COLUNA DO JAECI

Roberto Carlos agradece ao Galo

O ex-lateral, que deixou a Turquia recentemente, onde dirigiu Sivasspor e Akhisar Belediyespor, afirmou que pensa em continuar a carreira de técnico

postado em 18/06/2015 12:00 / atualizado em 18/06/2015 08:27

Jaeci Carvalho/Estado de Minas
Roberto Carlos participou de um jogo festivo no domingo, entre antigos craques do Real Madrid” e do Liverpool, no Santiago Bernabéu, onde viveu os melhores momentos da vitoriosa carreira. Ao fazer um agradecimento aos clubes que defendeu, o ex-lateral-esquerdo reservou um espaço para o Atlético. E explicou por que em entrevista exclusiva ao Alterosa no Ataque de ontem, pelo telefone: “Devo a todos os clubes pelos quais atuei, até mesmo ao meu pequeno União São João, de Araras (SP), pois a gente nunca deve esquecer nossas origens. Mas devo minha vinda para a Espanha ao Galo, que me deu a oportunidade de atuar no time em 1992, numa excursão ao país. Por isso, fiz questão de deixar bem claro e agradeço a esse importante clube por ter me aberto as portas aqui na Europa”.

Muito bacana da parte dele falar sobre o Atlético. Conheço-o há pelo menos duas décadas, tive a honra de acompanhá-lo na Seleção Brasileira e de conviver com ele até na sua casa em Madri, no condomínio La Moraleja. É um cara realmente diferenciado. Abordamos vários temas, entre eles, a “Neymardependência”. Para Roberto Carlos é natural, porque o atacante atua num dos melhores times do mundo, o Barcelona, e será sempre referência. E lembrou que em sua época foi assim com Romário, Ronaldo e Rivaldo. Quando o Brasil passava sufoco, jogava-se a bola para esses craques, que resolviam.

O melhor lateral-esquerdo que vi jogar na Seleção não concorda que a safra seja ruim. “Temos excelentes jogadores, que são destaque em seus clubes na Europa. O problema é que são bastante jovens e a camisa amarela pesa um pouco. Mas temos um sistema de jogo forte, com meio-campo consistente e defesa firme.” Nesse ponto, discordo. Acho a safra muito ruim, sem tantos grandes jogadores. Na Seleção, por exemplo, havia Taffarel, Cafu, Aldair, Romário, Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho... Hoje, tem apenas Neymar, a quem eu daria nota 9 – e aos demais, 5.

Roberto Carlos disse que a crise no futebol mundial, com tanta corrupção, deve ser combatida com rigor. Ele entende que tanto a Fifa quanto a CBF devem ter dirigentes modernos, porém, com experiência. “Não podemos abrir mão de ter um ex-jogador, com experiência internacional. Será fundamental para limparmos o futebol. Mas acho também necessária a presença de um cartola, para dividir a responsabilidade, pois é um cargo muito político.

O ex-lateral, que deixou a Turquia recentemente, onde dirigiu Sivasspor e Akhisar Belediyespor, afirmou que pensa em continuar a carreira de técnico e ficou feliz por ter o nome lembrado pelo Santos. “Estou no mercado, me reciclando aqui na Europa, estudando futebol e me aperfeiçoando cada vez mais. Claro que penso um dia dirigir uma grande equipe do meu país. Preparei-me para isso e continuo firme nos meus propósitos.”

E, com bom humor, prometeu voltar ao meu programa sem o susto que levou em 2005, quando o carro em que estávamos foi assaltado quando se dirigia do aeroporto de Confins à TV.

Mistura perigosa
O volante chileno Arturo Vidal, vice-campeão europeu pela Juventus, é mais um caso de gente que se acha acima do bem e do mal. Foi a um cassino, exagerou na bebida e bateu sua Ferrari. Detido, teve a carteira de habilitação apreendida e ficará sem dirigir por longo período. Na Seleção Chilena, que disputa a Copa América, não sofreu nenhuma sanção. Jogará normalmente, por ser um talento raro. Mas precisa entender que é um exemplo para os jovens de seu país e do mundo. Que a lição sirva para o resto da vida e ele perceba importância de não misturar álcool e direção.

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