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Carta aberta: Adriano repassa carreira e dificuldades em sua trajetória

Confira um dos trechos da carta: "Você quer saber a verdade? Direto de mim? Sem caô? Então puxe uma cadeira, cara. Porque o Adriano tem uma história pra você"

postado em 20/05/2021 16:37 / atualizado em 20/05/2021 16:44

(Foto: Reprodução/Instagram @jrdanielaugusto)

 
Ídolo brasileiro e ex-atacante da Seleção e da Inter de Milão, Adriano ‘Imperador’ rompeu o silêncio em texto publicado pelo site The Player’s Tribune. Em texto escrito em primeira pessoa, o ex-jogador falou sobre sua carreira e rebateu críticas sobre sua vida na favela.

Na carta, Adriano relatou sobre como quase foi dispensado do Flamengo em sua juventude, quando ainda atuava como lateral, e falou também sobre a sua primeira convocação brasileira, com apenas 18 anos, num jogo válido pelas Eliminatória da Copa de 2002, contra a Colômbia: 

“Tudo aconteceu muito rápido. Eu ainda morava com meus pais na época. E, na verdade, eu estava tirando uma soneca quando eles anunciaram a Seleção na TV. Minha mãe entrou na sala gritando: “Meu filho!”, e eu lá roncando para caramba. (...) Saí da cama e vi meu nome na TV .
  

A origem do Imperador e o amor pela Inter de Milão


Conhecido mundialmente como ‘Imperador’, Adriano ganhou esse apelido na Inter de Milão, mais precisamente num jogo amistoso contra o Real Madrid, onde sofreu uma falta e, na batida, impressionou o planeta pela força de seu chute ao marcar um golaço.

“As pessoas me perguntam o tempo todo sobre aquela cobrança de falta. Como, como, como? Como você chutou a bola com tanta força? Eu digo a eles: Ah, cara! Não sei! Eu bati com a esquerda e Deus fez o resto!”

Segundo Adriano, foi nesse momento em que o amor pelo time italiano começou: “o melhor” que já jogou. Também comentou sobre o então presidente do clube, Massimo Moratti, que reservou certa vez um ônibus para 44 parentes de Adriano realizarem um passeio pela Itália.

O início dos problemas


Os problemas de Adriano começaram de fato em 2004, logo após ser decisivo na conquista da Copa América daquele ano, ao marcar um gol na final contra a Argentina. O ‘Imperador’ recebia a notícia de que seu pai tinha morrido.

“Eu realmente não queria falar sobre isso, mas vou te dizer que, depois daquele dia, meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. (...) Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo. (...) Fiquei tão deprimido, cara. Comecei a beber muito. Eu realmente não queria treinar. Não teve nada a ver com a Inter. Eu só queria ir pra casa. Nem todas as lesões são físicas, sabe?”

Vinda para o Brasil


Após desgaste com Mourinho e com a imprensa da Itália, Adriano voltou ao Brasil para jogar por empréstimo no São Paulo, onde procurou ajuda do REFFIS (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica).
 
“Adriano desistiu de milhões para voltar pra casa. Sim, talvez eu tenha desistido de milhões. Mas quanto vale a sua paz de espírito? Quanto você pagaria para ter de volta a sua essência?””.

Ao retornar para o Rio de Janeiro, para jogar no Flamengo, o ex-atacante comentou que não gostaria de ser mais o ‘Imperador’. Mas, nessa volta, relatou que sentiu alegria em jogar bola, algo que não tinha mais. Também relembrou sobre a “resenha” com o grupo, que após 17 anos deu um título brasileiro à torcida rubro-negra.

“Nunca fui completamente o mesmo depois que meu pai faleceu, mas naquela temporada eu realmente me senti em casa. Senti alegria novamente. Eu voltei a ser o Adriano (...) Eu ganhei quase tudo. E eu tive uma vida incrível, do c******, cara. Sempre tive muito orgulho de ser o Imperador. Mas sem Adriano, o Imperador não presta! Adriano não usa coroa. Adriano é o menino da favela que foi tocado por Deus. Você entende agora? Você vê? Adriano não sumiu nas favelas. Ele apenas voltou pra casa”.

O mundo da bola sempre terá a dúvida: Adriano Imperador tinha grandes chances de se tornar um dos maiores jogadores de todos os tempos?