Bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro, ídolo Fábio pode amargar a terceira Série B na carreira em 2022 (Foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press )

O Cruzeiro segue com sua rotina de fracassos na Série B. A derrota para o Remo (1 a 3), no Estádio Independência, foi apenas o mais recente capítulo da triste saga celeste na competição nacional. Nas 70 rodadas que disputou entre a edição de 2020 e a deste ano, o Cruzeiro é o único campeão brasileiro na era dos pontos corridos que nunca brigou para voltar à divisão de elite. O torcedor celeste só teve emoção quando viu sua equipe lutar contra o rebaixamento para a Série C. 




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A Série B passou a ser disputada no formato atual em 2006. Desde então, 12 campeões brasileiros passaram pelo torneio: Atlético, Coritiba, Guarani, Sport, Bahia, Corinthians, Vasco, Athletico-PR, Palmeiras, Botafogo, Inter e Cruzeiro. 

Deste grupo, somente o Cruzeiro, último a entrar para a lista, não conseguiu voltar para a Série A. E pior: a Raposa nunca entrou no G4 e sequer brigou por uma vaga no grupo de acesso, passando longe dos quatro primeiros colocados.   



E nas 70 rodadas disputadas até aqui, o Cruzeiro só ficou no top 10 em duas oportunidades. O "feito" aconteceu nas 29ª e 30ª rodadas da edição de 2020. Na época, o clube mineiro figurou em 10º lugar em ambas, com dois empates seguidos por 1 a 1: CSA, no Mineirão; e Avaí, na Ressacada.  

Todos os outros 11 campeões brasileiros da Série A, com passagem pela Série B, brigaram pela vaga e até conseguiram o acesso em algum momento. Atlético (2006), Coritiba (2007), Corinthians (2008), Vasco (2009), Palmeiras (2013) e Botafogo (2015) levantaram a taça. 

O número de campões brasileiros na Série B em 2021 é, inclusive, recorde. São cinco ao todo. Coritiba e Botafogo estão no G4 e quase garantidos na Série A, Guarani corre por fora por uma vaga, enquanto Vasco precisa de um milagre, e o Cruzeiro, de novo, começa a se preocupar com o rebaixamento. A distância da Raposa para o G4 é de 14 pontos e, para o Z4 é de sete, mas pode cair para quatro ao fim da rodada.  

Luta contra a Série C

Sendo mero coadjuvante quando se trata de brigar por algo grande na Série B, o Cruzeiro só deu emoção ao seu torcedor na luta contra o rebaixamento. 




Na edição 2020, o pesadelo só teve fim na 36ª rodada. A Raposa venceu o Operário-PR, por 2 a 1, no Horto, e escapou da queda.  O treinador era Luiz Felipe Scolari. Contratado justamente para evitar a tragédia, Felipão levou o Cruzeiro ao 11º lugar, com 49 pontos, 12 a menos do que o Cuiabá, quarto colocado que conseguiu o acesso.   

Na Série B deste ano, o Cruzeiro foi até lanterna ao término da segunda rodada.  As derrotas para Confiança-SE (3 x 1), no Estádio Batistão, e CRB (3 x 4), no Mineirão, levaram o time mineiro a sua pior classificação em toda a história. 



Esse filme assustador para a torcida ganhou novo roteiro com a chegada de Vanderlei Luxemburgo. Apesar de não conseguir levar o time a brigar por um lugar no G4, o técnico afastou consideravelmente as chances de queda para a Série C. Neste momento, segundo o Departamento de Matemática da UFMG, a probabilidade de a Raposa cair é de somente 6,4%. 

Em 2020, o Cruzeiro também foi lanterna, mas graças a uma situação peculiar. O clube iniciou a Série B já em último mesmo com a vitória sobre o Botafogo-SP (2 x 1), no Mineirão. Isso aconteceu devido à punição de perda de seis pontos imposta pela Fifa pelo não pagamento de empréstimo do volante Denílson, na temporada de 2016. O jogador atuou apenas cinco vezes com a camisa azul. 



 
Na segunda rodada, a vitória sobre o Guarani (2 x 3), no Estádio Brinco de Ouro, fez com que a Raposa deixasse a lanterna.   

O Cruzeiro agora tenta, no mínimo, se afastar de vez do fantasma da Série C para terminar a Serie B 2021 de forma honrosa. A próxima partida, válida pela 33ª rodada, será contra o Vila Nova-GO na segunda-feira (1), às 19h, no Independência. A Raposa tem 39 pontos e ocupa a 14ª colocação, enquanto o Tigrão, com 42, está em 10º lugar.