SELEÇÃO BRASILEIRA

Jefferson assume meta da Seleção no momento em que o racismo é combatido no futebol local

Goleiro quer ser o terceiro negro a ser titular do Brasil em uma Copa do Mundo

Rafael Ribeiro/CBF
No livro O Racismo no Futebol, os autores Carlos Alberto Figueiredo e Sebastião Josué Votre especulam sobre a existência de uma orientação na CBD, a antiga CBF, para a não convocação de goleiros negros para a Seleção. Uma névoa que acabou sendo relacionada à primeira grande tragédia do futebol nacional e à quem coube carregar o peso da culpa pela derrota na final da Copa de 1950: Barbosa. Fato é, porém, que, depois do Maracanazzo, só dois goleiros negros disputaram um jogo de Mundial pelo Brasil. Hoje, outro negro começa uma caminhada com o objetivo de reeditar a história. Infelizmente, num momento em que o futebol nacional mostra não ter superado o preconceito.

O goleiro de hoje é Jefferson. Reserva na última Copa do Mundo, ele será titular no amistoso contra a Colômbia, às 22h. O primeiro jogo da nova era Dunga. Aos 31 anos, vê nos 35 a idade ideal para um goleiro ser titular num Mundial. Aposta na experiência para jogar em 2018 na Rússia. O terceiro negro depois de Barbosa. O primeiro foi Manga, em 1966 - jogou apenas uma partida, a última, quando o Brasil já estava desclassificado. O segundo foi Dida, titular absoluto no Mundial de 2006, na Alemanha.

Em boa fase, apesar de o seu time, o Botafogo, viver um momento de oscilação, Jefferson tem condições de ir além disso, da simples participação na próxima Copa. E deve continuar sendo um dos símbolos no combate ao preconceito no futebol. Aliás, o goleiro foi um dos primeiros a manifestar-se após o episódio envolvendo o goleiro Aranha, do Santos. “As pessoas querem nos atingir de alguma maneira. E começam a falar: ‘seu frangueiro’, a gente não olha, e vão aumentando os insultos. Aí começam a apelar com o caso do racismo. É uma forma covarde de você apelar com o rival, com o adversário. Algo inaceitável nos dias de hoje”, afirmou.