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Bracks destaca gestão 'sem picaretagem' no América: salário em dia, folha enxuta e assédio de investidores

Diretor de futebol diz que clube tem folha salarial 12 vezes menor que Cruzeiro e Atlético

postado em 07/10/2019 06:00 / atualizado em 07/10/2019 15:16

<i>(Foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)</i>

“Não se gasta o que não se ganha”. Com essas palavras, o diretor de futebol do América, Paulo Bracks, ressalta a necessidade de adotar responsabilidade financeira para manter as contas em dia. Se por um lado o Coelho tem apenas 10% das receitas de Cruzeiro e Atlético, por outro a folha salarial é 12 vezes menor. A política de “pés no chão” assegura um clube viável e com possibilidade de crescimento em longo prazo.

“Hoje a folha do América é doze vezes menor que a dos nossos rivais e coirmãos Atlético e Cruzeiro. Tem que falar de Atlético e Cruzeiro, porque o América está em Belo Horizonte, e Atlético e Cruzeiro são clubes da Série A e referências. Nossa folha é 12 vezes menor que as folhas de Atlético e Cruzeiro. A gente faz futebol no ano com o que eles gastam no mês”, afirma Bracks, em entrevista ao Superesportes.
 
 

Outro ponto importante é o tamanho da dívida. A empresa de auditoria Ernst & Young fez um estudo sobre os balanços divulgados pelos clubes no exercício de 2018. O América tinha passivo líquido de R$ 63,1 milhões, enquanto Cruzeiro e Atlético apareciam, respectivamente, com R$ 520,1 e R$ 530,9 milhões. O maior débito era do Botafogo, de R$ 729,8 milhões.

“A dívida do América é dez vezes inferior às dívidas de Atlético e Cruzeiro. O América é um clube viável. Financeiramente falando, o América é um clube viável. A gente pega Botafogo, que tem uma dívida muito grande, o primeiro do ranking desse material de auditoria que foi feito. O Botafogo é completamente inviável financeiramente. Atlético e Cruzeiro têm dez vezes a nossa dívida. Hoje, o América tem uma arrecadação menor, trabalha com os pés no chão, e é um clube viável”, pontuou o dirigente americano.

De acordo com Paulo Bracks, o caminho ideal é ter 60% do faturamento aplicado no futebol profissional e o restante utilizado em outras áreas. “Mais do que isso, você compromete suas receitas. Eu tenho feito isso junto com minha equipe e, evidentemente, com a chancela da presidência. Acredito que seja um caminho sem volta dentro do futebol. Pés no chão, fair play financeiro, transparência, gasta o que se arrecada. Se não tem orçamento, não se gasta. Acho que esse é o caminho”.

Embora o diretor não tenha passado números, a reportagem apurou que o América deve encerrar 2019 com receita de R$ 30 milhões. Em 2018, quando disputou a Série A do Campeonato Brasileiro, o clube embolsou R$ 56,6 milhões - graças ao ganho com receita de TV.

Logo, se conseguir o acesso à Série A de 2020, o América vai impulsionar seu faturamento possivelmente na casa dos R$ 60 milhões. Parece ótimo dobrar o orçamento, porém a quantia é pequena se comparada às três maiores receitas do país em 2018: Palmeiras - R$ 653,85 milhões; Flamengo - R$ 542,78 milhões; e Corinthians - R$ 469,94 milhões. Na visão de Paulo Bracks, o caminho para diminuir esse abismo é focar em transferências de atletas.
 
 
 
“A gente tem hoje de estudo no futebol brasileiro a cota de TV como primeiro fator de arrecadação, à frente de transferência, parte comercial, sócio e bilheteria. Eu focaria nos dois primeiros: cota de TV e transferência. Cota de TV passa pelo acesso à Série A, pela manutenção na Série A, que talvez seja a meta do América. O América precisa se organizar cada vez mais, se estruturar e ter uma base sólida para se manter entre os 20 maiores clubes do Brasil sem essa gangorra de subir e descer. Isso passa pelo desempenho em campo. Mas o foco nas transferências acredito que seja o futuro do clube. O clube de futebol hoje precisa vender atletas. Os clubes hoje são compradores ou vendedores. O América já tem a matéria prima, o DNA formador e jogadores de base de muito talento e projeção”.

Investidor estrangeiro?
 
Há ainda a hipótese de conseguir um investidor externo. Recentemente, aventou-se a possibilidade de um grupo chinês realizar aporte de R$ 200 milhões no América. Na Série B, o Bragantino, próximo adversário do Coelho, foi comprado pela empresa de bebida energética Red Bull por R$ 45 milhões. Com dinheiro em caixa, o clube paulista realiza compra de direitos econômicos, paga altos salários e é líder isolado da competição. Paulo Bracks manifestou seu posicionamento sobre o assunto.

“Isso está na mesa do presidente, Marcus Salum, e do superintendente do clube, Paulo Assis. É uma pauta que está muito forte, presente, e eu acredito muito nela. O América, como disse, é viável. É um clube com dívida ínfima, se comparada às de clubes da Série A do Brasil. Tem patrimônio, matéria-prima e está em um centro muito bom, que é Belo Horizonte. Acredito muito que uma parceria de investimento de recursos poderia realçar o América para esse status que o clube busca que é da estabilidade de Série A. Além de ser viável, seria benéfico ao clube”.
 
<i>(Foto: Jair Amaral/EM/D.A. Press)</i>
 

PAULO BRACKS FALA SOBRE FINANÇAS DO AMÉRICA

Nunca foi segredo que o América sempre procurou trabalhar sem fazer loucuras financeiras em função do baixo orçamento. Como funciona hoje essa parte do clube?

"Números eu não vou passar porque eles precisam ser explicados. Até me comprometo a te enviar um documento com números redondos de dívidas, folha, arrecadação e orçamento. Isso é muito importante a imprensa e todos terem ciência desses números. Hoje a folha do América é doze vezes menor que a dos nossos rivais e coirmãos Atlético e Cruzeiro. Tem que falar de Atlético e Cruzeiro, porque o América está em Belo Horizonte, e Atlético e Cruzeiro são clubes da Série A e referências. Nossa folha é 12 vezes menor que as folhas de Atlético e Cruzeiro. A gente faz futebol no ano com o que eles gastam no mês.

Por outro lado, a dívida do América é dez vezes inferior às dívidas de Atlético e Cruzeiro. O América é um clube viável. Financeiramente falando, o América é um clube viável. A gente pega Botafogo, que tem uma dívida muito grande, o primeiro do ranking desse material de auditoria que foi feito. O Botafogo é completamente inviável financeiramente. Atlético e Cruzeiro têm dez vezes a nossa dívida. Hoje o América tem uma arrecadação menor, trabalha com os pés no chão, e é um clube viável.

É um clube viável não apenas financeiramente, mas em ambiente. O América não tem escândalo na imprensa. O América não tem briga política. O América não tem picaretagem. O América não tem isso. É um clube transparente. Os números do América estão aqui, a gente encaminha para vocês. O América é aberto, é um clube viável, é saneado, tem estrutura, e a gente tem que trabalhar com o que arrecadamos. O ideal de um clube moderno e organizado é você ter 60% do faturamento investido em departamento de futebol. Mais do que isso, você compromete suas receitas. Eu tenho feito isso junto com minha equipe e, evidentemente, com a chancela da presidência. Acredito que seja um caminho sem volta dentro do futebol. Pés no chão, fair play financeiro, transparência, gasta o que se arrecada. Se não tem orçamento, não se gasta. Acho que esse é o caminho".

O presidente Marcus Salum disse que uma das dificuldades de manutenção do América na primeira divisão é em razão da receita menor de TV em comparação às dos demais clubes. Qual a ideia para solucionar isso em caso de acesso?

"A gente tem hoje de estudo no futebol brasileiro a cota de TV como primeiro fator de arrecadação, à frente de transferência, parte comercial, sócio e bilheteria. Eu focaria nos dois primeiros: cota de TV e transferência. Cota de TV passa pelo acesso à Série A, pela manutenção na Série A, que talvez seja a meta do América. O América precisa se organizar cada vez mais, se estruturar e ter uma base sólida para se manter entre os 20 maiores clubes do Brasil sem essa gangorra de subir e descer. Isso passa pelo desempenho em campo.

Mas o foco nas transferências acredito que seja o futuro do clube. O clube de futebol hoje precisa vender atletas. Os clubes hoje são compradores ou vendedores. O América já tem a matéria prima, o DNA formador e jogadores de base de muito talento e projeção. Temos exemplo disso no nosso time. Um dos nossos titulares nasceu em 2000. Não tem jogador nascido em 2000 titular na maioria dos clubes da Série A. Então passa pela transferência. É receita por transferência.

Hoje temos, em termos de receita por clube, pegando o estudo do ano passado, a 21ª posição em receita. Então, o América tem que melhorar isso. Passa pela cota e passa pela transferência. E se estruturar cada vez mais. Ter menos dívida, ter os pés no chão, não ser assolado por tributos e encargos. O América tem estádio, CT, uma sede. O clube tem totais condições de melhorar financeiramente, mas isso passa por resultados esportivos em campo e manutenção na Série A. Acredito que esse seja o caminho".

Ainda na parte financeira, o Bragantino foi comprado pela Red Bull e tem maior poder de investimento que outros clubes da Série B. Não à toa, montou um time para ser campeão e lidera a competição isoladamente. Recentemente, o presidente Marcus Salum revelou a possibilidade de investimento de chineses no América. O que você pensa sobre isso?

“Isso está na mesa do presidente, Marcus Salum, e do superintendente do clube, Paulo Assis. É uma pauta que está muito forte, presente, e eu acredito muito nela. O América, como disse, é viável. É um clube com dívida ínfima, se comparada às de clubes da Série A do Brasil. Tem patrimônio, matéria-prima e está em um centro muito bom, que é Belo Horizonte. Acredito muito que uma parceria de investimento de recursos poderia realçar o América para esse status que o clube busca que é da estabilidade de Série A. Além de ser viável, seria benéfico ao clube.

O case Bragantino Red Bull tem o resultado esportivo escancarado para o Brasil. O Red Bull era um clube que, no Brasil, tinha desempenho esportivo muito ruim e praticamente não passava da primeira fase da Série D. O Bragantino teve seu auge nos anos 90. Eles passam a mostrar também ao público geral e à imprensa que podem ser feitos clubes fortes mesmo sem ter bilheteria. Vários clubes tem a torcida e o apelo, mas não conseguem se estruturar, como Santa Cruz, Remo, Paysandu. Entendo que seja um caminho sem volta, mas esse caminho de investimento só será feito em clubes saneados e aptos a receberem investimentos. Tenho certeza de que o Marcus Salum, o Paulo Assis e o conselho de administração do clube estão atentos a isso e prontos para fecharem negócio".

Qual o percentual ideal de receitas de transferência no orçamento de um clube?

"Se você tem, de forma organizada, 60% do faturamento dentro do futebol, com 40% restantes pode reaplicar no clube para gerar lucro. A transferência está nisso, nesse investimento que se faz desde a categoria de base até a formação daquele jogador e a inserção no mercado profissional. Esse é o investimento que se faz no lucro.

O América tem valores a receber de mecanismo de solidariedade e training compensation. Recentemente Danilo, Moisés, Richarlison… são atletas que geram receita para o clube. É uma receita que precisa ser anualmente repensada de acordo com o elenco profissional.

Quando rascunhamos o time de 2020, pensamos em atletas com potencial de venda, que podem ser negociados. Não há números específicos, porque passam pelo balanço do clube, pela diretoria financeira, superintendência, Conselho Deliberativo, auditoria, conselho fiscal… mas é essencial que tenhamos no planejamento esse tipo de consequência”.
 
 

Com relação à gestão de clubes, vemos casos de gastos exacerbados em salários e passivos superando os recebíveis. Como vocês têm se preocupado em fazer do América um exemplo para os demais?

"Essa estabilidade financeira é a base de tudo. É o futuro de todos os clubes. Antes de se falar em clube-empresa, em S.A. (sociedade anônima), em investimento externo, tem que se falar em responsabilidade caseira. Dentro aqui do clube está se gastando mais do que se arrecada? Está errado. O América pode bater no peito e dizer que é um clube viável porque anda na linha. E por mais que o futebol te puxe para o lado errado de gastar mais e investir onde não tem, a gente tem a política de austeridade.

Se você me perguntar: quando você assumiu a diretoria, teve choque de gestão? Não. O América já tem esse choque de gestão. Passa pelo trabalho do Salum, do conselho de administração, da superintendência, do departamento financeiro, do departamento de marketing, do administrativo e do jurídico.

O América é um clube com pouco passivo trabalhista. O América é viável, é um clube com poucas dívidas, estruturado, com os pés no chão. É sem picaretagem! O América não tem picaretagem, anda na linha. Tem ética, correção, pessoas sérias, corretas e transparentes. Tenho certeza que o objetivo próximo do América, de se estabilizar no cenário nacional como um clube da Série A, com condição financeira de subir e permanecer, está perto. O caminho é esse, é da ética, da estabilidade financeira, de não fazer loucura, de não investir o que não tem. É planejar e ter o orçamento desenhado para 2020. Se vier o acesso, espetacular! Vamos usar esse recurso para investir mais.

Porém, o que está sendo feito hoje é o recurso do ano que vem. Com todos os profissionais que hoje trabalham, o América tem sua linha reta e da correção. Não só a torcida do América pode ter orgulho, mas todos os torcedores do futebol brasileiro podem ter orgulho de tão saneado e correto um clube como o América é. Enquanto contarem com a gente, vamos trabalhar para que esse objetivo seja concretizado”.

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