Coudet realizou bom trabalho no Inter, mas saiu após insatisfação com elenco (Foto: Divulgação/Internacional)

 
Clubes diferentes, situações parecidas? Em rota de colisão com a diretoria do Atlético, Eduardo Coudet repete o atrito que motivou a saída do Internacional, em 2020. 



 
Show Player
 

Na oportunidade, o treinador argentino deixou o Colorado na liderança do Campeonato Brasileiro e classificado para as oitavas de final da Libertadores e quartas da Copa do Brasil. A saída para o Celta de Vigo, da Espanha, foi motivada pela falta de reforços. 

Nessa quinta-feira (6/4), Coudet teve um discurso parecido em relação ao grupo do Atlético. Mesmo após lamentar as vendas recentes, ele garantiu que a situação no Inter não é a mesma vivida no clube mineiro. 

"No Inter era diferente daqui. Teve a pandemia e não tínhamos um real para gastar. No Brasil, depende do momento do time. Se fala do Inter, aproveitando o momento, nunca dei uma explicação ao torcedor, e é a primeira vez que vou falar sobre isso", iniciou.




"A realidade sobre a minha saída foi porque o presidente (Marcelo Medeiros) falou que só ia acompanhar a equipe, que não faria mais nada", completou o treinador, em entrevista após a derrota alvinegra por 1 a 0 para o Libertad, pela Copa Libertadores.

Coudet revelou que pediu à diretoria do time gaúcho novas contratações, o que foi negado diante da impossibilidade de investimento do Inter em meio a pandemia. 

"Eu só pedi dois reforços para brigar pelo título. Pedi para gastarem US$ 2 milhões. O presidente disse que não ia gastar. Eu não poderia pedir mais para os jogadores, porque era um grupo curto e estavam dando o que podiam. Creio que deixei um time treinado e que brigou até o final", afirmou.




O lado da diretoria do Inter


Atual presidente do Internacional e vice-presidente de futebol do clube durante a passagem de Coudet, Alessandro Barcellos ressaltou a postura exigente do treinador.

"O Coudet era um cara que tinha exigência de algumas coisas. Mas eu prefiro lidar, por incrível que pareça, com um treinador que dê trabalho, mas que exija, que queira mudanças, queira ganhar do que um treinador acomodado. O Coudet dava trabalho, mas trabalhava muito", disse, em entrevista ao jornalista Duda Garbi.

Diretor de futebol do Atlético, Rodrigo Caetano também trabalhou com o argentino no clube gaúcho. O dirigente explicou por que o treinador deixou Porto Alegre.




"Foi ali (na pandemia) que nós, no Internacional, se já não tínhamos muitas condições financeiras, elas inverteram a lógica. Teve época de redução salarial de todos os funcionários e atletas, e a gente não teve condições de atender o Coudet naquilo que havia sido proposto no início", afirmou.
 
O trabalho no Inter
 
Coudet treinou o Internacional ao longo de quase toda a temporada de 2020. Sua contratação foi oficializada no fim do ano anterior e ele chegou ao clube gaúcho com dois anos de contrato, assim como no Galo.
 
Dugout
 

Apesar dos ótimos números pelo Colorado, a parceria durou pouco. Em novembro de 2020, três meses antes do fim da Série A (estendida devido à pandemia de COVID-19), ele recebeu uma proposta para assumir o Celta. 




Diante da oportunidade de trabalhar no futebol europeu pela primeira vez, Coudet rescindiu com o Inter de forma amigável. Ao todo, foram 46 jogos, 24 vitórias, 13 empates e nove derrotas na primeira passagem do técnico pelo Brasil. Seu aproveitamento foi de 61,5%.

Posteriormente, sob o comando de Abel Braga, a equipe manteve o bom desempenho, mas não conseguiu avançar no torneio continental e perdeu o título nacional por um ponto para o Flamengo.

Atritos no Atlético


Coudet evitou comparar as situações, mesmo após críticas ao elenco curto do Atlético durante boa parte da entrevista coletiva nessa quinta-feira. Além disso, o técnico lamentou as vendas recentes de Ademir e Sasha, disse que esta não foi a situação prometida pelos 'investidores' e cogitou a saída do clube.



 
 

"Não é pela saída de jogadores, é porque isso nunca aconteceu comigo. Nunca os próprios torcedores do meu time tinham jogado copos de cerveja em mim; nunca tinham cantado. Não sei que percentual de pontos temos, mas seguramente mais de 70%", disse.

"É loucura, gente. Isso que aconteceu comigo hoje eu nunca vivi. Muito menos nessa situação. Passei por situações difíceis como jogador e treinador, mas viver esta situação com o presente...", completou. 

As fortes declarações de Coudet movimentaram os bastidores do clube. Nesta sexta-feira, o presidente do clube, Sérgio Coelho, se reunirá com o argentino para tentar uma espécie de conciliação