Tinga acredita que 'pancadaria' em 2013 marcou arrancada para bicampeonato brasileiro do Cruzeiro (Foto: Rodrigo Clemente/EM/D.A Press)


O ex-volante Tinga relatou problemas de convivência entre o elenco do Cruzeiro bicampeão brasileiro em 2013 e 2014. Em participação no podcast do ex-atacante e comentarista Denílson, nessa terça-feira (16/2), o gaúcho contou que precisou usar a experiência em situações conflituosas para auxiliar o então diretor de futebol do clube, Alexandre Mattos, no trato com os jogadores. No entanto, a animosidade entre o grupo gerou uma 'pancadaria' em plena sala da diretoria celeste, segundo Tinga. 




"O Cruzeiro foi o clube que eu menos joguei e o que eu mais trabalhei. Alexandre Mattos era um cara com pouca experiência, tinha acabado de sair do América, e o Cruzeiro tinha caras consagrados, que ganharam Brasileiro, Libertadores... Pô, Júlio Baptista, Dagoberto, Everton Ribeiro, Goulart... Alexandre, do jeito que ele trabalha, com um monte de jogador, e nisso larga no treinador 25 jogadores. No coletivo, se sobrassem três, já era pancadaria. Ali, eu comecei, como o mais velho do time e por não estar jogando, a me posicionar para deixar a coisa... Eu não era o faixa, mas o Alexandre me chamava na sala e eu falava 'pô, vamos fazer assim, deixa comigo, isso aqui é assim'. Eu comecei na gestão ainda jogando", iniciou. 

"Nosso grupo ganhou dois Brasileiros, mas teve muitos problemas. Não foi nem no vestiário, na sala da diretoria teve porradaria entre os jogadores. Quando coloca 20 jogadores que são bem posicionados no futebol, a gente sabe que, até a pré-temporada, está tudo legal. Depois que separa os coletes, pai, é outra coisa", 

Segundo Tinga, um problema de logística para a viagem de volta a Belo Horizonte após uma partida em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro de 2013, foi o motivo da confusão na sala da diretoria celeste. O ex-camisa 7, porém, ressaltou que o episódio serviu para fechar o grupo e determinou os rumos da campanha do bicampeonato brasileiro. 

"A gente tinha um problema de logística. A gente viajava muito mal. Por exemplo, a gente dava uma volta ao mundo para chegar a Porto Alegre. Não tinham voos diretos. Eles tinham como tradição pegar voos mais baratos, aí eu falei com o Alexandre que daria problema, que o nosso time era chato, que estava acostumado a viajar. Em um jogo em Porto Alegre, eu não fui jogar, estava machucado, e eu já tinha agência de turismo. Acabou o jogo à noite, a viagem de volta era no outro dia às 17h. Mas tinha outro voo às 6h da manhã direto. Acabou o jogo e os caras começaram a me ligar querendo vir embora direto. Quando eu vi, tinham nove caras querendo pegar o voo direto. Resumindo, 12 cabeças pegaram o voo e vieram embora", revelou, citando o estopim para a briga. 




"No outro dia teve uma discussão com quem não veio e os caras começaram a se agarrar ali. E foi ali que a gente começou a ganhar. Não é o ideal. Eu sempre digo que ganhei com times que se dava bem e com times que não se davam. Nunca ganhei com meia-boca. Aconteceram os problemas, e o Alexandre ficou apavorado, pois nunca tinha visto aquilo. Ele me chamou na sala, apavorado, e eu falei para ele ter calma, que nós tínhamos ganhado o campeonato agora, mesmo estando em quarto lugar. O nosso time era muito bom. A gente só tinha que ajeitar as coisas. Descemos para treinar, com clima ruim para caramba entre quem veio ou não veio na viagem, confusão... Passaram um, dois dias, na resenha, comecei a encostar nos caras e falar que a gente precisava se dar bem. Não era hora de fulano abraçar fulano, mas a gente tinha que se dar bem, pois a gente ficava ali mais tempo que com a nossa família. Falei que eu já ganhava com time que se dá e com time que não se dá, mas que, se a torcida ficasse sabendo, ia dar uma merda do caramba. Então, vamos resolver aqui e se fechar. E o grupo se fechou. Nós temos uma amizade do caramba", concluiu. 

Elenco bicampeão brasileiro 


Comandado pelo técnico Marcelo Oliveira, o Cruzeiro foi bicampeão brasileiro em 2013 e 2014. Na primeira conquista, o time celeste terminou com 76 pontos, nove a mais que o Grêmio, segundo colocado. No ano seguinte, que marcou o quarto título nacional do clube, a Raposa fez 80 pontos, dez à frente do vice, São Paulo. Além de Tinha, o elenco tinha nomes como Fábio, Ceará, Dedé, Egídio, Henrique, Nilton, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Dagoberto, Júlio Baptista, Borges e Willian.  Jovens como Lucas Silva, Mayke e Alisson também tiveram espaço nos dois anos vitoriosos. 

Tinga no Cruzeiro

 
Tinga chegou ao Cruzeiro em 2012. Com boas passagens por Borussia Dortmund e Internacional, onde foi bicampeão da Copa Libertadores, o veterano chegava à Toca da Raposa em um momento de transição do clube, que estava no início da gestão do presidente Gilvan de Pinho Tavares.



 Em 2013 e 2014, o volante contribuiu com sua experiência e foi um dos líderes do elenco cruzeirense vencedor de duas edições consecutivas do Brasileirão. Aquele time, considerado um dos maiores da história do Cruzeiro, bateu recordes e encantou o Brasil com seu futebol. 

Após o bicampeonato brasileiro, Tinga permaneceu no Cruzeiro até 2015, quando anunciou sua aposentadoria do futebol. Em dezembro de 2016, retornou ao clube no cargo de gerente de futebol. Ele permaneceu como executivo da Raposa até o fim de 2017. Neste período conquistou a Copa do Brasil de 2017, seu primeiro troféu como dirigente.