A contratação de Riquelme, considerada por Arnaldo Tirone fundamental em seus últimos dias de mandato, pode se tornar um grande problema para o Palmeiras no futuro. Se o presidente realmente fizer a negociação sem o aval do Conselho de Orientação Fiscal (COF), o órgão promete estudar se o contrato do meia argentino será realmente válido e ainda tentará punir Tirone pela desobediência.
"Já estou consultando o departamento jurídico, pois o presidente vai ferir o estatuto do clube", afirmou Alberto Strufaldi, presidente do COF. "Acho até estranho eles (da diretoria) estarem falando em ir para a Argentina para fechar o acordo, já que não comunicaram nada para a gente. Se fecharem, não sei nem se a Fifa consideraria o contrato legal. E com certeza o Tirone receberia alguma punição, que não seria leve". A decisão do COF de submeter à apreciação do órgão qualquer iniciativa de Tirone foi chancelada pelo Conselho Deliberativo do Palmeiras.
Segundo Piraci Oliveira, diretor jurídico do clube, o contrato teria validade, mas ele faz uma ressalva: "É um assunto em que nunca tivemos um precedente".
A diretoria alviverde já não está tão otimista quanto à chegada de Riquelme como antes, mas ainda aguarda uma resposta do atleta para ir à Argentina para fechar o negócio (a viagem pode ocorrer nesta quinta-feira). Inicialmente, o meia gostou da proposta de R$ 420 mil mensais, com um contrato de três anos e a possibilidade de ter um cargo no clube após esse período, algo parecido com o que aconteceu com o ex-goleiro Marcos. Um dos problemas, porém, é que o Fluminense promete acirrar a concorrência pelo veterano jogador.
O maior entrave para a contratação de Riquelme, no entanto, é mesmo o COF, que até agora não recebeu nenhum projeto de marketing para o jogador - e, dessa maneira, não sabe de onde sairia o dinheiro para pagar o argentino. Caso Tirone banque a contratação sem o aval do conselho, o problema será jogado para o futuro presidente.
Paulo Nobre e Décio Perin concorrerão na próxima segunda ao cargo máximo do clube. Se Riquelme assinar um contrato até o próximo domingo - sem a anuência do COF -, quem ganhar a eleição poderá ter de rever o contrato, de acordo com Strufaldi, que é contra a contratação. "Se fosse o Messi, a gente respeitava. Mas o cara já tem 34 anos, não joga faz tempo (desde a final da Libertadores) e ainda fecharia por três temporadas. Tem tudo para dar errado".
Quando recebeu o contrato em suas mãos, sabendo que Tirone está nos últimos dias de seu mandato, Riquelme perguntou o que acontecerá a partir de segunda e também se haveria algum problema para assinar o contrato. A resposta foi que tanto Nobre quanto Perin apoiam a sua contratação, o que não é exatamente verdade.
Paulo Nobre não é um entusiasta da contratação do meia da maneira como o negócio está sendo feito. Para o candidato, o ideal seria fazer um contrato de um ano de duração, para depois pensar na renovação. E ele diz não saber como o Palmeiras pagaria os salários do jogador.
Perin tem um pensamento semelhante, mas ele não vetaria a contratação de Riquelme caso Tirone a fizesse. O que está claro é que, se o atual presidente não conseguir fechar o negócio em quatro dias, nem Nobre nem Perin vão fazer muita força para trazer o argentino.
Tirone pode ser punido no Palmeiras se trouxer o argentino Riquelme
postado em 16/01/2013 20:35
Agência Estado