Rogério Caboclo foi afastado do comando da CBF, mas dirigentes querem renúncia (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)


Nesta quarta-feira, os presidentes das 27 federações estaduais enviaram uma carta a Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF, solicitando sua renúncia do cargo. Em resposta, Caboclo emitiu nota em que classifica o movimento de "golpe" e afirma que não vai renunciar ao cargo.


De acordo com o ge, o documento foi entregue a Caboclo após os presidentes das federações discordarem da sugestão de pena de 15 meses de suspensão do dirigente na CBF por parte da Comissão de Ética da entidade, na terça-feira.

A sugestão proposta pelo Comitê de Ética tem que ser aprovada pela Assembleia Geral da CBF, composta justamente pelas 27 federações. Como os 27 presidentes assinaram a carta que pede renúncia de Rogério Caboclo, a tendência é que a suspensão seja aceita.

No documento enviado ao presidente afastado da maior entidade do futebol brasileiro, os presidentes das federações estaduais afirmam, de forma "unânime e consensual", que "atos isolados não podem prejudicar a manutenção da estabilidade do esporte, dos milhares de empregos gerados e do seu papel na construção da cidadania em nosso país".




Os dirigentes ainda citam texto do Código de Ética e Conduta do Futebol Brasileiro: "Todos os segmentos do futebol devem estar comprometidos com o repúdio ao racismo, à xenofobia e a quaisquer outras formas de discriminação e intolerância social, política, sexual, religiosa e socioeconômica".

Caboclo está afastado do comando da entidade desde que foi acusado de assédio sexual e moral por parte de uma funcionária da CBF. A Comissão de Ética sugeriu a suspensão por "comportamento inapropriado".

Troca no comando


Também nesta quarta-feira, o vice-presidente Ednaldo Rodrigues Gomes assumiu interinamente a presidência da CBF. Em reunião do Conselho de Administração da entidade, os outros sete vice-presidentes abriram mão de seu direito disponível de ocupar o cargo em favor de Ednaldo, que passa a comandar a entidade no lugar de Antonio Carlos Nunes, interino desde o afastamento de Caboclo.



Nota de Rogério Caboclo

Rogério Caboclo emitiu nota sobre a carta, que chama de "golpe". Ele afirma que vem recebendo o "apoio de muitas federações" e disse que não vai renunciar ao cargo. Confira a nota na íntegra:

Em primeiro lugar, registro que a indicação para o ocupante interino do cargo de Presidente da CBF cabe exclusivamente ao presidente afastado, de acordo com a inequívoca redação do estatuto da entidade. 

O Conselho de Administração, extrapolando suas funções, indicou, nesta quarta-feira, o Vice-Presidente Ednaldo Rodrigues para esse cargo. 

Contudo, era exatamente esse mesmo Vice-Presidente que, na condição de presidente da CBF, indicaria para o cargo, por acreditar que ele, neste momento, irá conduzir a CBF com serenidade, evitando um golpe que mancharia a história da instituição. 




Registro minha surpresa ao receber, nesta data, carta dos representantes das federações, concitando minha renúncia. 

A surpresa decorre do fato de que tenho recebido o vivo apoio de muitas federações, que se manifestam de forma contrária ao golpe que se busca armar. 

De toda sorte, esclareço que não irei renunciar ao cargo, para o qual fui eleito com 96,4% dos votos. Ainda tenho muito a contribuir para a CBF.

Tenho convicção de que a legalidade será restabelecida. Com os fatos examinados de forma objetiva pela Assembleia da entidade, franqueando-se a liberdade de defesa, meu legítimo mandato será restituído.

Nenhuma instituição sobrevive à politicagem vil, aos golpes. A CBF tem que ser maior do que isso e respeitar as suas próprias regras.

Rogério Caboclo, presidente eleito da CBF