"Bati a cabeça na tabela. Doeu. Quase fui embora", diz Gersão, relembrando seu primeiro treino no Ginástico
A história de Gersão começa no Ginástico, levado por um grupo de jogadores da equipe que o também gostavam de futebol. Numa das partidas que foram fazer, acabaram descobrindo casualmente aquele grandalhão. Entre os que o convidaram está um ex-jogador e ex-presidente do clube, Humberto Gontijo. Em seu treino inicial, comandado por Gastão Settecâmara, já falecido, o clube estava cheio, lotado de curiosos. Na primeira tentativa de bandeja, ele quase desistiu. “Bati a cabeça na tabela. Doeu. Quase fui embora. Ainda bem que não, pois minha vida é o basquete e devo tudo o que tenho ao esporte.”
Ele se recorda do jogo de estreia, “inesquecível”, como costuma dizer. “Foi contra a Seleção Brasileira juvenil. Lembro que em menos de um minuto cometi cinco faltas e fui desclassificado. Não há como me esquecer disso.”
Mas Gersão foi evoluindo em quadra. Em 1979, o primeiro título com o clube, numa final eletrizante contra o Minas. O Ginástico, que tinha Bruno, Eugênio Anastasia, Luiz Gustavo, ele, Ricardo Zhouri, Adley, Xande, Túlio, Ricardo Barroco, Borracha, Vaquita, Gui, Túlio e Vinícius, com Elmon Rabelo como técnico. O tempo normal terminou empatado e, na prorrogação, o Ginástico venceu por 16 pontos de diferença.
O resultado foi o bastante para Gersão ser chamado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Lá, ganhou um amigo, que marcaria história na modalidade: Oscar. “Ele me deu dois tênis Pony. Calçava o mesmo número que eu, 51. Eu, até então, jogava com um tênis de futsal, que um amigo do Ginástico, o Campista, tinha mandado fazer.”
De lá para a frente, ganhou o mundo. Foi jogar na Espanha, no TKR. Voltou ao Brasil, conquistou títulos. O mais importante deles foi o dos Jogos Pan-Americanos de Indianapolis’87. “Ganhamos dos EUA lá dentro, na casa deles. Ajudei a marcar o Tim Duncan. Nunca vou me esquecer desse dia, pois foi o momento mais importante da minha carreira.”
Mas não foi essa final a sua melhor partida. “Uma vez, contra o México, fiz 20 pontos e peguei 20 rebotes somente no primeiro tempo. Foi o maior jogo da minha vida.”
Hoje, Gersão é gerente de uma loja de gesso. A vida comercial transformou seus dias. “Tenho de levantar às 6h, pois às 7h abro o estabelecimento. Trabalho o dia inteiro. Muitas vezes, o serviço vai até a noite. Mas me adaptei à nova vida, longe das quadras, mas nem tanto, pois ainda jogo no veterano.” Gersão, atuando pela Seleção Brasileira de Master, ajudou nas conquistas dos títulos mundiais da Nova Zelândia’2005, Orlando’2006, Porto Rico’2007, Brasil’2011 e Croácia’2015.
Fora das quadras, existe o pai Gersão, que tem quatro filhos. “A Joycinha, de 28 anos, estava no São Caetano, na Superliga. Não perdi um jogo sequer. Agora está sem time e estou tentando ajudar a arranjar algum. O Gersinho, 27, joga street ball em São Paulo. A Areta tem 16 e está nas divisões de base do vôlei do São Caetano”. Para o mais novo, Bryan, de 10 anos, ele também planeja carreira esportiva “É alto. Vou colocá-lo pra jogar basquete agora, aqui perto de casa. Corinthians e Palmeiras querem levá-lo. Vamos ver”, sonha.
O GIGANTE NO GARRAFÃO
Nome: Gerson Victalino
Nascimento: 19/9/1959, em Belo Horizonte
Esporte: Basquete
Posição: Pivô
Peso e altura: 94Kg e 2,05m
Primeiro clube: Ginástico
Outros times: Monte Líbano-SP, Corinthians(SP), Lwart Lwarcel-SP, Jales-SP, TDR-ESP, Sport Recife, Universo Recife-PE e Clube do Remo
Principais títulos
Pela Seleção Brasileira
Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianapolis’1997
Prata nos Jogos Pan-Americanos de Caracas’1987
Ouro no Campeonato Sul-Americano do Brasil’1984
Ouro no Campeonato Sul-Americano da Colômbia’1985
Ouro no Campeonato Sul-Americano do Uruguai’1988
Por clubes
Campeão Brasileiro de 1996 pelo Corinthians