A medalha de Rafaela Silva e as campanhas da ginástica por equipes e de Mariana Silva, que lutou pelo bronze ontem no judô, confirmam algo que os prognósticos já demonstravam para o Brasil: o protagonismo das mulheres. Em 21 participações brasileira em Jogos Olímpicos desde a Antuérpia’1920 – em Amsterdã’1928, o país não teve delegação –, os homens sempre puxaram o país no quadro de medalhas, o que pode ser diferente no Rio.
Desta vez, o Brasil tem 207 mulheres entre os 465 atletas, muitas favoritas em suas modalidades. Ainda no judô, Mayra Aguiar é cotada para o pódio no meio-pesado, amanhã. Na maratona aquática, a baiana Ana Marcela Cunha vem de seis medalhas em mundiais e tem boas chances, bem como a experiente Poliana Okimoto, na próxima segunda. Nos esportes coletivos, a Seleção de Futebol começou o torneio arrasadora e o vôlei é favorito ao inédito tricampeonato olímpico. Bronze em Londres’2012, a pentatleta Yane Marques briga por nova conquista no Rio.
A primeira mulher a competir pelo Brasil foi a nadadora Maria Lenk, em Los Angeles’1932. Mas o primeiro pódio feminino veio mais de seis décadas depois, em Atlanta’1996, quando as duplas Jaqueline e Sandra e Adriana e Mônica decidiram o título do vôlei de praia. Naquela edição, a Seleção Brasileira Feminina de Vôlei também conquistou a primeira medalha das mulheres em esportes coletivos.
Nas edições seguintes, a delegação masculina continuou conquistando mais medalhas, embora nas duas últimas edições as mulheres tenham trazido mais ouros. Em Pequim’2008, a Seleção de Vôlei e Maurren Maggi (atletismo) trouxeram a medalha dourada – Cesar Cielo conquistou a outra; em Londres’2012, novamente o vôlei e a judoca Sarah Menezes subiram no lugar mais alto do pódio, assim como o ginasta Arthur Zanetti.
E não só no Brasil as mulheres têm assumido protagonismo. As duas principais potências olímpicas, Estados Unidos e China, trouxeram mais mulheres que homens, mesmo caso de Austrália e Canadá, dois países que sempre estão no top-10 de medalhas. Nas piscinas, a húngara Katinka Hosszu e a americana Katie Ledecky pulverizaram recordes logo nos primeiros dias. Até aqui, o Rio é das mulheres.
