DA ARQUIBANCADA

O melhor ópio do povo

postado em 03/11/2018 12:00

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Eleito Bolsonaro presidente, não nos resta outra opção a não ser mergulhar com tudo no consumo desenfreado do ópio do povo. Desde o domingo passado, finda a eleição, já me encontro nessa cracolândia, entorpecendo-me com notícias frescas sobre a pontuação do campeonato, nossas chances estatísticas, o início das obras do novo estádio. E, claro, aquela que não precisa mais ser redigida, bastando republicá-la a cada fim de ano, a exemplo das reportagens sobre papais noéis de shoppings: a volta de Diego Tardelli.

A propósito, acabo de ler sobre a punição de Tardelli na China. Está suspenso por desrespeitar o hino chinês! No momento em que tocava a marselhesa de Mao Tsé-Tung, diz o texto, dom Diego “passou a mão no rosto e olhou para o chão”. Tivesse tirado uma meleca, estaria preso. Se comesse a meleca, como gosta o técnico Joachim Löw, seria fuzilado. Precisamos imediatamente resgatar Diego Tardelli da tirania comunista! Alguém precisa avisá-lo de que se permanecer na China seus filhos serão doutrinados, submetidos ao kit gay e alimentados com mamadeira de piroca. Alguém tem o WhatsApp do Tardelli?

Entre as várias qualidades do ópio do povo, a mais potente de todas, a reserva mais pura do Triângulo Dourado, o skank mega blaster, é sem dúvida o Atlético. Isso ficou provado nas semifinais da Libertadores. Por um lado, o Grêmio sofreu um pênalti aos 48 do segundo tempo. Teve a perna esquerda de Deus? Não teve. Na outra chave, o Palmeiras precisava reverter um placar de 2 a 0. E cadê a senha pra falar com Deus? Só a gente que tem. O Galo é o Galo, o resto é o ópio do povo paraguaio, orégano e fumo de rolo.

Pois bem, notícia realmente alvissareira foi a saída de Tadeu. Eu havia acabado de cunhar o slogan da campanha, “Tadeu já deu”, mas nem foi necessário que ele se propagasse como um “Fora, Temer”, um “Tchau, querida” ou “Ele não”. Tadeu caiu antes, embora tenha ido tarde. E eu que critiquei aqueles alienados, ops, abnegados que foram bater panela na porta da sede na semana da eleição, peço desculpas. Foram os responsáveis diretos pelo impeachment de Tadeu! Sugiro que montem acampamento na Olegário Maciel. Quem sabe não rolam umas cabeças extras na esteira de Tadeu?

O problema é que o Atlético está ficando incriticável. Veja bem. Se Reinaldo está na base, como poderemos falar mal da base, ainda que tudo dê errado e daqui pra frente só revelemos pernas de pau? Se Éder Aleixo faz parte da comissão técnica, como poderemos blasfemar contra a comissão técnica? “Éder acima de tudo, Reinaldo acima de todos!”, esse é o meu lema desde 1980.

Com o impeachment de Tadeu e a chegada de Marques, ficamos impedidos também de qualquer impropério contra o diretor de futebol, porque não se xinga Marques (foto), e se precisarmos alguma vez levantar a nossa voz será para dizer “Olê Marquês, olê Marquês”. E quer saber? Todo Marques precisa de um Engels, e portanto deveríamos trazer logo o Guilherme. Atleticanos de todo o mundo, uni-vos em torno de Marques, ele merece.

Também inexiste qualquer possibilidade de mandarmos Levir Culpi à gôndola do tomate cru. Levir é um cara legal, e da última vez que não fomos legais com ele passamos três anos e meio comendo o pão que o diabo amassou. Assim, só nos resta o apoio total e irrestrito, salvo o direito adquirido de pegar o Patric para Cristo.

Temos pela frente Grêmio e Palmeiras, provavelmente os dois melhores times do Brasil. O Grêmio deu um azar danado. Se tivesse passado pelo River na Libertadores, estaria jogando neste sábado com o time reserva. Mas como o jogo era contra o Atlético, o nosso azar monumental acabou por provocar a derrota do Grêmio, fazendo com que pudesse agora usar os titulares. O Grêmio não foi desclassificado pelo River, está claro, foi eliminado pelo Galo e sua zica estratosférica. Em todo caso, perderá assim mesmo, porque no atual momento histórico do Brasil faz-se necessário e vital o melhor ópio do povo. E seu carregamento virá num épico sprint final, uma desabalada carreira rumo à Libertadores, com Tardelli, com tudo.

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