CAMPEONATO MINEIRO

Empresário de Neymar, profissionalização e casa cheia: o projeto do Uberlândia, líder do Mineiro

Com 12 pontos em quatro jogos, UEC faz parcerias para ser forte no cenário nacional

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postado em 29/02/2016 19:43 / atualizado em 29/02/2016 20:09

João Vítor Marques /Superesportes

Reprodução Celso Ribeiro/Correio de Uberlândia
Quatro vitórias em cinco partidas, liderança do Campeonato Mineiro, segunda melhor média de público do Estadual, atrás apenas do Cruzeiro… A volta do tradicional Uberlândia Esporte Clube à elite regional após cinco anos no Módulo II era aguardada com ansiedade pelos torcedores da cidade de mais de 660 mil habitantes. Apesar da expectativa, o desempenho dentro e fora de campo supera a as metas do clube e se deve até mesmo a parcerias com a família e o empresário de Neymar.

“O Wagner Ribeiro (empresário do atacante do Barcelona) auxilia principalmente na indicação de jogadores e na gestão do futebol. Já o pai do Neymar não tem contrato formal com a gente, mas contribui, pois é muito ligado ao Wagner”, explicou o presidente do Uberlândia, Guto Braga.

A relação com o pai de Neymar era mais forte em 2015, quando o clube conquistou o título do Módulo II do Mineiro. Na ocasião, o Instituto Neymar, projeto social do jogador, estampou sua marca na camisa do Uberlândia. O pai do atacante, inclusive, chegou a trabalhar por patrocínios e no relacionamento com atletas de fora do Brasil.

Divulgação
Um dos motivos do afastamento da relação, segundo o presidente, são os problemas de pagamento de impostos que o jogador enfrenta nas justiças brasileira e espanhola, que demandam maior atenção do pai de Neymar.

O craque do Barcelona já esteve em Uberlândia para participar de jogos festivos para arrecadação de alimentos, realizados na cidade há 15 anos.

Empresário do atacante, Wagner Ribeiro tem contrato com o clube e atua como membro do conselho gestor do clube, ao lado de Kriss Corso, empresário de São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo. Os dois indicam jogadores ao Uberlândia, que, como contrapartida, distribuirá parte dos ganhos futuros do departamento de futebol entre os empresários.

“Os jogadores são todos do clube e somos nós que pagamos os salários. Por sigilo de contrato, não posso revelar a porcentagem que fica com o clube e a que vai para os parceiros. Mas é um acordo que é bom para todos”, afirmou Guto Braga.

Reprodução Celso Ribeiro/Correio de Uberlândia
Casa cheia

Para bancar a folha salarial de R$220 mil mensais para atletas e comissão técnica, o clube conta com oito patrocinadores no uniforme e a renda de bilheteria dos jogos. Com média de 11.367 mil pagantes, o Uberlândia é o segundo em público no Campeonato Mineiro, atrás apenas do Cruzeiro.

Em três jogos, contra Atlético, Villa Nova e Guarani, já foram arrecadados cerca de R$780 mil, suficientes para pagar os vencimentos de mais de três meses. Os preços dos ingressos variaram entre R$10 e R$50 nos jogos contra os rivais do interior. Para a partida contra o Atlético, o setor mais caro do estádio Parque do Sabiá custava R$100.

Profissionalização do futebol

O conselho gestor do Uberlândia resolveu apostar na profissionalização da parte administrativa do futebol para alcançar bons resultados em campo. No fim de 2015, o clube contratou João Paulo Medina, presidente da Universidade do Futebol, para atuar como CEO.

Reprodução
A partir daí, a equipe foi toda reestruturada e passou a ser gerida por cinco profissionais da Universidade.

“Analisamos o perfil e fizemos entrevistas com vários treinadores, num processo bem profissional, até que chegamos no nome do Alexandre Barroso. Entre os atletas, prospectamos quase duzentos jogadores até chegarmos ao elenco com mais rodagem e experiência”, explicou Medina.

Universidade do Futebol e clube têm contrato apenas até o fim do Campeonato Mineiro, mas apostam em um trabalho a longo prazo.

“A ideia nesses primeiros meses é entender a situação do clube e encontrar resultados a curto prazo. Com o tempo, pretendemos estabelecer um projeto que seja um modelo de administração para clubes de todo o Brasil”, completou o CEO.

Sonhar alto

O desempenho impressionante do Uberlândia no começo do Mineiro tende a ser apenas o primeiro passo de um plano ambicioso do clube para voltar a ser forte no cenário nacional. Em 1984, a equipe foi campeão do que hoje seria a Série B do Brasileiro. E, é justamente a segunda divisão nacional a grande ambição da diretoria.

“A curtíssimo prazo, a meta é conseguir classificação para a Série D. A médio prazo, em três ou quatro anos, a ideia é atingir a Série B. Temos estrutura para isso, temos um CT modelo, com quatro campos e toda a estrutura, como os grandes. Tudo isso numa cidade com quase 700 mil habitantes e uma torcida que apoia”, afirmou Guto Braga.

 

Com supervisão de Bruno Furtado

Tags: Uberlândia EC futnacional interiormg