Ali Dia saiu do futebol amador para jogar por 53 minutos pelo Southampton na Premier League (Foto: Reprodução)


Hoje é dia de pregar uma peça nos amigos e familiares com um caso inusitado ou de veracidade duvidosa para depois dizer: “pegadinha de 1º de abril!”. Neste sábado de bola rolando pelos campeonatos estaduais, não poderíamos deixar de lembrar mentiras relacionadas ao futebol - daquele jogador que aumentou um ponto em seu conto ou de quem literalmente enganou pessoas para obter alguma vantagem. Na lista do Superesportes também constam "falácias" que ouvimos no mundo da bola.



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Impostor que jogou a Premier League


A história de Ali Dia talvez seja a mais marcante dos mentirosos do futebol. Estudante de economia na Inglaterra na década de 1990, o senegalês contou com a ajuda de um colega em um telefonema para cavar uma vaga no Southampton, na Premier League 1996/1997.

À época, o amigo de Dia se passou pelo então atacante do Milan, George Weah, melhor jogador do mundo em 1995. Ele ligou para Graeme Souness, treinador do Southampton, e pediu uma chance ao “primo”, que estava “atuando na segunda divisão alemã”.



Ali Dia não só conseguiu uma vaga no Southampton como (pasmem!) atuou por 53 minutos em uma partida contra o Leeds, em 23 de novembro de 1996, pela 14ª rodada do Campeonato Inglês.



Acionado no lugar de Matt Le Tissier, uma das lendas do clube, o senegalês quase fez um gol no fim do primeiro tempo ao bater de chapa para boa defesa de Nigel Martyn.

Apesar do lance de perigo, a participação geral do atacante foi considerada desastrosa. Para piorar, o Southampton perdeu para o Leeds por 2 a 0 e decepcionou sua torcida. Dias depois, o impostor deixou de dar as caras nos treinos.

No fim das contas, descobriu-se que Ali Dia era um jogador de futebol de fim de semana com passagem por clubes amadores da França, Finlândia, Alemanha e Inglaterra.

“Revelado no América ao lado de Fred”


Em 2012, o “jogador” Rodrigo Souza contou sua “trajetória” no futebol a uma emissora de TV do Paraná. Disse ter sido revelado no América ao lado de Fred, Wagner e Fahel. Contou de uma negociação com o Feyenoord, da Holanda, e as dificuldades de adaptação ao idioma, clima e à cultura daquele país. Citou passagens por Santos, Athletico-PR - onde teria trabalhado com o alemão Lothar Matthaus -, Anderlecht (Bélgica), Botafogo, Palmeiras e Vasco - com direito a título da Copa do Brasil e vice do Brasileiro em 2011.

Rodrigo falou por mais de três minutos, sendo interrompido poucas vezes. Até que um dos entrevistadores perguntou: “você faz 40 anos quando?”, em alusão ao vasto currículo. Para a surpresa dos participantes do programa, o impostor respondeu que tinha 25.





As contradições não passaram despercebidas. Apesar de terem jogado juntos no profissional do América, Fred, Wagner e Fahel têm idades diferentes - o centroavante nasceu em 1983, o meia em 1985 e o volante em 1981. E Rodrigo, supostamente com 25 anos em 2012, seria de 1986 ou 1987.

No currículo de Rodrigo Veríssimo de Souza Mello, conhecido como Gasparzinho, constam processos por estelionato e falsidade ideológica. O jogador fake aplicava golpes em estabelecimentos comerciais e pessoas físicas - seja por dinheiro, serviços ou produtos.

“Ex-jogador do Shakhtar”


A “inspiração” para Rodrigo Souza pode ter vindo de Denis Vieri, mineiro de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em 2010, ele concedeu entrevista a um canal de TV da cidade para falar de um projeto social de destinação de cestas básicas.




Em um bloco do programa de esportes, Denis contou detalhes de sua (inexistente) experiência no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, e lamentou a perda de um título para o Dínamo de Kiev, onde atuava o então atacante Guilherme, ex-Cruzeiro, Atlético e América.



O curioso é que oito anos depois, em 2018, a lorota de Vieri motivou o seu acerto com o Força e Luz, time da primeira divisão do estadual do Rio Grande do Norte.

Ele chegou a dar entrevista ao portal ge.globo, que, desconfiado dos relatos, pesquisou a “carreira” do rapaz e descobriu a tentativa de se passar pelo lateral Dênis - este sim atleta profissional -, ex-Ponte Preta, Ipatinga, Santos, Corinthians e Bahia.




"Forest Gump" do futebol brasileiro


Diferentemente dos dois casos anteriores, Carlos Kaiser treinou em times profissionais, como Flamengo, Botafogo, Fluminense e Bangu, porém dava “migué” para ficar no departamento médico. A aparência boa-pinta, o porte atlético e a amizade com boleiros da época lhe ajudaram a enganar dirigentes e a compensar a falta de intimidade com a bola.

Apesar de ex-jogadores como Ricardo Rocha, Renato Gaúcho e Bebeto confirmarem alguns episódios, o “Forest Gump” brasileiro exagera em determinadas narrativas, como a de que foi campeão mundial pelo Independiente, da Argentina, em 1984 (desmentido pelo clube); e uma briga com torcedores do Bangu em um jogo contra o Coritiba, em 1986 (os detalhes citados por Kaiser não se conectam com nenhum evento da época).


Fumou cigarro com Zidane?


Até mesmo jogadores de verdade aumentam as histórias que contam. É o caso de Carlos Alberto, meia com sólida trajetória por Vasco, Corinthians e Fluminense e que atuou na Europa no Porto, de Portugal, e no Werder Bremen, da Alemanha. Recentemente, viralizou uma entrevista dele sobre o suposto dia em que fumou com o francês Zinedine Zidane.




“A gente ia jogar contra o Real Madrid e o Mourinho falou assim: 'Vou te dar uma missão, você vai pegar o Zidane'. Eu respondi: 'Mestre, ali não tem como pegar não'. No doping, ele [Zidane] fala português fluente. Os caras pediram licor, champanhe. Daqui a pouco, ele acendeu um cigarro: 'E aí, miúdo, queres um trago?'. Falei que sim, por favor”.


“Sabe onde fiquei emocionado? Falei: 'Chefe, tem como me dar a camisa?'. Ele respondeu: 'Vou te dar a camisa e vou falar mais: nunca vi um moleque fazer o que você fez comigo, você não me respeitou'. Me deu. Tem outras coisas que considero um troféu, mas essa parada no futebol me marcou muito. Um jogador como ele reconhecer o que fiz naquele jogo”.

Carlos Alberto contou essa história ao podcast Mundo GV, em fevereiro de 2023. Como a internet não deixa nada passar batido, deu-se início a uma busca por evidências. E a conclusão é que tudo não passou de invenção.



O brasileiro até enfrentou o Real Madrid, mas em 2007, pelo Werder Bremen, da Alemanha.  Os três minutos em campo não foram suficientes para encontrar Zidane, que pendurou as chuteiras em 2006, depois da final da Copa do Mundo entre França e Itália.

“Joguei mais que o Messi”


É verdade que não se trata especificamente de mentira, e sim opinião. Só que Edilson Capetinha exagerou ao falar que, na fase boa, jogou mais que o argentino Lionel Messi. O comentário foi feito no programa Donos da Bola, da Band, em maio de 2020.

Instigado pelo apresentador Neto, Edilson elencou razões para defender a tese de superioridade sobre Messi. Sobrou inclusive para Renato Gaúcho, que em dezembro de 2017 havia se autodeclarado melhor que Cristiano Ronaldo.





Enquanto Neto, em tom debochado, seguia provocando Edilson, o ex-goleiro e comentarista Velloso, às gargalhadas, dizia: “O quê? Ah, não, para Edilson. O Messi não”.

O Capetinha foi craque com seus dribles, gols e assistências, porém Velloso tem razão nessa. Mais que o Messi não, Edilson!

Em outro programa de esportes da Band, Milton Neves, Renata Fan, Denílson e Ronaldo Giovanelli zoaram a comparação do próprio Edilson ao ex-camisa 10 do Barcelona.

Mil gols de Túlio


Túlio Maravilha diz ter feito o milésimo gol da carreira na vitória do Araxá sobre o Mamoré, por 2 a 1, pelo Módulo II do Campeonato Mineiro de 2014. À época, o ídolo de Goiás e Botafogo estava com 44 anos de idade.





O gol 1.000 de Túlio valeu mais pelo folclore do que por de fato atingir a icônica marca. Sites de estatísticas de futebol indicam um número muito distante, como no Futebol 80, gerido pelo jornalista Chico Nepomuceno.

O Futebol 80 listou todos os gols de Túlio de 1988 a 2019 e chegou ao número de 695 por 38 clubes/combinados/seleções.

Mais da metade dos gols de Túlio foram por Botafogo (159), Vila Nova-GO (98) e Goiás (95).

Brasil vendeu a Copa de 1998


“Se soubessem o que aconteceu, ficariam enojados”. Quem já passou dos 30 anos de idade certamente se lembrará da famigerada “fake news” que correu o Brasil em 1998 depois da perda da final da Copa do Mundo para a França, por 3 a 0.



O textão com os detalhes da negociação (leia a íntegra no fim do tópico) é assinado por “Gunther Schweitzer, da Central Globo de Jornalismo”. O repórter investigativo, obviamente, nunca existiu. E a corrente foi repetida para outros eventos (tendo apenas nomes de personagens alterados), como a Copa Libertadores de 2012, vencida pelo Corinthians; a Copa do Mundo de 2014, na qual o Brasil caiu na semifinal ao perder por 7 a 1 para a Alemanha; e a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) na eleição para presidente da República em 2022.



Leia a corrente (fake) na íntegra

COPA 1998 - DIVULGADO O ESCÂNDALO QUE TODO MUNDO SUSPEITAVA!

Talvez, isso explique a razão do jogador Leonardo ter declarado a seguinte frase:
"Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas".

Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por terem perdido a Copa do Mundo de futebol, na França. Não deveriam.

O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente Wall Street Journal of America e o Gazzeta dello Sport e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos.




Fato comprovado:

O Brasil VENDEU a Copa do Mundo para a Fifa. Os jogadores titulares brasileiros foram avisados, às 13:00 do dia 12 de julho (dia do jogo final), em uma reunião envolvendo o Sr. Ricardo Teixeira (na única vez que o presidente da CBF compareceu a uma preleção da seleção), o técnico Mário Zagallo, o Sr. Américo Faria, supervisor da seleção, e o Sr. Ronald Rhovald, representante da patrocinadora Nike. Os jogadores reservas permaneceram em isolamento, em seus quartos ou no lobby do hotel. A princípio muito contrariados, os jogadores se recusaram a trocar o pentacampeonato mundial por sediar a Copa do Mundo.

A aceitação veio através do pagamento total dos prêmios, US$70.000,00 para cada jogador, mais um bônus de US$ 400.000,00 para todos os jogadores e integrantes da comissão, num total de US$ 23.000.000,00 vinte e três milhões de dólares) através da empresa Nike.

Além disso, os jogadores que aceitarem o contrato com a empresa Nike nos próximos quatro anos terão as mesmas bases de prêmios que os jogadores de elite da empresa, como o próprio Ronaldo, Raul da Espanha, Batistuta da Argentina e Roberto Carlos, também do Brasil.




Mesmo assim, Ronaldo se recusou a jogar, o que obrigou o técnico Zagallo a escalar o jogador Edmundo, dizendo que Ronaldo estava com problemas no joelho esquerdo (em primeira notícia divulgada às 13h30 no centro de imprensa) e, logo depois, às 14h15, alterando o prognóstico para problemas estomacais).

A sua situação só foi resolvida após o representante da Nike ameaçar retirar seu patrocínio vitalício ao jogador, avaliado em mais de US$90.000.000,00 (noventa milhões de dólares) ao longo da sua carreira.

Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado durante a prorrogação, porém a apatia que se abateu sobre os jogadores titulares fez com que a França, que absolutamente não participou desta negociação, marcasse, em duas falhas simples do time brasileiro, os primeiros gols.




O Sr. Joseph Blatter, novo presidente da Fifa, cidadão franco-suíço, aplaudiu a colaboração da equipe brasileira, uma vez que o campeonato mundial trouxe equilíbrio à França num momento das mais altas taxas de desemprego jamais registradas naquele país, que serão agravadas pela recente introdução do euro (moeda única europeia) e o mercado comum europeu (ECC).

Garantiu, também, ao Sr. Ricardo Teixeira, através de seu tio, João Havelange, que o Brasil teria seu caminho facilitado para o pentacampeonato de 2002.

Por gentileza passem esta mensagem para o maior número possível de pessoas, para que todos possam conhecer a sujeira que ronda o futebol! Desde, já agradeço. Um abraço.




Gunther Schweitzer
Central Globo de Jornalismo

10 falácias que ouvimos no futebol


"Sonho de criança"


Frase dita por jogadores nas entrevistas de apresentação em clubes de médio ou grande porte.

"Não estamos preocupados com dinheiro"


Quando surge a pergunta sobre vários meses de atrasos salariais

"Técnico não ganha jogo"


Mas perde! E deixa acumular quatro ou cinco derrotas seguidas para ver o que acontece….

"Confiamos no trabalho do professor"


Se o time cair de rendimento, já começam as justificativas.

"Melhor ambiente"


Basta um time vencer três ou quatro jogos seguidos para virar o “melhor ambiente” no qual o jogador trabalhou.




"É tudo com meu empresário"


Despiste sobre proposta de outros clubes.

"Só saio se for bom para mim e para o clube"


Nessa altura, a negociação provavelmente já está sacramentada.

"Time grande tem que pensar em título"


Nem sempre as circunstâncias serão favoráveis, e os torcedores realistas ficarão insatisfeitos com a resposta ilusória.

"Não tem nada ganho"


O discurso da humildade depois de o time abrir 3 a 0 no primeiro tempo ou em um jogo de ida em mata-mata.

"Deixa para vaiar depois do jogo"


Quando a fase é difícil e o time já sente a pressão da torcida, que perde a paciência e protesta no decorrer da partida.