Vendido ao Barcelona em 2001, Geovanni foi o herói do Cruzeiro no título da Copa do Brasil um ano antes (Foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)


Em entrevista ao podcast do ex-atacante Rafael Sobis, nessa quarta-feira (2), o empresário Jorge Machado contou os bastidores da venda de Geovanni, do Cruzeiro, para o Barcelona, em 2001. O agente considerou que a transação foi a melhor da sua carreira e relembrou a conversa que teve com o então presidente celeste, Zezé Perrella, para fechar a transferência em US$ 18 milhões (cerca de R$ 36 milhões, na cotação da época). 





De acordo com Jorge Machado, o Barcelona optou por Geovanni devido às dificuldades para as contratações de Javier Saviola e Juan Román Riquelme,  jóias de River Plate e Boca Juniors. Na ocasião, o Barça havia acabado de levar o volante Fábio Rochemback, do Internacional, por US$ 12 milhões. Os catalães ainda dispunham de U$ 32 milhões no orçamento para investir na dupla argentina. 

No caso de Geovanni, o valor pedido inicialmente pelo Cruzeiro era de US$ 12 milhões. Jorge Machado acreditava que a intenção do clube mineiro era fechar o negócio em até US$ 8 milhões. O empresário gaúcho, no entanto, apostou em números mais altos para concretizar a transferência.  

"O melhor negócio foi a venda do Geovanni para o Barcelona. Eu vendi o Fábio Rochemback com 17 anos. Estou em Barcelona entregando o Fábio junto com o Fernando Miranda, presidente do Inter na época. Ouvi a diretoria do Barcelona tentando levar o Riquelme e o Saviola. Faltavam quatro dias para fechar a janela", iniciou Jorge Machado, na  entrevista ao podcast Foi Lá e Fez, apresentado por Sobis. 

"O treinador (do Barcelona) que veio assistir ao Fábio Rochemback, assistiu ao Geovanni, que jogava no Cruzeiro na época. Nós vimos o jogo, e ele era o artilheiro do campeonato. Eu vi que furou (o negócio por Saviola e Riquelme), mas estou com meu ouvido lá. Aprendi que, no futebol, você tem que sempre jogar seu ouvido numa conversa. Ouvi que eles não estavam conseguindo liberar, e eles estavam com 32 milhões para contratar esses jogadores", prosseguiu o relato. 




"Daqui a pouco, um lá deu uma baforada no charuto, me chamou e disse que queria o Geovanni. 'Geovanni do Cruzeiro, o que passa?' Eu disse: 'não sei, vamos ver'. Ligaram para o treinador do Barcelona, que era o Carles Rexach, que tinha gostado do Geovanni, mas eles queriam o Saviola e o Riquelme. Liguei para o presidente do Cruzeiro, o Zezé Perrella, que era meu amigo, e falei que estava com a diretoria do Barcelona e eles queriam saber o valor do Geovanni. Zezé falou: '12 milhões de dólares'. Eu falei: 'não, 22 eles não pagam'. 'Tá surdo, Machado? 12 milhões de dólares', respondeu o Zezé. Eu repeti: '22 eles não pagam'. O presidente do Barcelona sinalizou assim: 'eu pago 18'", detalhou. 

"O Zezé disse: 'tu é surdo, Machado? 'Não, tu que é burro', respondi. Eu falei que eles não pagam 22 milhões de dólares, eles pagam 18. Eu passei o telefone para o Fernando Miranda, presidente do Inter, que confirmou (ao Zezé Perrella)", prosseguiu. 



Porcentagem da venda 


A oferta do Barcelona foi aceita prontamente pelo Cruzeiro após a especulação de Jorge Machado na conversa com Perrella. A negociação foi sacramentada após troca de documentos por fax entre os clube. 




"'Tu está de sacanagem, Machado? Por esse valor até eu vou junto', disse o Zezé.  A secretária bateu a proposta, o presidente do Barcelona assinou, eu corri na recepção do hotel, a menina passou o fax, que já voltou assinado. Foi a maior venda que eu fiz, não em números, mas encaixou tudo na hora certa, no momento certo. Em cinco minutos eu vendi ele, por 18 milhões", complementou. 

"Na hora de pagar minha comissão, o Zezé quis pagar 7%, aí nós brigamos. É 10%", encerrou Machado, que ficou com US$ 1,8 milhão pela intermediação no negócio.  

Passagem pelo Barça


Geovanni atuou pelo Barcelona por apenas duas temporadas. Foram apenas 17 jogos e três gols no período. Em 2003, ele foi negociado em definitivo com o Benfica, de Portugal. 

Geovanni foi apresentado no Camp Nou, estádio do Barcelona, em 2001 (Foto: AFP PHOTO/ANDREU DALMAU)



Geovanni no Cruzeiro


história de Geovanni no Cruzeiro ficou marcada pelo gol de falta nos acréscimos da final da Copa do Brasil de 2000, contra o São Paulo, no Mineirão. O atacante de 20 anos garantiu a vitória celeste, de virada, por 2 a 1, e se tornou o herói do terceiro título celeste no torneio nacional. 




Além do título da Copa do Brasil, Geovanni foi campeão mineiro pelo Cruzeiro (1997 e 1998), ganhou a Recopa Sul-Americana (1998), com dois gols na campanha vitoriosa, e levou a extinta Copa Sul-Minas (2001).

Após passagem por Barcelona e Benfica, ele retornou à Toca da Raposa em 2006. A segunda passagem no clube, no entanto, durou só um ano e foi apagada, com performances abaixo das que o transformaram em um dos ídolos da torcida. 

Revelado pelo Cruzeiro em 1997, Geovanni disputou 190 jogos e marcou 47 gols com a camisa celeste, nas duas passagens. Ele ainda atuou por Manchester City, Hull City, América, Vitória e Bragantino na sequência da carreira.