GRUPO B

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Com menor média de altura entre as seleções, Chile investe no 'toco me voy' dos argentinos

postado em 21/06/2014 08:49 / atualizado em 21/06/2014 08:57

Roger Dias /Estado de Minas

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Das 32 seleções que disputam a Copa do Mundo, o Chile é considerada a de menor estatura, com média de 1,76m. Atletas como o volante Marcelo Díaz (1,66m) e o atacante Aléxis Sánchez (1,69m) são exemplos de uma equipe que prefere o jogo rasteiro e estão entre os mais baixos entre 736 inscritos na competição. Ainda nos treinos de preparação em Santiago e Valparaíso, o técnico Jorge Sampaoli minimizou a aparente desvantagem nas bolas aéreas e reforçou a necessidade de adotar um estilo com bom toque de bola, triangulações eficientes e potentes chutes de fora da área semelhante ao “toco y me voy” dos argentinos.

A estratégia deu certo até o momento: garantida nas oitavas de final, o La Roja obteve duas vitórias expressivas, sendo uma sobre a Espanha, que causou a eliminação dos atuais campeões. Mais do que isso: formou um time leve, com participação intensiva dos volantes e laterais no setor ofensivo. Agora terá desafio de superar os grandalhões da Holanda, segunda-feira, em São Paulo, para ficar em primeiro lugar no Grupo B . A média de altura dos europeus é de 1,80m.

Nem por isso os chilenos deixam de ensaiar jogadas de escanteio e cruzamentos na área. Os dois fundamentos são os mais trabalhados pelo treinador nas diversas atividades realizadas na Toca da Raposa. “Estamos trabalhando com base na desvantagem que temos. Em todas as partidas que disputamos não sofremos tanto contra rivais muito altos e acho que existem muitas saídas para não sofrermos com essa história de altura”, afirmou o zagueiro Rojas, de 1,76m, um dos líderes da Universidad de Chile.

O também zagueiro Jara, que atua no Nothinghan Forest, afirma que está acostumado a encarar jogadores altos no Campeonato Inglês: “Altura nem sempre é uma vantagem. Nossos defensores têm agido bem no tempo de bola e diminuído as distâncias dos atacantes adversários. Jogo numa liga que me faz marcar jogadores muito altos todo fim de semana. Além disso, procuramos não dar espaço no meio-campo para que os rivais não cruzem bolas na nossa área”.

O “toco y me voy” no Chile já vinha sendo implantado desde a Copa passada pelo ex-técnico Marcelo Bielsa. Mas Sampaoli o aperfeiçoou, contando com a habilidade de jogadores com bom toque de bola, casos de Vidal, Aránguiz, Valdívia, Sánchez e Vargas – com exceção do primeiro, todos já marcaram gols na Copa do Mundo do Brasil.

ESTILO MANTIDO O comandante ressalta que o Chile será sempre ofensivo e jogará com base em tabelas e triangulações. “Temos uma fórmula de jogar, e sempre adotamos o mesmo estilo de jogo. Somos um dos melhores no nosso grupo neste momento, porque não o mudamos de acordo com as partidas. Nossos adversários tentam se aproveitar de cada erro que tivermos. É a partir daí que temos de trabalhar cada parte para não sermos surpreendidos”. O La Roja treina hoje em dois períodos na Toca da Raposa e embarca para São Paulo à noite.

Os mais baixos

Marcelo Díaz
Volante
1,66m

Aléxis Sanchez
Atacante
1,69m

Gutiérrez
Volante
1,70m

Fuenzalida
Volante
1,70m

Aránguiz
Volante
1,71m

Gary Medel

Zagueiro/volante
1,71m

ESTUDANTE INVADE TREINO NA TOCA

Desde que chegou a BH, o Chile tem sido protegido por forte segurança na Toca da Raposa II, impedindo que jogadores e comissão técnica tenham contato com os torcedores. No entanto, o estudante brasileiro Ítalo Venâncio, de 18 anos, conseguiu burlar o esquema e invadiu o treino dos jogadores ontem à tarde, sendo imediatamente retirado pela PM, que fazia a ronda no local. Ele aproveitou distração de um dos porteiros e correu para abraçar Valdívia, do Palmeiras, e ganhar uma camisa autografada por Sánchez. Venâncio foi encaminhado a uma unidade policial na Pampulha para prestar depoimento.

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