Cruzeiro aposta no mercado de NFTs para impulsionar receitas (Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)


Em busca de novas formas de receita, o Cruzeiro prepara a entrada do universo de NFT, que significa non-fungible token - ou, em português, “token não fungível”. Previsto para ser lançado em dezembro, o Cruzeiro Fan Token (CRZ) oferecerá ao torcedor a possibilidade de participar de decisões do cotidiano do clube, colaborar financeiramente e receber recompensas exclusivas. A expectativa é que a comercialização do produto gere faturamento de até R$20 milhões.




Na prática, a NFT é um tipo de chave eletrônica criptográfica usada de forma única, definindo originalidade e exclusividade. É algo individual e específico, que não pode ser substituído. Por exemplo: uma obra de arte digital, um card em um game, uma foto, um vídeo, uma música, e, acredite, até um meme de internet! Ainda que cópias sejam elaboradas, a tecnologia blockchain atesta a autenticidade da propriedade.

No caso do Cruzeiro, a ideia é oferecer diversas experiências ao torcedor, como escolher a música do estádio e o design do ônibus, participar do mecanismo de solidariedade na negociação de atletas, entre outras decisões mais estratégicas. Segundo o clube, a novidade atenderá as diferentes classes sociais e o público poderá acessar os serviços integrados e ainda concorrer a produtos oficiais.

“O Cruzeiro foi procurado por todas as empresas líderes deste mercado que é o mais aquecido no mundo no momento. Só que o modelo que o Cruzeiro se propôs a participar desde o início da gestão foi focado 100% em inovação e com o torcedor no centro de tudo. Escolher esta personalização com estrutura única é a maior prova da conexão entre clube e sua torcida”, afirmou o presidente Sérgio Santos Rodrigues.




“Vamos ter uma plataforma própria para aproximar ainda mais o torcedor ao programa de sócios, onde todos terão possibilidades diferentes do que outros torcedores quando o assunto é fan token. Ter a oportunidade de poder escolher um projeto que, ao mesmo tempo, seja financeiramente bom para o clube e também o melhor produto para o torcedor, é uma oportunidade muito boa”, complementou.

O diretor de marketing Rodrigo Moreira ressaltou que o Cruzeiro procurou se “afastar do modelo tradicional sem muitos benefícios” para criar um formato exclusivo para a sua torcida. “Neste novo modelo, o Cruzeiro não está amarrado a nenhuma limitação e aos poucos a gente espera que o fan token substitua o programa de sócio torcedor. Além disso, esperamos que o torcedor possa ter o retorno de seu investimento”.

Outra opção de aderir ao Cruzeiro Fan Token é ser um investidor da plataforma, que ficará sob a administração da FAARO, especializada em gerenciamento de bens. “O Cruzeiro Fan Token (CRZ) trará uma mudança estrutural para ajudar o clube a gerar novos negócios com mais transparência e sustentabilidade a longo prazo”, explica o fundador da empresa, Alisson Mendonça.




“O Token da Nação Azul é um serviço 360 que vai agregar diversos elementos comuns ao amante de futebol, mas mais do que isso, será a oportunidade de aproximação com o clube por meio de uma plataforma integrada com infinitas possibilidades”, conta Lucas Cardeal, CEO da Lunes, empresa de blockchain e parceira da FAARO no Cruzeiro Fan Token (CRZ).

O início do Cruzeiro Fan Token será marcado pela venda de artes comemorativas em NFT de dois jogadores com os nomes gravados na história do clube: Rafael Sobis, que anunciou o fim da carreira, e Ariel Cabral, cujo contrato não será renovado para 2022.

Mercado de NFT

O mercado de NFTs já começou a ser explorado pelos clubes de futebol no Brasil. Em parceria com a corretora de criptomoedas Binance, o Vasco colocou cinco obras digitais à venda em homenagem ao Dia da Consciência Negra, comemorado no último dia 20 de novembro.




Já o Atlético vendeu o card do lateral-esquerdo Guilherme Arana por R$89 mil e leiloou por R$26 mil a arte da defesa de pênalti do goleiro Victor nas quartas de final da Copa Libertadores de 2013, contra o Tijuana, do México, no Independência.

Em outubro de 2021, o game de futebol Sorare fechou parceria com a LaLiga, primeira divisão da Espanha, criando novos fluxos de receita para os clubes do campeonato por meio de uma nova categoria de licenças.

Fora do mundo da bola, imagens de internet se transformaram em NFTs e movimentaram grande quantia de dinheiro. O meme “Doge”, que mostra uma cadela da raça Shiba Inu com uma expressão de preocupação, foi arrematado por US$4 milhões (R$22 milhões) em junho de 2021.

Dois meses antes, a imagem da garota Zoe Roth sorrindo em frente a um incêndio controlado no ano de 2005, nos Estados Unidos, custou US$473 mil (mais de R$2,5 milhões) ao comprador.