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Maior evento de artes marciais em BH, All Fights é sucesso e promete nova edição

Mineirinho recebeu 12 horas de competições de seis modalidades diferentes

postado em 20/03/2017 09:41 / atualizado em 20/03/2017 09:46


Socos, chutes, joelhadas, chaves de braço, imobilização... Um golpe atrás do outro. No ringue, no tatame e no octógono, 760 lutadores amadores de seis modalidades de artes marciais invadiram o Mineirinho ontem para a primeira edição do All Fights. Com vários combates ao mesmo tempo, atletas do jiu-jítsu, boxe, kickboxing, muay thai, sanda e MMA levaram o público ao delírio. Além do barulho dos golpes e dos gritos da torcida, a energia do ginásio contagiava a todos quando eram embalados ao som do tema de Rocky Balboa, Eye of the tiger.

O evento, com mais de 12 horas de duração, foi um sucesso e já tem promessa de uma segunda edição. A galera de quimono, luvas, caneleira, proteção de cabeça, colete e cotoveleira invadiu a Pampulha, dividiu lugar com os torcedores do Cruzeiro, que jogava no Mineirão, e, num clima de paz e confraternização, valorizou cada luta e exaltou todas as modalidades.

Gabriela Larissa, de 22 anos, da Dalton Team, venceu Gabriela Leite, do Independência Team, na categoria 63,5kg promovida pela Federação de Muay Thai Tradicional do Estado de Minas Gerais (F.M.T.E.M.G.). “Luto há um ano e meio. O muay thai é tudo para mim, me tirou da depressão e hoje me faz uma vitoriosa na vida”. Ela, que é de Luz, agradece ao professor Paulo Donizete, o Paulinho Quebra Osso, “que me tornou uma guerreira”.

No jiu-jítsu, Alan Fernandes, de 30 anos, comanda sua academia em Montes Claros e ontem fez duas lutas. “Há 15 anos luto jiu-jítsu, ele é meu estilo de vida e mudou minha personalidade. Era agressivo, cabeça quente, brigava muito e hoje sigo o lema da academia: 'quem luta, não briga'. Eu me transformei, sei administrar a raiva, me encontrei com as lições das artes marciais. Sou uma pessoa melhor. De aluno, virei professor e há sete anos tenho a Alan Fernandes Team. Passei pela capoeira, caratê, muay thai, mas me apaixonei pelo jiu jítsu”. Alan, mais do que aprovou o All Fights. Para ele, “foi uma excelente oportunidade de intercâmbio entre os atletas”.

Paulo César Limeres Brasileiro, de 39 anos, da academia Estrela do Oriente, Unidade Celp, no Bairro Santa Branca, em Belo Horizonte, fez uma luta casada com Alan, e pratica jiu-jítsu desde os 9 anos. “Só apanhava na escola. Cansado, meu pai procurou o esporte para me ajudar a me defender. Não larguei mais. O jiu-jítsu significa recomeço, é sempre um recomeço para mim. Ele também me ensinou a fazer amigos, socializar, o que é respeito e ser respeitado e ainda me deu heróis”. Paulo revelou que estava fora de forma, já que ultimamente só pensa em viver a chegada da caçula Liz, de 34 dias. E nada de treino. Ele também é pai de Eduardo, de 4 anos, que logo seguirá os passos do pai. Quanto ao evento, ela aplaude “pela organização coesa, lutas com tempos determinados, estrutura e público”.

Sonhos E no kickboxing, Mayra Santana, de 20 anos, da Gonçalves Team de Divinópolis, sonha em ser profissional. Com quatro anos de luta, participa de várias competições como Copa Brasil, Pan e Sul-Americano. “Desde os 9 anos faço artes marciais. Fiz capoeira e jiu-jítsu, mas adoro kickboxing e, quem sabe, não chego no MMA?”

Com mais de três mil pessoas no Mineirinho somente até o início da tarde, não só os atletas aprovaram o All Fights, mas o público também. Muitas famílias, crianças, casais de namorados e turmas de amigos se envolviam com todas as modalidades. Quem gostava do boxe, de repente, ia descobrir o sanda e logo já estava torcendo para o jiu-jítsu. Uma festa. Otaviano Santos, de 19 anos, estava acompanhado dos pais, Maria Aparecida e José Maria. Eles vieram de Pitangui torcer para o mestre José Mário da Silva, que ganhou duas lutas de jiu-jítsu. “Comecei a praticar há sete meses. Gosto porque não é tão agressiva, mas é efetiva. A arte marcial mostra que esporte é união, diferente do futebol, que anda tão violento. E melhor, não discrimina ninguém, é de integração e o que importa é a técnica”. E José Maria estava impressionada com as mulheres: “Tem muitas aqui que são perigosas!”, brincou.

inclusão O presidente da Federação de MMA de Minas Gerais, Ricardo Costa, enfatizou que o All Fights superou as expectativas. “O feedback do público, dos atletas, dos técnicos e líderes de cada modalidade foi sensacional. O caráter do evento é ser inclusivo por meio do esporte, trazer quem é do interior, famílias, enfim, deu certo e vamos fazer o segundo. Em anos de estrada, observo que o esporte salva vidas, melhora o caráter, revela atletas, dá oportunidade para descoberta de profissionais e, principalmente, forma cidadãos. Por isso, é fascinante”.

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