BOLA MUNDI

A Copa das Confederações subiu no telhado...

A verdade nua e crua é que a Copa das Confederações só interessa à Fifa se seguir (muito) lucrativa. O histórico comprova isso

postado em 08/06/2017 11:20 / atualizado em 09/06/2017 16:12

Daqui a nove dias, a partir de 17 de junho, começa na Rússia a Copa das Confederações’2017, reunindo oito seleções, entre elas a campeã mundial Alemanha e o campeão europeu Portugal. Apesar das presenças ilustres, esta pode ser a última edição do torneio. A Fifa tem outros planos para os anos anteriores aos das Copas do Mundo: um Mundial de clubes ampliado. A disputa também seria organizada nos anos anteriores à Eurocopa, substituindo o atual modelo. Pela ideia inicial, participariam os dois últimos campeões e vices da Liga dos Campeões, da Liga Europa e da Libertadores. Ásia, África, América do Norte e Oceania teriam um representante cada. Seria o fim da Copa das Confederações...

Um dos motivos para a mudança é o fato de que a Copa das Confederações da Rússia não empolgou. Seja pela ausência de grandes nomes (a Alemanha, por exemplo, levará equipe ‘alternativa’) ou pelo preço dos ingressos – os mais baratos por US$ 70 (R$ 218) –, o número de bilhetes comercializados para as 16 partidas do torneio ainda estava abaixo do esperado. É claro que com a proximidade da competição e a abertura dos postos de venda físicos nas cidades-sede (São Petesburgo, Sochi, Kazan e Moscou), os números vão melhorar. Mas nem isso ameniza o quadro.

A verdade nua e crua é que a Copa das Confederações só interessa à toda poderosa Fifa se seguir (muito) lucrativa. O histórico comprova isso. Disputada inicialmente na Arábia Saudita em 1992 e 1995 com o nome de Copa do Rei Fahd, a competição foi ‘incorporada’ pela entidade a partir de 1997, ainda com sede em Riad. O título do Brasil naquele ano e o vice-campeonato em 1999, aliados às conquistas da França em 2001 e 2003, ajudaram a impulsionar o torneio.

Com grande sucesso de público (e, consequentemente, de bilheteria), a Copa das Confederações passou a ser ainda mais valorizada pela Fifa e utilizada como ‘evento teste’ para os países anfitriões dos Mundiais. A partir de 2005 o formato atual foi adotado, sendo realizada de quatro em quatro anos. Coincidência ou não, o fato de o Brasil ter sido campeão três vezes consecutivas (2005, 2009 e 2013), manteve a disputa em evidência. Agora, a realidade é outra. Sem o Brasil e com participantes como Nova Zelândia, Austrália, Camarões, Chile e México, a atratividade caiu. A situação ficou russa e ligou o sinal de alerta entre os cartolas... Agora, é aguardar para ver se o deus dinheiro vai mesmo decretar o fim do torneio.


Rivalidade em ação

Na chamada ‘data-fifa’, dezenas de amistosos serão disputados nesta semana. Se teremos confrontos do naipe de Cambodja x Indonésia, Granada x Bermudas e Canadá x Antilhas Holandesas, também há duelos de peso, como França x Inglaterra e Brasil x Argentina. Com muitos atletas preservados (Neymar inclusive), o clássico sul-americano servirá para que Tite faça experiências e dê “rodagem” a jogadores que pouco atuaram com a Amarelinha até agora. Mas a rivalidade é garantia de emoção. Até porque a partida também marcará a estreia de Jorge Sampaoli no comando dos hermanos.


Pelas beiradas

Sem muito alarde, o brasileiro Giuliano foi um dos destaques da temporada europeia. Contratado pelo Zenit São Petesburgo em julho de 2016 por 6,3 milhões de euros (cerca de R$ 22,5 milhões), não demorou a se adaptar ao futebol russo e brilhou na Liga Europa. Tanto que foi o artilheiro do torneio (oito gols, ao lado do bósnio Dzeko, da Roma), mesmo com seu time sendo eliminado antes das oitavas de final. Como se não bastasse, ainda deu seis assistências...

De olho

Sérgio Córdova

AFP

De saco de pancadas sul-americano, a Venezuela caminha a passos largos para mudar de patamar. Com 100% de aproveitamento no Mundial Sub-20 (para o qual o Brasil nem sequer se classificou), o time faz hoje uma das semifinais diante do Uruguai. E muito desse sucesso se deve a Sérgio Córdova, de 19 anos. Polivalente, ele atua tanto como armador como atacante pela direita. Apesar de grandalhão (1,91m de altura), tem boa mobilidade e finaliza bem. É um dos artilheiros do torneio, com quatro gols em cinco jogos. Seu passe pertence ao Caracas, da Venezuela.


Longevidade

Na vitória de 3 a 1 do Palmeiras sobre o Tucumán, da Argentina, na última rodada da fase de grupos da Libertadores, o lateral Zé Roberto, de 42 anos e 10 meses, se tornou o mais velho a fazer gol na competição continental. Ele também é o segundo mais ‘experiente’ a disputar o torneio. Perde só pro falecido atacante peruano Vicente Villanueva, que defendeu o Sporting Cristal na década de 1950 e 1960 e atuou na edição de 1968 da Liberta, quando já tinha 43 anos e 10 meses. Haja fôlego...


De futuro

O Ajax, da Holanda, foi vice da Liga Europa ao perder a final para o Manchester United, da Inglaterra. Comandando uma equipe de garotos – média de 22 anos e 282 dias, a mais jovem das finais europeias –, o técnico Peter Bosz, ex-volante regular, já é chamado por muitos de ‘o novo Guardiola’. Ele assumiu o clube em maio de 2016 e apostou em nomes como o zagueiro Matthijs de Ligt (17 anos) e os atacantes Justin Kluivert (17) e Dolberg (19). O elenco conta ainda com o meia brasuca David Neres (20), ex-São Paulo. Resta saber se o clube terá forças para resistir ao assédio dos gigantes às suas joias.


Pechincha

Que tal contratar um goleiro eleito o melhor do mundo cinco anos consecutivos (2008 a 2012), com currículo recheado de títulos, inclusive de campeão mundial e da Eurocopa? E melhor, sem custos? Esse ‘negócio irrecusável’ existe: o espanhol Cassilas, de 36 anos. Após dois anos de contrato com o Porto, de Portugal, o camisa 1 está livre no mercado. O único porém: os altos salários (cerca de R$ 9 milhões por ano). Na equipe lusitana, Cassilas tinha parte dos vencimentos bancados pelo Real Madrid, seu ex-clube.

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