SELEÇÃO OLÍMPICA

Mané Garrincha recebe as seleções olímpicas de Brasil e Estados Unidos

Seleção Brasileira leva a campo estrelas como Anderson Talisca, Luan e Thalles

postado em 12/10/2014 21:59 / atualizado em 13/10/2014 18:03

Rodrigo Antonelli /Correio Braziliense , Maíra Nunes - Especial para o Correio

Janine Moraes/CB/D.A Press

Dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quem cuida das seleções principal e de base sabe que não há partida que apague o vexame dos 7 x 1 sofridos em derrota numa semifinal de Copa do Mundo em casa. Foi assim em 1950. Nem o tricampeonato mundial nos anos de 1958, 1962 e 1970 fez com que se esquecesse por completo o Maracanazo. E olha que 1950 não viveu uma vergonha nem próxima à do Mineirão, no último 8 de julho.


Mas tanto a seleção principal quanto a de base seguem seu rumo. E o próximo passo daquela equipe que sonha com a conquista inédita do ouro olímpico nas Olimpíadas do Rio-2016 passa nesta segunda-feira (13/10) por Brasília. Não deixa de ser uma estratégia. Enquanto a equipe principal atua longe do país após o fiasco no Mundial desse ano, a Seleção Olímpica joga dentro de casa, após longo período afastada. Nos primeiros dois anos do ciclo olímpico, a equipe comandada por Alexandre Gallo atuou 33 vezes, mas apenas duas no Brasil.


O retorno para casa ocorreu na sexta-feira (10/10), em Cuiabá, na boa vitória por 3 x 1 sobre a Bolívia, e nesta segunda-feira (13/10), às 19h, Brasília será a segunda cidade a receber a equipe olímpica nesse novo momento, de reaproximação com o público brasileiro. A expectativa é a de que cerca de 20 mil pessoas assistam ao jogo contra a seleção Sub-23 dos Estados Unidos, no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. “Estamos começando esse trabalho agora. O objetivo é conquistar a torcida para que ela se torne uma aliada forte na Olimpíada. Para aumentar o público, temos que fazer por merecer”, avaliou Gallo após o jogo contra a Bolívia, que teve 11.662 pagantes na Arena Pantanal.


Com Anderson Talisca, Luan e Thalles em grande fase, a principal força do time no momento é o ataque. O último, atacante do Vasco, fez dois gols na partida contra a Bolívia e se tornou a aposta natural de Gallo para vestir a camisa 9 da Seleção principal em breve. Talisca, meiaque saiu do Bahia e vive início promissor no Benfica — são seis gols em sete jogos —, é quem deve comandar a equipe daqui até os Jogos do Rio. Mas olho nele: o jogador, quando fazia parte do time baiano, alternava bons e maus momentos com extrema facilidade.


Para Gallo, essa base é a parte mais importante de seu trabalho visando a medalha olímpica. “Alguns atletas já estão desde o ano passado, entendem o que peço ao time: marcação forte, posse de bola e investidas pelas laterais. Isso ajuda a formar uma identidade.” Até por isso, a equipe que enfrenta os Estados Unidos logo mais, não terá qualquer alteração em relação ao time que venceu a Bolívia, a não ser pelo goleiro. Andrey, do Botafogo, entrará na vaga de Jacsson, do Internacional.

Longe de casa

Propositalmente ou por força dos contratos, a Seleção de Dunga não passa nem perto do torcedor brasileiro depois da Copa do Mundo. Já são três amistoso pós-Mundial e todos longe do Brasil: foram dois nos Estados Unidos e um na China. Amanhã, é a vez de o público de Cingapura ver o Brasil, contra o Japão. Até o fim do ano a equipe joga mais duas vezes, uma em Istambul, contra a Turquia, e outra em Viena, contra a Áustria.

Como comprar

Os ingressos para o amistoso custam R$ 60 (R$ 30 a meia). Confira os pontos de venda:
- Free Corner (Gilberto Salomão, 304 Sul, Brasília Shopping e Conjunto Nacional)
- Loja do Torcedor – QSA 24 LT. 12, LJ. 4 (Taguatinga Sul)
- Grandes torcidas – 308 Sul

Quatro vans estarão vendendo os ingressos no estacionamento do Mané Garrincha até o fim do primeiro tempo do jogo.

Promoção em homenagem ao Dia das Crianças
A compra de um ingresso dá direito à pessoa ganhar outro bilhete para crianças de até 10 anos, tanto que os compradores sejam responsáveis dos pequenos. Tanto os torcedores que já compraram as entradas quanto aqueles que ainda pretendem adquirir o bilhete, é preciso solicitar o ingresso da promoção da criança antes, pela internet ou nos pontos de venda físicos.

FICHA

Brasil x Estados Unidos - Amistoso
Local: Estádio Mané Garrincha – Brasília
Horário: 19h

BRASIL
Andrey; Fabinho, Wallace, Dória, Wendell; Alison, Matheus Biteco, Anderson Talisca; Luan, Thalles, Ademilson
Técnico: Alexandre Gallo

EUA
Cody Cropper; Ocegueda, AJ Cochran, Will Packwood, Oscar Sorto; Daniel Metzger, Benji Joya, Luis Gil, Alfred Shams; Alonso Hernandez, Jordan Morris
Técnico: Tab Ramos

Só botafoguense no gol

Nesta segunda-feira (13/10), diante dos Estados Unidos, no estádio que leva o nome de um ídolo do Botafogo — Mané Garrincha —, o goleiro Andrey, do alvinegro carioca, entrará em campo como titular da Seleção Olímpica. Ele é a única alteração na equipe que venceu por 3 x 1 a Bolívia, na sexta-feira. Apesar de o Glorioso não estar exatamente bem no Brasileiro, o time tem dado boa contribuição à Seleção Brasileira, pelo menos, quando o quesito é goleiro: Andrey, na equipe sub-23, segue os passos do companheiro de clube Jefferson, que se firma no gol da equipe principal após a Copa do Mundo, com direito a defesa de pênalti cobrado por Messi.


O espaço que Andrey teve para atuar no gol Botafogo, em função das ausências de Jefferson com a Seleção, despertaram o interesse do técnico Alexandre Gallo. Ao ser convocado para os dois amistosos com a Seleção Olímpica neste mês, depois de dois anos sem vestir a camisa da Seleção no sub-20, a notícia foi recebida pelo garoto de 21 anos da boca do “titular absoluto”. “O Jefferson fez questão de me contar”, conta Andrey.


“Ele é uma excelente pessoa, brinca e se diverte com todo mundo, mas tudo no seu momento”, esclarece. O celeiro de goleiros no clube carioca colabora para uma relação que ultrapassa as traves do gol. “Eu, Jefferson, Renan e Helton somos como uma família. Fazemos churrasco, estamos sempre juntos, as nossas famílias se conhecem, enfim, somos muito unidos”, descreve Andrey.


O meia Danilo, do Braga de Portugal, ainda vive a adaptação ao estilo de jogo europeu e, mais que isso, à saudade do Brasil. “Quando eu chego aqui no Brasil, sinto que estou perto da minha família, das minhas raízes”, diz o baiano, que deixou o Vasco neste ano e aprova os jogos da Seleção Olímpica no país. Assim como Danilo, outros nove jogadores de Gallo atuam fora do país. “Já senti que aprimorei bastante meu futebol. Fora do Brasil tem uma cobrança forte para se jogar e agir mais rápido a uma perda de bola, a um contra-ataque a essas questões de transição”, diz Danilo.

Saiba mais


Retorno, na verdade
Não é a primeira vez que a Seleção Brasileira olímpica se exibirá em Brasília. Em 7 de abril de 1999, o adversário inclusive foi o mesmo de hoje. E o restrospecto é positivo: os liderados de Vanderlei Luxemburgo golearam os Estados Unidos por 7 x 0, no velho Mané Garrincha. Em 11 de fevereiro de 1996, foi a vez de Zagallo vencer por 2 x 0 a Bulgária com a Seleção Olímpica na arena da capital.

Reconhecimento do gramado


Neste domingo (12/10), às 19h, a Seleção Brasileira Olímpica, enfim, colocou os pés no Mané Garrincha para fazer o reconhecimento do gramado. Ao contrário dos Estados Unidos, que treinou antes a portas fechadas, o Brasil contou com a presença da imprensa, de alguns familiares de Wendell, que vieram da Bahia acompanhar o lateral, e de um grupo de crianças que ficaram para tietar os jogadores após um ensaio no estádio. Em cerca de uma hora no Mané, o elenco do Brasil fez um treino leve. Foram poucos exercícios em que os jogadores trabalharam com bola individualmente antes de começarem um rachão.