DA ARQUIBANCADA

Que venha a Conquistadores!

Nada no mundo é mais importante que vencer hoje o Fogão. Façamos um boneco de vodu com Carlos Eugênio Simon, façamos pactos e promessas

postado em 01/12/2018 12:00 / atualizado em 03/12/2018 09:19

Bruno Cantini/Atlético
Por esta época do ano, as grandes empresas já definiram metas e orçamentos para 2019. Famílias já refizeram planos, uns vão para Cuba, outros se mudarão para Portugal. Crianças fizeram matrículas em suas novas escolas. A temporada de promessas já está aberta: no ano que vem, faremos academia, comeremos salada, dormiremos mais cedo, compraremos mais livros. A cerveja, a preguiça, o celular na cama, o McDonald’s – não passarão!

Para alguns, o ano que vem vai inaugurar uma nova era de prosperidade, a corrupção vai acabar, as crianças estarão a salvo das mamadeiras de piroca, a pátria estará livre da ameaça comunista, o mundo estará mais perto de se livrar da falácia do aquecimento global, do big bang e da Terra redonda. Para outros, a treva é inevitável, uma aliança militar-evangélica se instalará no país, haverá perseguição, tortura e morte, a Coca-Cola vai comprar o Aquífero Guarani, a Amazônia será destruída.

O réveillon é, pois, um divisor de águas. Antes e depois. Algo como o primeiro milagre de São Victor: antes da canhota, depois da canhota – a.C. e d.C.. O que vem aí começa a se pronunciar agora, como o orçamento da grande empresa. E por isso é importante alertar o povo para o ponto principal, seja você comunista ou capitalista, um adepto de Darwin ou um crente de que isso aqui foi tudo feito mesmo em seis dias, ficando o sétimo reservado ao futebol – seja como for, o alerta: só o Galo salva! Aconteça o que acontecer, a única certeza que se tem é de que o sucesso ou o fracasso do que virá depende fundamentalmente da nossa posição na tabela.

Por isso a importância crucial do dia de hoje, muito mais decisivo do que qualquer decisão que se tome no encontro do G-20 em Buenos Aires. Hoje, diante do Botafogo, essa pedra na nossa chuteira, estará em jogo a vaga do Galo na Conquistadores da América (a Libertadores morreu quando levou a decisão para a Espanha, fazendo Simón Bolívar não apenas revirar na tumba, mas se levantar dela para encher a cara no bar. Entreguistas!).

Pois bem, reflita: imagine a treva sem o Galo na Conquista. Imagine combater o governo Bolsonaro ao mesmo tempo em que se combate a URT. Imagine enfrentar o comunismo e a mamadeira de piroca tendo como descanso merecido um embate contra o América de Teófilo Otoni. Como dizia o Fernando Henrique, não dá, não dá, não dá. Por outro lado, que se dane o Bolsonaro, o comunismo e a mamadeira de piroca diante de um Atlético e Boca, um Atlético e Olímpia.

Imagine você, atleticano, a singrar os mares para a grande final da Conquistadores’2019 contra o Crüzëirö em Lisboa, levando consigo um pouco mais do ouro retirado de Ouro Preto, uns diamantes levados de Diamantina para dar sorte. Diante dessa perspectiva, o Brasil que se acabe, porque nem precisaria mais haver Brasil em 2020. Que vendam a Amazônia e comprem tudo de cerveja!

O Atlético precisa dessa vaga. Sem ela, a perspectiva é sinistra: menos bilheteria, menos dinheiro de patrocínio e tevê, menos contratações, mais salários atrasados, o próprio Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana comprometidos por um elenco esforçado, mas mediano. A vaga na Conquistadores muda tudo, e já a partir deste domingo passaríamos a sonhar com o Tardelli chegando no saco do Papai Noel, descendo pela chaminé do exaustor do fogão.

O Fogão. Nada no mundo é mais importante que vencer hoje o Fogão. Façamos um boneco de vodu com Carlos Eugênio Simon, façamos pactos e promessas! Da minha parte, irei a Lisboa a nado. Que venha a Conquistadores!

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