ATLÉTICO

Entrevista com Aguirre: "Galo brigará por títulos"

Treinador conta os dias para ter Robinho, exalta estrutura e promete chance aos jovens

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

postado em 13/02/2016 12:00 / atualizado em 13/02/2016 12:56

Jaeci Carvalho /Estado de Minas

Euler Junior/EM/D.A Press
Cinquenta anos, natural de Montevidéu, casado com Laura, pai de três filhos, Maria, 19 anos, Josefina, 16 anos, e Matheu, de 8 anos. Um cara bastante família. Campeão da Copa Libertadores com o Penãrol como jogador – marcando o gol do título. Vice-campeão como técnico com o mesmo Peñarol. Ano passado, com o Inter, chegou às semifinais. Cobiçado por Atlético, São Paulo e clubes do exterior, optou pelo Galo, pois sonha fazer um grande trabalho e conquistar um título importante. Aguirre recebeu o Estado de Minas para um bate-papo sobre sua carreira, Libertadores, Brasileiro e BH. Título, ele não promete, mas garante que vai fazer um trabalho que poderá levar o alvinegro a grandes conquistas.

Com a chegada do Robinho, como fica o planejamento do Atlético?

Ele é importante, estou confiante que vai ajudar o time. Não sei quando ele pode começar a nos ajudar. Temos de falar com o jogador, preparadores e fisiologistas. Precisamos dele, estamos com ansiedade, queremos ver Robinho em campo. Não o conhecia pessoalmente, mas todos falam bem dele. É uma boa pessoa, é referência para os jovens, ajuda no trabalho. Tem tudo para dar certo. O Atlético fez grande contratação, por tudo o que ele significa, pela sua capacidade. Estamos ansiosos para trabalhar para as competições importantes.

Robinho poderia ser o que foi Ronaldinho Gaúcho em 2012 e 2013?

Claro que sim. É um jogador experiente, de Seleção Brasileira, que agregará muito ao nosso trabalho.

O que está achando do Atlético e de BH?

A cidade é espetacular, a comida, o povo, tudo me agrada muito. O Atlético, uma instituição gigantesca. Uma torcida fanática como a do Peñarol. Senti isso no jogo contra o Flamengo. É realmente diferente de tudo que já vi. Essa torcida empurra o time. Sei o que ela sente e uma das coisas que mais desejo é dar uma grande alegria para ela. Vou dar o máximo e fazer um grande trabalho.

A Libertadores seria o título mais importante, mas o Galo não ganha o Brasileiro há 44 anos. O que pensa sobre isso?

Tem que ter cuidado para não criar uma ilusão na torcida de que vai ganhar de qualquer jeito. O Atlético está bem, tem um time forte, mas não prometo nada. É muito difícil, temos de ir jogo a jogo, dia a dia. Muito treino, muito trabalho. Claro que imagino esse dia maravilhoso, mas não posso garantir que vamos ganhar. Vou trabalhar para ganharmos todas as taças que disputarmos. Acho o grupo forte e o Galo brigará por títulos.

Jogadores das divisões de base terão chance?

Sim, adoro trabalhar com jogadores da base, mas não tivemos tempo, pois viajamos e temos muito a fazer na equipe principal. Porém, eu vou dar oportunidade aos garotos, mais à frente.

Você foi campeão da Libertadores como jogador em 1987, fez o gol do título e conhece muito a competição. Qual o segredo para ganhá-la?

Fui campeão, mas já faz muito tempo. Sei bem o que é essa competição, traiçoeira. Sei a importância que tem para todos nós. E acredito que os times brasileiros são sempre favoritos, nunca descartando Boca e River, naturalmente. Fui vice-campeão como técnico. Mas, numa noite infeliz, você pode perder o trabalho de um semestre. Estou preparado para levar o Galo o mais longe possível.

O time perdeu dois jogadores de nível, Jemerson e Giovanni Augusto. Há peças de reposição no próprio grupo?

Sim, temos um grupo forte. As contratações feitas me agradaram e assim que tivermos todos em forma o time vai render o que eu e a torcida esperamos.

Você traça os grupos, as possibilidades de pegar A ou B na Libertadores?

Penso jogo a jogo, pois não posso iludir a torcida ou quem trabalha comigo. Na Libertadores, times considerados pequenos já foram campeões, e as surpresas acontecem. Trabalho cada fase, cada jogo e, aí sim, se chegarmos, vamos pensar na taça.

Havia propostas do São Paulo e do exterior. Por que optou pelo Atlético?

Aqui tenho condições de fazer um grande trabalho, pela estrutura, pelo time, pela torcida. Joguei contra o Galo aquelas duas partidas da Libertadores, quando dirigia o Inter, e vi a força da torcida. A cidade me acolheu bem, assim como os torcedores. Ter sido pretendido por outros clubes foi reconhecimento ao trabalho que fiz no Inter.

Você é um técnico estilo “paizão” ou linha-dura?

Na hora do trabalho gosto de seriedade, de firmeza. Mas me preocupo com os atletas, gosto de saber como está a vida pessoal, para saber o que está atrapalhando o rendimento. Não fico distante deles. Procuro falar, orientar e tudo o mais para que o rendimento seja ótimo.

Prefere pontos corridos ou mata-mata?

Prefiro os pontos corridos, pois premiam as equipes mais regulares. No mata-mata, uma noite ruim faz você perder um título. A regularidade, a grande campanha, deve ser sempre valorizada.

Independência ou Mineirão?

Para mim, igual. Há gente no clube com experiência para falar desta parte. Para mim, não importa, mas respeito as decisões. O que o clube decidir, para mim está bem.

O Brasileirão era tido como difícil, pois sempre havia 10 equipes em condições de ganhar a taça. Você acha que o nível está caindo?

Acho o nível técnico bom. Temos de jogar como decisão em cada partida. O Atlético estará no grupo dos que pretendem ganhar o título Brasileiro.

Você gosta de ganhar jogando bonito ou o importante é somente ganhar?

O importante é ganhar, mas você tem de ter identidade, jogar alguma coisa, fazer as coisas para ganhar. Você pode ganhar um dia com uma bola parada ou coisa parecida. Mas o importante é um time fazer por merecer ganhar. Gosto do meu time jogando com a bola e sabendo jogar sem a posse dela. O trabalho tem que ser em equipe, jamais individual. Acho que os jogadores vão pegar confiança jogo a jogo e, para ganharmos, temos de ter solidez, convicção e conjunto. Isso vai tornar o futebol bonito.

O que você pensa dos salários dos técnicos que trabalham no Brasil?

Acho que um técnico já não está ganhando R$ 800 mil, R$ 900 mil. Essa fase já passou. Mas acho que os grandes jogadores também ganham altos salários e muito dinheiro que entra pelas conquistas, televisão. Está virando um mundo poderoso, e quem faz parte do futebol, como o técnico, deve ser bem remunerado, ainda mais aqui, que se perde um jogo e o trabalho também.

Como vê a corrupção no futebol?

Acho uma lástima. Quero sempre jogar e ganhar com respeito, com fair-play, jogo limpo. Acho que essa limpeza no futebol vai fazer com que a corrupção acabe, pois é muito dinheiro em jogo, e tem muita gente desonesta. Onde há muito dinheiro, há corrupção. Futebol é esporte, alegria, e tem gente que está no futebol e que não tem nada a contribuir. É um esporte maravilhoso. (com Roger Dias)

Tags: entrevista aguirre atleticomg