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Galo abre final da Série A2 contra o Bragantino e já trabalha para a elite

Em entrevista ao Superesportes, coordenadora das Vingadoras, Nina Abreu, fala sobre expectativa de título invicto e planos para a Primeira Divisão

postado em 30/08/2021 09:00 / atualizado em 30/08/2021 10:38

(Foto: Pedro Souza/Atlético)

O futebol feminino do Atlético chegou à final da Série A2 com uma campanha invicta. Nesta segunda-feira (30/8), as Vingadoras iniciam a decisão fora de casa, às 17h, no Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. Diferentemente das fases anteriores – em que disputou seus jogos no Sesc Venda Nova –, o Galo vai mandar a partida de volta no Independência, no feriado de 7 de setembro, às 11h. 

O Atlético enfrenta o Bragantino na final após disputar 11 jogos, marcar 21 gols e sofrer apenas três. Com o avanço de fases, o clube já garantiu R$ 100 mil em premiações. Se for campeão, esse montante aumenta em R$ 20 mil. 
 
Com um time profissional desde 2019, o alvinegro garantiu o acesso ao passar para as semifinais e vai disputar a elite na próxima temporada pela primeira vez. Para a coordenadora das Vingadoras, Nina Abreu, o fato de chegar à decisão já é motivo de comemoração. 

"Já somos vencedoras. O título vai ser uma consequência da nossa vitória de ter chegado à final do Brasileiro. Não podemos perder de vista cada degrau subido para conseguir o acesso e a vaga na final", disse Nina, em entrevista ao Superesportes, na qual falou também dos detalhes do projeto, da montagem do grupo e do investimento na categoria.

"A expectativa é muito boa, porque apesar de todo o respeito que temos ao adversário, do investimento, do movimento de mercado do estado de São Paulo, ainda assim estamos indo com a camisa do Atlético para lutar pelo título. Confio muito no meu time, e principalmente no comando", acrescentou.  

Mesmo sem a presença do público (os jogos com torcida em Belo Horizonte não estão autorizados pela prefeitura), Nina acredita que a disputa da finalíssima no Independência é um avanço para a modalidade e torce para que até lá haja uma mudança em relação à presença de torcedores nos estádios e os fãs possam acompanhar a partida in loco.

A decisão também foi tomada para tornar possível a transmissão do jogo pelo SporTV – além do canal pago, a torcida vai poder acompanhar os dois jogos da decisão pela plataforma Elleven. O link será disponibilizado pelo clube nas redes sociais. 

Sobre o Independência se tornar definitivamente a nova 'casa' das Vingadoras na Primeira Divisão, a dirigente mostra cautela. Ela explica que os custos financeiros são altos, mas afirma que o assunto tem sido conversando internamente. 

"É prematuro. Temos um orçamento que triplicou em três anos, mas temos prioridades. Hoje, jogar no Independência, é muito caro. Qualquer discussão sobre a casa do Atlético na próxima temporada é prematura, são várias possibilidades. Inclusive no que diz respeito à presença do público ou não", disse Nina.

Montagem do grupo e importância de Hoffmann

O técnico Hoffmann Túlio também tem papel fundamental na campanha do time. Ele chegou ao Atlético no começo de 2020, após passar por América e Cruzeiro.

Para Nina, ele foi um 'amparo' para as jogadoras. "Vemos muitas pessoas querendo fazer do feminino trampolim para o masculino. E o Hoffmann abriu mão disso. Ele assiste a muitos jogos do feminino, se envolve efetivamente. Isso ampara muito as meninas. Ele consegue, de uma forma muito específica, agregar tudo isso. Ele tem todo o grupo na mão". 

Segundo a coordenadora, o técnico foi essencial na formação do grupo, mantendo as atletas de qualidade que já estavam no clube, subindo jovens da base e trazendo jogadoras que estavam 'escondidas' no mercado. 

Investimento maior na elite?


Com a equipe masculina investindo fortemente na contratação de jogadores, a torcida do Atlético também questiona os valores na categoria feminina.

Nina explica que o clube vem subindo de patamar nesse aspecto financeiro.

No primeiro ano da modalidade, o investimento geral era de R$ 1,5 milhão. Atualmente, esse valor gira em torno de R$ 6 milhões. Isso possibilita a chegada de grandes jogadoras.

No entanto, Nina diz ser inviável contratar uma atleta 'top' enquanto a estrutura não for a ideal. 
 
(Foto: Arquivo pessoal)
 

"Existe sim uma visão da diretoria. Mas a torcida tem que entender, não adianta a gente crescer desordenadamente, trazer um grande talento, se não tivermos alcançado uma condição de estrutura. A minha diretoria foca na estrutura, que já é boa. Conseguimos chegar na Série A1 administrando isso. Para nos mantermos, temos que oficializar essa estrutura. Não adiantar trazer, por exemplo, a Marta, e não ter boas condições de treinos. Talvez conseguiríamos trazer, mas dessa forma não é viável", explicou. 

O clube já trabalha para melhorar o nível técnico do grupo para a próxima temporada, mas evita falar em nomes ou em quantidade de jogadoras que vão sair e ficar.

A ideia é proporcionar um aumento salarial para as principais atletas e contratar outras que agreguem. O Galo ainda irá disputar o Campeonato Mineiro com este mesmo grupo.

Sobre a Primeira Divisão, Nina mantém os 'pés no chão'. Ela considera o mercado paulista muito forte e diz que o objetivo principal será permanecer na elite. 

"É muita pretensão pensar nisso (em título). Estou falando de mercado. O mercado paulista é muito difícil. O estado de São Paulo está um degrau à frente. Se manter na elite já é muito difícil. Temos que ter humildade. Se eu conseguir manter minha base, já é um bom passo. O Hoffmann quer ficar. Precisamos fortalecer nossa base primeiro", concluiu Nina. 

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