“Se nós juntássemos todas as pedras fundamentais de lançamentos de autódromo em Minas, já teríamos construído a pista.” A frase é de um dos mais destacados pilotos do estado, Toninho da Matta, e espelha a dificuldade para tirar do papel os vários projetos e dotar o esporte mineiro de um espaço apto a receber categorias internacionais e à altura da tradição de nossos representantes em categorias nacionais e internacionais. Não faltaram circuitos de Primeiro Mundo, instalações de cair o queixo, com um problema: nunca deixaram as telas dos computadores para se tornar realidade.
Um cenário que pode mudar graças a um grupo de aficionados que aprendeu com os erros do passado e pretende ocupar uma lacuna que hoje não é apenas regional. Falta, no Brasil, um complexo com homologação das federações internacionais de Automobilismo (FIA) e Motociclismo (FIM), em condições de receber provas das Superbikes, da Moto GP e que seja alternativa a Interlagos.
Sem grande publicidade, mas um intenso trabalho de bastidores que inclui o estudo dos projetos de circuitos como Sakhir, no Barein, Portimão, em Portugal, Buddh, na Índia, e Dubai, os integrantes do Moto Clube 273 identificaram em Curvelo, Região Central do estado, a 170 quilômetros de Belo Horizonte, o local ideal para a construção de um empreendimento do gênero e as condições adequadas para tirá-lo do papel: um terreno de dois milhões de metros quadrados (o dobro da área do oval de Indianápolis), no quilômetro 608 da BR-135, que liga a capital a Montes Claros e à Bahia. Uma propriedade particular (de um empresário interessado em participar da iniciativa) que respeita todo o tipo de exigência ambiental e permite sonhar longe, já que acolheria, sem dificuldades, um circuito misto, um oval, pistas de kart e motocross, além de um polo industrial, hoteis, condomínio, arena para shows e exposições e mesmo quadras esportivas, escolas e hospitais.
Aí reside o grande diferencial do projeto em relação aos anteriores: se não faltam ideias para dotar a região de um espaço único no país, a ideia é começar de forma modesta e proporcionar um efeito “bola de neve”, com as etapas se sucedendo e novos investidores e parceiros se agregando. De acordo com os primeiros estudos, bastariam R$ 15 milhões (pouco mais de 10% do que foi gasto na reformulação do Estádio Independência, por exemplo) para ter o circuito misto em condição de receber corridas e uma pista de motocross também homologada. Uma estrutura que poderia ser aproveitada também com cursos de pilotagem e eventos de montadoras.
Como todos as precauções estão sendo tomadas para que o projeto se concretize, ainda não há um traçado desenhado, mas até neste aspecto a iniciativa traz uma inovação. A ideia é ouvir opiniões de pilotos e ex-pilotos – um grupo deles, entre os quais Rafa Matos, Clemente Jr. e o campeão de motocross Jorge Balbi Jr. deve visitar o terreno sexta-feira para opinar e sugerir. A missão de dar formas ao sonho será do arquiteto Humberto Anastasia, apaixonado por automobilismo, respeitando os cadernos de encargos da FIA e da FIM.
Protocolo “Há uma grande demanda por um empreendimento do gênero em Minas e Curvelo acolheu a ideia de braços abertos. O único obstáculo ao sucesso da iniciativa seria a economia brasileira entrar em um momento negativo a médio prazo, algo bastante improvável, já que o país é a bola da vez no cenário internacional. Procuramos estudar o que se fez de melhor pelo mundo, temos uma localização geográfica privilegiada e um terreno que nos permite trabalhar sem restrições e expandir o complexo o quanto quisermos. Mesmo sem divulgá-lo oficialmente, fomos procurados por várias empresas e investidores que enxergaram o potencial e querem conversar. Agora que os primeiros passos foram dados, a tendência é o interesse se multiplicar e rapidamente as etapas se sucederem”, explica o presidente do Moto Clube 273, Flávio Bergmann, que agrega sua experiência na assessoria de imprensa e cobertura dos principais campeonatos brasileiros sobre duas e quatro rodas.
Na sexta-feira ele assinou um protocolo de intenções com a prefeitura, que se compromete a incentivar e dar sua chancela ao projeto, com impacto estimado em 500 mil pessoas da cidade e dos municípios do entorno. As verbas públicas diretas, no entanto, serão minoria no financiamento das obras, já que o Moto Clube se valerá da Lei Federal de Incentivo ao Esporte para captar recursos. “Não queremos que o poder público gaste um centavo, mas conceda incentivos fiscais ao empreendimento e às empresas que aqui se instalarem, além de colaborar dentro de suas possibilidades.”
Jogo de xadrez em Mônaco
Pode parecer incoerente, mas as ruas do Principado de Mônaco são, das 20 etapas do Mundial de Fórmula 1, o pedaço de asfalto menos abrasivo, e o que menos desgasta os pneus. Não se trata apenas do tipo de piso, uma verdadeira mesa de bilhar por onde passam diariamente carros, caminhões e ônibus que circulam no pequeno território, mas da própria configuração da pista, com curvas de baixa velocidade e poucas freadas fortes. Uma combinação que permite novamente à Pirelli reservar, para o fim de semana, seus dois compostos mais rápidos: o macio (com a logomarca amarela) e o supermacio (vermelha), usado pela primeira vez este ano. Se o primeiro resistiria a até 50 voltas, segundo simulações e informações da fabricante, fazer com que o segundo percorra as 28 voltas restantes para permitir uma só parada nos boxes dependerá do comportamento de cada carro.
O jogo de xadrez da estratégia é um dos principais desafios para as equipes em sua preparação para a corrida de domingo. Afinal, permanecer na pista por mais tempo com pneus gastos não é tão crítico como nos circuitos permanentes, já que o aumento nos tempos de volta é menor, e, com poucos pontos de ultrapassagem, é possível resistir às tentativas de adversários com borracha mais nova – não por acaso a formação de pelotões com vários carros é uma das características da prova.
Por outro lado, é possível aproveitar momentos como a entrada do safety car para trocar os pneus sem ser prejudicado pelo tráfego constante. No ano passado Sebastian Vettel acabou beneficiado pela bandeira vermelha que interrompeu a prova na 72ª volta, já que estava com os pneus praticamente destruídos e, assim como Lewis Hamilton e Fernando Alonso, pôde trocá-los durante a paralisação. Pior para Jenson Button, que parou três vezes e tinha carro para tomar a liderança da Red Bull do alemão.
Ontem o diretor de competições da Pirelli, Paul Hembery, confirmou que a fábrica pode desenvolver imediatamente pneus ainda mais macios para serem usados apenas na última fase da qualificação, mas disse acreditar que as equipes não serão favoráveis à mudança. “A temporada já está emocionante o bastante nas condições atuais, o problema é que alguns pilotos evitam andar no Q3 para poupar os pneus e a nossa imagem é que sai arranhada”, afirma.
Indy Pela primeira vez pole das 500 Milhas de Indianápolis, o australiano Ryan Briscoe, da Penske, disse esperar por uma prova extremamente equilibrada este ano. “Será uma corrida selvagem, totalmente indefinida, com muitas ultrapassagens. Talvez seja complicado apostar no vencedor até a curva 4 da última volta, ou mesmo depois disso. Estamos em boa condição, mas há vários carros competitivos.”