SELEÇÃO BRASILEIRA

Dunga se escala em time dos sonhos

A pedido de revista inglesa, técnico da Seleção quebrou o protocolo sem falsa modéstia

postado em 08/01/2015 11:53

Marcos Paulo Lima /Correio Braziliense

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Quer conhecer um craque ou técnico de futebol? Dê a ele o poder de montar um time dos sonhos usando jogadores de todos os tempos. Carlos Caetano Bledorn Verri, o Dunga, revela-se na nova edição da tradicional revista inglesa FourFourTwo. Convidado a montar seu time dos sonhos na seção My Perfect XI (Meu 11 Perfeito), o técnico da Seleção Brasileira quebrou o protocolo. Sem falsa modéstia, o capitão do tetra se escalou no meio de campo. Astros como Zico, Gullit, Kempes, Stoichkov, Cantona, Lineker e Eusébio, por exemplo, tiveram a humildade de se incluir fora da lista.

Dunga estabeleceu um critério. Priorizou jogadores que atuaram com ele nos clubes por onde passou ou na Seleção. Com isso, mostrou outras facetas. Craque, por exemplo, tem lugar no time dele nem que seja sacrificado. Para ter o amigo Branco no time, por exemplo, ele fez uma manobra arriscada na prancheta e posicionou Roberto Carlos na lateral direita.

Por sinal, Dunga não é muito fã de jogadores estrangeiros. No time dos sonhos dele abriu vaga apenas para dois nomes pouquíssimo lembrados. Atual técnico da Lazio, o zagueiro italiano Stefano Pioli, colega dele nos tempos de Fiorentina, é um dos beques. Entre os três volantes está o líbero Lubos Kubik, outro amigo de Dunga na passagem pela equipe viola no início dos anos 1990.

Dunga cita outros dois estrangeiros — ambos eleitos melhores do mundo —, mas preferiu deixá-los como opção no banco. No time dos sonhos de Dunga, o francês Zidane, carrasco do Brasil na final da Copa de 1998, é um estepe. O italiano Roberto Baggio também.

Amigos do tetra
As principais referências de Dunga continuam sendo os heróis do título da Copa de 1994. No total, são sete entre os 11 titulares: Taffarel, Aldair, Branco, Mauro Silva, Ronaldo, Romário e o próprio Dunga. Os pentacampeões Roberto Carlos e Rivaldo conseguiram uma brecha na equipe. Márcio Santos e Dida pegaram banco. Ronaldinho Gaúcho e Kaká — camisa 10 dele na Copa de 2010, na África do Sul — nem isso. A exclusão de R10 é mais fácil de explicar. O dentuço desmoralizou Dunga ao humilhar o volante com um chapéu e um elástico na final do Campeonato Gaúcho de 1999.

Como se escalou no time dos sonhos, Dunga deu brecha à escolha de um treinador. Na volta ao cargo de técnico da Seleção, Dunga tem citado com frequência o italiano Arrigo Sacchi como um dos seus mentores. No entanto, o sueco Sven-Goran Eriksson é o comandante do Dunga Futebol Clube. “Ele me levou do Pisa para a Fiorentina, em 1988, e me ensinou bastante na minha primeira temporada no clube. Eu jamais esquecerei disso”, justifica o técnico da Selçeão em entrevista à FourFourTwo.