Gustavo Nolasco

DA ARQUIBANCADA

O gênio e o menino vestido de celeste

'Só não me deixe faltar nunca o Cruzeiro'

postado em 02/01/2019 10:59 / atualizado em 02/01/2019 11:18

Ramon Lisboa/EM/D. A Press
 

O céu de um noturno claro, cintilava de pontos brilhantes. Esse era o teto de um menino vestido de azul, na várzea úmida de um velho ribeirão.

Do outro lado, pelos morros da margem esquerda, desceu um gênio. Calças dobradas, cruzou as águas ainda caudalosas da ribeira do Arrudas. Forjando no Barro Preto, foi ganhar terra ao encontro do garoto. 

Prostrado na grama, o pequeno não lhe deu o olhar. Fitava o céu pipocado de brilhos cadentes. Embebido de simpatia por aquele menino sonhador, o gênio tocou-lhe o ombro envolto num manto azul.

“O que lhe falta?”, perguntou.

“Falta-me um amor”, veio a resposta entre suspiros no peito e reflexo dos pontos brilhantes do céu nos olhos.

“O que posso lhe dar?”, disse o sábio dos pedidos.

“Dai-me aquelas cinco estrelas”, completou o menino, apontando para o resplendor. 

Com a concha das mãos, o gênio tocou o céu e trouxe as cinco cravadas mais ao sul de um Cruzeiro. 

“Qual o seu segundo pedido?”, indagou.

“Consegue bordá-las em meu peito?”, questionou o garoto, alisando o pano na altura do coração. 

Já com a camisa azul estrelada pronta, levantou-se e seguiu na direção onde uma placa dizia “Gramados de Minas Gerais”. Foi quando, às suas costas, escutou a voz do gênio: “E o terceiro?”.

Com o sorriso nos lábios e toda uma história para construir, o menino vestido de celeste virou-se e fez o pedido em tom de agradecimento: “Só não me deixe faltar nunca o Cruzeiro”.

***

Dedico essa crônica especial a todas e todos que levam as cinco estrelas bordadas no peito e ao meu grande amor e aniversariante do dia, Cruzeiro Esporte Clube.

Feliz #98AnosDeGlórias!

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