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COPA 2018

Neymar atua do jeito que a galera gosta

Camisa 10 do Brasil foi um dos destaques em campo, com atuação coletiva e sem enfeitar ou reclamar da arbitragem

Paulo Galvão
Camisa 10 do Brasil foi um dos destaques em campo, com atuação coletiva e sem enfeitar ou reclamar - Foto: AFP / Kirill KUDRYAVTSEV


Moscou – A melhor apresentação da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo foi justamente aquela em que Neymar se preocupou em fazer o que mais sabe: jogar futebol. Sem apelar para encenações em disputas de bola, sem reclamar da arbitragem, sem se irritar com os adversários, o atacante conseguiu ajudar o Brasil a vencer a Sérvia por 2 a 0 com autoridade e mostrou novamente que pode ser decisivo se mantiver a cabeça no lugar.

O que se viu no Estádio do Spartak, ontem, foi um camisa 10 tranquilo e muito concentrado. Nada de quedas desnecessárias ou tentativas de enganar a audiência – e o árbitro – rolando pelo gramado com expressão de dor e muitos gritos. Foi-se o ator, ficou o jogador.

Os números mostram essa mudança:  Neymar recebeu 10 faltas no primeiro jogo, quatro no segundo e apenas três ontem. Isso por ter prendido menos a bola e sido mais objetivo, o que se refletiu também na produção ofensiva: foram quatro finalizações na estreia, seis contra a Costa Rica e sete diante da Sérvia.

Foi ele o primeiro ao perceber que havia algo errado com Marcelo, com quem foi conversar. Em seguida, foi trocar ideia com Tite na beira do campo, mostrando preocupação com a situação do companheiro, como cabe a um bom líder. Bem mais tranquilo que em outras ocasiões, ele orientou os companheiros, pediu calma, tentou ditar o ritmo.

Nos minutos finais, veio o reconhecimento pela boa atuação, quando seu nome foi gritado pela torcida. Após o apito final, foi para a galera, procurando os familiares.
Ao vê-los, mandou beijos. “Papai te ama”, disse, em frase endereçada ao pequeno Davi Lucca, de 6 anos. Uma atitude bem mais condizente com o camisa 10 da Seleção Brasileira que, nos 2 a 0 sobre a Costa Rica, quando fez gol, foi às lágrimas.


A COPA DE NEYMAR
                                         Suíça     Costa Rica     Sérvia

Gols                            0             1              0
Chutes                        4             6              7
Chutes no gol              2             3              3
Cartão amarelo            0             1              0
Faltas cometidas          0             4              0
Faltas recebidas          10            4              3
Distância percorrida    9,1km    9,4km       9,7km

No cronômetro

Primeiro tempo
1min – Deu caneta desconcertante em Rukavina e na sequência se desequilibrou, chegando a pedir falta, mas logo voltou à disputa. Pouco depois, arrancou bem e tocou para Coutinho, que chutou em cima de Gabriel Jesus.
24min – Iniciou jogada e apareceu na área para finalizar, só não marcando porque Stojkovic fez grande defesa.
27min – Sofreu a primeira queda, mas para tentar alcançar passe errado de Philippe Coutinho
30min – Caiu novamente, desta vez por sofrer entrada dura de Ljajic, que recebeu cartão amarelo. O camisa 10 rolou no chão, mas logo depois se levantou e aceitou as desculpas do adversário.
37min – O segundo tombo, em dividida normal e que não o fez ficar muito tempo no chão ou reclamar.
44min – Sofreu entrada faltosa de Tadic no meio-campo e caiu com a mão no rosto. Porém, se levantou sem precisar de atenção médica.

Segundo tempo
11min – Na primeira bola que pegou como gosta, de frente para a linha de fundo, obrigou Stojkovic a se virar para defender chute rasteiro.
21min – Aproveitou escanteio na ponta esquerda para pedir à torcida para se levantar e incentivar o time
22min – Cobrou outro escanteio e Thiago Silva usou a cabeça para ampliar. Na comemoração, chamou os jogadores para junto de si e depois aproveitou para conversar com Fagner.
24min – Deu chapéu em um adversário, arrancando aplausos da torcida
37min – Lamentou que finalização de primeira, quase na marca do pênalti, tenha saído por cima
40min – Aproveitou rebatida, mas parou no goleiro sérvio
45min – Quase deixou o dele no último lance, ao ser novamente parado por Stojkovic.