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Jogadoras da Seleção dos Estados Unidos festejam histórico acordo salarial

Lideradas por Megan Rapinoe, atletas vão a campo depois da oficialização do contrato, assinado em maio, que iguala salários com homens

05/07/2022 19:42
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No primeiro jogo após acordo salarial, EUA vencem Haiti com facilidade
foto: Reprodução/USASoccer

No primeiro jogo após acordo salarial, EUA vencem Haiti com facilidade


"Jogamos sabendo que vamos ganhar muito mais!", comemora Megan Rapinoe, capitã da seleção de futebol feminino dos Estados Unidos e líder da luta para conseguir o histórico acordo de igualdade salarial entre homens e mulheres.

O Campeonato Feminino da Concacaf, disputado em Monterrey (México), foi o palco para o retorno da seleção americana a uma competição internacional após o novo contrato, assinado em maio.

"Pinoe", como é chamada pelos torcedores, ficou em campo por apenas 15 minutos, tempo suficiente para se destacar na vitória dos EUA sobre o Haiti por 3 a 0 na estreia.

"Brincamos sobre o dinheiro, mas é uma das formas pelas quais a sociedade te mostra que você vale", disse depois do jogo a atacante.

Com o novo acordo, que ficará vigente até 2028, segundo a imprensa americana, uma jogadora pode ganhar anualmente US$ 450 mil se for chamada em todas as convocações da seleção. Dependendo dos resultados da equipe, este valor pode até dobrar. Anteriormente, essa compensação era inferior a US$ 250 mil.

"Já fizemos o trabalho fora, agora é dentro de campo", disse a zagueira Becky Sauerbrunn, jogadora do Portland Thorns.

Com quatro títulos mundiais e quatro ouros olímpicos, a seleção americana é considerada a mais forte do futebol feminino.

Após ganhar a última Copa do Mundo, em 2019, as jogadoras levaram uma premiação de US$ 110 mil. No entanto, se o mesmo título fosse do time masculino, o prêmio seria de US$ 450 mil.

Mais lucrativas


Afinal de contas, no futebol os salários são medidos em função do dinheiro gerado por uma equipe e essa é uma justificativa constante para a baixa remuneração de jogadoras de diferentes países, que muitas vezes precisam realizar outras atividades para sobreviver.

Mas para as americanas, isso é um ponto a favor, já que, segundo estimativas do The Wall Street Journal, entre 2016 e 2018 a seleção feminina arrecadou US$ 50,8 milhões com venda de ingressos, contra US$ 49,9 milhões do time masculino.

"Era o justo", disse Adrianelly Hernández, comentarista mexicana do programa Cancha y Aparte, especializado em futebol feminino.

"Nos Estados Unidos o esporte masculino mais popular é o futebol americano, por isso ninguém se importou quando as mulheres começaram a jogar 'soccer'. Era um espaço que elas podiam tomar, era perfeito que elas se apropriassem dele", acrescenta a especialista ao explicar o fenômeno desta equipe, aclamada mundialmente e cujas atletas são inspiração para jovens jogadoras.

Para "Pinoe", ser remunerada de forma justa por fazer algo que gosta criou uma "incrível atmosfera" na seleção, inclusive entre os diretores.

"Claro, queremos definir o ritmo para as próximas gerações, para as jogadoras de outros países. Isso é algo bom, estamos muito orgulhosas, tivemos muito trabalho para conseguir".

As norueguesas foram as primeiras a lutar por esta igualdade salarial, em 2017. Após as americanas, as espanholas também conseguiram um acordo histórico, em 14 de junho.

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