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MINAS OLÍMPICA

Judoca Mariana Silva espera curar a decepção de Londres'2012 com uma medalha no Rio

Mariana Silva, de 27 anos, está classificada na categoria meio-médio

postado em 03/07/2016 11:00

Edesio Ferreira/EM/D.A Press

Três integrantes da equipe olímpica brasileira de judô são atletas do Minas. Entre eles, Mariana Silva, de 27 anos, classificada na categoria meio-médio. Será a segunda Olimpíada dela, que espera escrever história mais feliz que a de Londres’2012, quando foi eliminada na primeira luta. Agora, ela afirma que vai buscar o pódio, para ajudar o Brasil a alcançar a meta de estar entre os 10 primeiros. A judoca, que começou no esporte ainda criança, integrando o Projeto Budocan Peruíbe, em sua cidade natal, no litoral paulista, desde muito cedo se fascinou pelos Jogos Olímpicos e sonha coroar a carreira com uma medalha.

Sonho de menina
“Desde os 10 anos eu assisto aos Jogos pela TV. Lembro que era a Olimpíada da Sydney. Não tinha bem a noção do que era aquilo, mas sei que queria que me mostrassem na TV. Tinha uma musiquinha, quando o Brasil ganhava medalha, que me fazia arrepiar. Eu queria ser uma das melhores do mundo”

Experiência
“Na minha primeira experiência em Olimpíada, em Londres’2012, não fui feliz. Perdi na primeira luta, era muito inexperiente. Agora é diferente. Estou mais inteligente para treinar. Antes, pensava que tinha de cuidar apenas dos treinos, da parte do tatame, mas aprendi que existem outras coisas importantes, como tratar o lado psicológico e o nutricional. Também aprendi que tenho de pensar cada luta por vez. Se perder a primeira, adeus, estou fora. É assim também com a segunda. Se perder a terceira, que não quero que aconteça, ainda existe a chance do bronze”

Japonesa
“Vivi no Japão por dois anos. Tinha 15 anos, e ganhei uma bolsa da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Fui para estudar, terminar o segundo grau, e comecei a fazer educação física. Também para treinar o judô. Interrompi, justamente, por causa da Olimpíada de Londres. Fui morar com uma família japonesa e tinha cinco horas diárias de aula da língua e escrita com uma professora japonesa. No primeiro mês, tive o acompanhamento de um intérprete. Depois, ficamos por nossa conta. Depois de um tempo, perdi o medo. Aprendi. Hoje falo, escrevo e leio em japonês.”

Estudos
“Estava estudando educação física, mas quando voltei, troquei pela administração, pois vi que a educação física não era o que eu queria. Teria de fazer um tipo de trabalho que não é muito a minha praia. A administração é mais interessante, penso até em administração esportiva, na organização empresarial. Faltam seis matérias para me formar. Interrompi o semestre por causa da Olimpíada. Na volta, terminarei.”

Concorrência

“Quando a Ketleyn Quadros, minha amiga, subiu de categoria, foi por uma necessidade da CBJ. A categoria estava em aberto. Eu não estava bem, não tinha bons resultados. Mas a disputa pela vaga seria polarizada entre mim e ela. Quando cheguei a Belo Horizonte, moramos juntas por três meses. Além disso, a gente treinava junto, uma contra a outra. Admiro a Ketleyn, ela é inspiração para todas nós. Foi a ganhadora da primeira medalha olímpica feminina brasileira individual.”

Vaga olímpica
“Em abril, quando fui campeã do Pan-Americano de Judô, tive a certeza de que ficaria com a vaga. O caminho para a Ketleyn seria muito mais difícil. Ela teria de ganhar duas competições e eu perder, era muito difícil. Ali passei a acreditar na vaga. Procurei não ficar ansiosa, pois isso poderia atrapalhar. A ansiedade excessiva te cega. Já havia ocorrido várias vezes comigo, aprendi”

Equilíbrio
“A categoria meio-médio é, talvez, a mais equilibrada da Olimpíada. Até a lutadora de Camarões, que não tem muito como treinar direito, por não ter adversárias no seu peso, é boa. Qualquer judoca poderá sair com o ouro, e vou fazer o possível para que ele seja meu.”

Torcida
“Quando eu era pequena, não gostava que minha mãe fosse às lutas. Eu chorava só de vê-la. Ela procurava me dizer que não tinha importância se perdesse, mas eu não entendia bem as coisas. Depois de muito tempo é que passei a entender como era importante aquilo que ela fazia. Competir no Rio será importante para todos nós, atletas brasileiros. A torcida é do nosso povo. Nossa família, nossos amigos, estarão lá. Estamos tendo um privilégio.”


DO QUE ELA GOSTA
Comida preferida: Camarão, moqueca e frutos do mar. No dia a dia, prefiro o arroz com feijão, purê e filé acebolado
Filme: Desafiando gigantes, com o Brad Pitt. Gosto também de filmes de ação, de lutas
Livro: Bíblia e livros sobre controle da ansiedade
Religião: Evangélica
Lugar preferido: Praia
Passeios em BH: Lagoa da Pampulha e shoppings

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