correa, os contundidos citados pelo presidente do TJD. Como a entidade que dirige o futebol mineiro negou, buscou a brecha no regulamento e atingiu o objetivo faltando poucas horas para o jogo, quando não haveria tempo hábil para que a liminar fosse cassada. O clube afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto.
Dizendo que a FMF foi surpreendida pela decisão, o presidente Paulo Schettino afirmou que vai respeitá-la, mesmo sem entendê-la. “A Federação poderia, sim, marcar uma nova data para o restante da partida e, depois, informar ao TJD. É isso que significa o referendum. Não era preciso consultar o TJD, mas sim informar, e isso foi feito. Mas temos de acatar a decisão”, ressaltou.
Para ele, o jogo deveria ter sido encerrado ontem, tanto que o trio de arbitragem, o delegado da partida, entre outros, foram a Teófilo Otoni. “A FMF não via problema algum em realizar o jogo, como tinha sido marcado. Evidentemente estava tudo pronto para o restante da partida.”
Mas não foi só a FMF quem foi pega de surpresa. O próprio Atlético já havia enviado alguns funcionários ao Vale do Mucuri, como assessor de imprensa, segurança, roupeiro e massagista. Sem a partida, eles retornaram a Governador Valadares, de onde embarcam para Belo Horizonte hoje pela manhã.
MUDANÇA NA PROGRAMAÇÃO Os próprios jogadores se mostraram um pouco surpresos com tudo o que ocorreu. Os 10 que estavam relacionados para a partida – o Atlético teria de atuar com nove atletas, pois o lateral-esquerdo Leandro foi expulso e duas substituições já haviam sido feitas pelo técnico Vanderlei Luxemburgo – e integrantes da comissão técnica chegaram à Cidade do Galo por volta do meio-dia para almoçar. Depois, com os demais atletas, acompanharam palestra do procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, e quando se preparavam para embarcar em dois aviões fretados, foram comunicados da suspensão.
A partir de então, a programação mudou e todos foram para o campo, onde fizeram treino coletivo já pensando no jogo contra a Caldense, sábado, no Mineirão, pela nona rodada do Estadual. “Estávamos preparados para jogar os 25 minutos que faltam em Teófilo Otoni, mas mudou tudo e agora é pensar no próximo compromisso. O Vanderlei aproveitou e já começou a posicionar o time para a partida de sábado. É uma situação complicada, ficou todo mundo sem saber o que aconteceria, se viajava ou não, essas coisas. Mas a nós, jogadores, cabe acatar a decisão e esperar que marquem o restante do jogo”, argumentou o volante Fabiano.
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