COLUNA DO JAECI

O maior espetáculo do Planeta Bola vai começar

Na véspera da abertura ainda havia gente trabalhando no Luzhniki Stadium, para deixá-lo irretocável

postado em 14/06/2018 12:00

AFP

Moscou –
Em meio ao anúncio de que Estados Unidos, Canadá e México sediarão, em conjunto, a Copa de 2026, derrotando o Marrocos, e de que o técnico da Seleção Espanhola, Julen Lopetegui foi demitido, começa hoje a Copa do Mundo da Rússia, um dos eventos mais esperados pelo país. O presidente Vladimir Putin investiu bilhões de dólares para tornar o espetáculo um dos mais importantes de todas as 20 edições. Estádios belíssimos, construídos a peso de ouro, segurança implacável e recepção a jornalistas e torcedores no mais alto nível. A festa de abertura terá Ronaldo Fenômeno, o cantor Robbie Williams e a soprano russa Aida Garifullina, um dos símbolos da juventude da Rússia. O jogo de abertura, uma partida sem grande expressão entre a dona da casa e a Arábia Saudita – nenhuma das duas vai aspirar o título. Devem ficar pelo meio do caminho ou, até mesmo, na primeira fase.

Ontem, véspera da abertura, ainda havia gente trabalhando no Luzhniki Stadium, para deixá-lo irretocável para hoje. A Rússia quer causar a maior impressão possível ao mundo. Estarei na tribuna de imprensa. Meu ingresso já está confirmado, ao lado de jornalistas do mundo inteiro. A cerimônia de abertura é muito concorrida e, como não há vaga para todos os jornalistas, a Fifa credencia aqueles que mais participam de seus eventos. É a minha sétima Copa do Mundo, desta vez longe da Seleção Brasileira. Cobrindo a Copa em sua essência, o que era um desejo meu.

Vou falar um pouco da decisão da Fifa e de seu colegiado na eleição para o país-sede da Copa em 2026. Em 2022, será o Catar, o que levou à prisão de vários dirigentes de confederações (inclusive José Maria Marin, da CBF), acusados de venderem os votos por milhões de dólares. O processo levou ao fim da era Blatter e à ascensão ao cargo do italiano Gianni Infantino. Não tinha a menor dúvida de que entre Estados Unidos, Canadá e México, sediando em conjunto, e o Marrocos brigando sozinho, a Fifa e seus integrantes votariam pelos primeiros. Infantino não é bobo. “Gato escaldado tem medo de água fria”. Os países-sede de 2026 ganharam de balaiada. Vocês acham que a Fifa ia querer briga, principalmente com os Estados Unidos? O país do presidente Donald Trump, que marcou um gol de placa na reunião com Kim Jong-un, pelo desarmamento nucelar, não iria aceitar nova derrota, já que a Copa de 2022, se não tivesse sido vendida, seria em território norte-americano.

A Fifa entendeu a mensagem e tratou de aprovar. Ainda bem. Para a lisura do futebol, é preciso transparência nas decisões. Ficou determinado que por ser a maior potência, os Estados Unidos receberão 60 dos 80 jogos. México e Canadá ficarão com os 20 restantes. Será a primeira Copa com 48 clubes, divididos em 16 grupos de três seleções cada. A Fifa promete arrecadação bilionária para si e para os países-sede. São as novas marcas do futebol, onde o que menos tem importado, infelizmente, é a bola no gol, o craque, o talento. O dinheiro determina tudo.

Voltando à festa de abertura, é sabido que o estádio estará lotado. Russos, brasileiros e argentinos, nessa ordem, compraram a maioria dos ingressos. É um privilégio estar na abertura, mas espero estar também na final, de preferência com o Brasil. Porém, não acredito nisso. Acho que teremos uma repetição de Alemanha x Argentina, e os hermanos ganharão o título para coroar a genialidade de Messi e sua belíssima carreira. É apenas um palpite, viu, gente! Copa do Mundo se decide em detalhes e não dá para cravar com certeza.

No centro de imprensa do estádio, ontem, revi companheiros de outras jornadas, como Carlos Maranhão. É sempre bom reencontrá-los, normalmente, em Copas do Mundo e Olimpíadas. O Media Center é uma torre de babel. A convivência com jornalistas de outros países também nos deixa mais bem informados. Por hoje é isso. Vamos aguardar se os russos vão apresentar alguma surpresa na festa de abertura. Não acredito que ficarão apenas com os três já citados. Espero algo do tipo daquele urso Misha, com uma gota de lágrima no canto do olho, na Olimpíada de 1980, quando a União Soviética era a dona do espetáculo. Boa partida, russos e sauditas, e boa Copa para todos nós. Que a paz e o fair play prevaleçam, pois nunca devemos esquecer que serão apenas jogos de futebol.

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