Timidamente, os pouco mais de 500 torcedores chegaram ao estádio e foram obrigados a ouvir um grito que predominou até o começo do segundo tempo: “Ão, ão, ão, segunda divisão”. Nem quando a equipe entrou em campo os aplausos foram ouvidos com intensidade, abafados pelos mais de 17 mil cruzeirenses.
No primeiro gol, Alessandro comemorou como se tivesse sido dele, mas não repetiu o gesto do domingo anterior, quando sinalizou que estava tudo acabado. Apenas correu para a torcida. Já Wellington Paulista, ao empatar, gritou: “Eu sou f..... Faço mesmo”.
À medida que o Coelho foi crescendo, na segunda etapa, sua torcida foi ganhando espaço. Pouco importava os bons momentos do rival e a repetição do grito de “segunda divisão”. No momento em que Fábio Júnior fez o segundo gol, um espetáculo que os cruzeirenses jamais esperavam. Aos poucos, foram indo embora e encontraram logo a primeira vítima: “Ô, ô, ô, queremos treinador”. Logo depois que o árbitro apitou o fim da partida, houve um princípio de confusão entre os jogadores, contidos pelos seguranças.
Reconhecimento O volante Moisés desceu as escadas de acesso ao vestiário gritando “acabou, acabou” e repetindo o gesto de Alessandro. Os dirigentes não se continham. A torcida celeste em segundos foi embora. O torcedor que invadiu o gramado (sua identidade não foi revelada) foi levado para a delegacia do estádio e registrado o boletim de ocorrência. Ele queria apenas um abraço de Roger. O jogador, que polemizou durante a semana, foi sincero: “O América mereceu. Foi melhor do que a gente”.
Só não aceitou a festa um outro torcedor celeste, que deu um chute na mãe do volante Dudu, do América. O promotor Francisco Santiago espera as imagens para que seja aberto um processo.
Agora, o Coelho terá o Atlético para a decisão, no Independência, que será o local dos dois jogos, segundo os dirigentes. A última lembrança dos americanos da Arena do Jacaré foi a melhor possível.