As negociações para a contratação de Edu e a compra de Vitor Leque foram conduzidas por Alexandre Mattos, que não vai mais assumir o cargo de diretor de futebol do Cruzeiro em 2022 (Foto: Divulgação/Cruzeiro)


Em um cenário de interrogações após a entrada de Ronaldo como acionista majoritário da Sociedade Anônima do Futebol, o Cruzeiro efetuou o pagamento pela compra dos direitos econômicos de dois jogadores. O clube desembolsou R$ 600 mil pelo atacante Edu, do Brusque, além de R$ 350 mil referentes à primeira parcela da aquisição de 50% do passe de Vitor Leque, do Atlético-GO, em um negócio fechado em R$ 700 mil.


As duas negociações foram conduzidas por Alexandre Mattos, que estava apalavrado com o presidente Sérgio Santos Rodrigues para ser o diretor de futebol do Cruzeiro até dezembro de 2023. No entanto, com o anúncio de Ronaldo como investidor, o executivo foi informado de que não assumiria a pasta em 2022. O favorito ao cargo é Alexandre Pássaro, de 32 anos, ex-São Paulo e Vasco.


Vitor Leque, de 20 anos, assumiu a titularidade no returno da Série B e arrancou elogios dos torcedores celestes com um estilo de jogo de velocidade e movimentação. Em 10 jogos, marcou dois gols e deu três assistências. Já Edu, de 28, terminou a Segunda Divisão como artilheiro, com 17 gols em 33 partidas pelo Brusque, depois de se recuperar de grave lesão no joelho direito que o afastou dos gramados por quase 10 meses.

O Cruzeiro também contratou o goleiro Jaílson (ex-Palmeiras), o lateral-direito Pará (ex-Santos), os zagueiros Maicon (ex-Al-Nassr, da Arábia Saudita) e Sidnei (ex-Betis, da Espanha), e os meio-campistas Filipe Machado (ex-Grêmio), Pedro Castro (ex-Botafogo), Fernando Neto (ex-Vitória) e João Paulo (ex-Atlético-GO). Todos assinaram com o clube antes da venda das ações da SAF a Ronaldo.




Os vínculos podem ser revistos pela empresa de Ronaldo, que, segundo a ESPN, pretende reduzir em dois terços a folha salarial atual do Cruzeiro. Ou seja, é possível que a SAF proponha aos reforços um vencimento inferior ao que foi acertado inicialmente. O grupo pretende apresentar comunicados semanais a torcedores e imprensa para explicar que o corte inicial será fundamental no investimento milionário em médio prazo.

Nesta terça-feira, o Cruzeiro anunciou a saída do técnico Vanderlei Luxemburgo e informou que outros profissionais do departamento de futebol poderão ser desligados. “Desde a instauração de auditoria interna, o Comitê de Transição analisa todas as operações, procedimentos e contratos vigentes a fim de desenvolver uma gestão eficiente da SAF Cruzeiro. Para adequar as contas à realidade orçamentária do clube, a diretoria foi orientada a não renovar com a atual comissão técnica”, manifestou-se o clube em nota.

 

Independentemente da decisão de manter os reforços anunciados ou buscar outros jogadores, o Cruzeiro terá de pagar mais de R$ 20 milhões para encerrar o transfer ban na Fifa. O clube deve a Defensor, do Uruguai, e Mazatlán, do México (antigo Monarcas Morelia), pelas aquisições de Arrascaeta e Riascos, em 2015. Outro problema a ser solucionado nos próximos meses é o do meia Rodriguinho, atualmente no Bahia e que defendeu a Raposa em 2019. De acordo com Sérgio Rodrigues, a pendência com o Pyramids, do Egito, é de cerca de R$ 30 milhões.




Enquanto o comitê de transição liderado por Paulo André e Gabriel Lima - ambos dirigentes do Real Valladolid, da Espanha, outro clube de Ronaldo - faz uma espécie de "pente fino" na administração do Cruzeiro pelos próximos quatro meses, o time se prepara para o início da pré-temporada, em 4 de janeiro, visando à estreia no Campeonato Mineiro, no dia 26, contra a URT, no Mineirão. A Raposa ainda disputará a Copa do Brasil e a Série B, na qual tentará o retorno à elite do Campeonato Brasileiro.

Ronaldo adquiriu 90% da Sociedade Anônima do Futebol do Cruzeiro por um investimento de R$ 400 milhões nos próximos anos. Sua empresa terá de gerar receitas para que a dívida da associação civil, calculada atualmente em R$ 1 bilhão, seja paga em 10 anos. A obrigação é repassar 20% das receitas mensais do futebol, além de 50% de um eventual lucro.