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CRUZEIRO X ATLÉTICO

Cruzeiro x Atlético: saiba a história do 1º clássico disputado há 100 anos

Partida realizada no Prado terminou com vitória do Palestra Itália

postado em 08/04/2021 08:00 / atualizado em 08/04/2021 09:56

(Foto: Arquivo/Belo Horizonte)
A rivalidade entre Cruzeiro e Atlético é tão grande que existem divergências no número de jogos. Na contagem da Raposa, são 496 duelos. Por sua vez, o Galo considera 514. Em meio ao impasse, um consenso: o primeiro clássico, realizado há quase 100 anos, em 17 de abril de 1921, terminou com vitória tricolor por 3 a 0.

Tricolor? Sim! Vermelho, verde e branco eram as cores do uniforme do Palestra Itália, que só mudou o nome para Cruzeiro e adotou o azul e branco na década de 1940, quando o então presidente Getúlio Vargas decretou uma lei que proibia referências às nações inimigas do Brasil na Segunda Guerra Mundial.


Fundado em 2 de janeiro de 1921, o Palestra disputava apenas o seu segundo jogo. No primeiro, venceu por 2 a 0 um combinado entre Villa Nova e Palmeiras, de Nova Lima, em 3 de abril.

O Atlético - grafado pelos jornais como “Athletico” - tinha 13 anos de história e dois títulos: Taça Bueno Brandão (em homenagem ao governador Júlio Bueno Brandão), em 1914, e Campeonato Mineiro (da Cidade), em 1915.

O clube mais forte de Belo Horizonte era o América, que disparou em hegemonia de títulos: 1916, 1917, 1918, 1919 e 1920 (ampliou a série até chegar ao deca, em 1925).

Para formar o seu grupo, o Palestra buscou jogadores no Yale Athletic Club, no Guarany, no Palmeiras e no próprio Atlético. A escalação foi formada por Scarpelli; Polenta e Ciccio; Quiquino, Américo e Kalim; Lino, Spartaco, Nani, Henriqueto e Attilio.

Já o alvinegro entrou em campo com Walter; Furtado e Alvim; Fernando, Eduardo e Coutinho; Hernani, Zica, Amaral, Minoti e Márcio.

O evento no estádio Prado Mineiro fez parte de um festival promovido pela Associação Mineira do Chronistas Desportivos (AMCD) e valia ao vencedor uma medalha de ouro.


O jornal Diário de Minas deu boa cobertura a Palestra x Athletico, que, curiosamente, seria preliminar da vitória do América sobre o Lusitano, por 6 a 0.

Na véspera dos jogos, o periódico destacou que “as partidas prometiam o maior brilhantismo, dadas as forças contendoras”. Na edição de terça-feira, 19 de abril, foi publicado um extenso relato sobre o jogo (leia a íntegra abaixo):

Palestra x Athletico

O primeiro jogo da tarde se realizou entre a novel associação S. S. Palestra Italia e o veterano, Athletico F. C.

Essa partida, cujo resultado despertava o interesse e a curiosidade geraes, terminou com uma brilhante victoria do Palestra pelo score de 3 a 0.

Teve início às 2 e 6 da tarde, entrando em campo, sob as ordens do referee Alexanor Pereira (do América), as equipes destarte organizadas: 

Athletico
Walter, Furtado, Alvim, Fernando, Eduardo, Coutinho, Hernani, Zica, Amaral, Minoti e Marcio

Palestra
Scarpelli, Ticio, Polenta, Chechini, Americo, Kalin, Lino, Spartaco, Nani, Attilio e Henriqueto.

Dado o apito inicial, entra logo o Palestra a atacar, dando perigosas investidas contra o goal de Walter, numa das quaes, aos dois minutos de jogo, Attilio consegue para os palestrinos o primeiro ponto.

D’ahi por deante a partida decorre por largo tempo sem interesse, mas dominando sempre o Palestra contra os athleticanos, que raramente avançam, sendo infelizes nos remates finaes. 

A’s 2 e 17 registra-se uma perigosa avançada do Athletico, mas sem effeito.

Vinte minutos depois, Attilio, que se vinha distinguindo extraordinariamente, marca o 2º goal para sua equipe. 

E o jogo prossegue sempre com certa superioridade do Palestra, até terminar o primeiro tempo, às 2 e 41.

Iniciado o 2º tempo, não se verificam movimentos promissores por parte do Athletico, cuja linha de forwards esteve medíocre, com uma ou outra excepção.

E doze minutos antes de acabar a partida, é Nani quem vasa mais uma vez o goal de Walter, terminando a importante prova com a merecida victoria do Palestra por 3 pontos a 0.

Os players - O juiz

Todos os jogadores do club vencedor mostraram-se trenados e resistentes, faltando-lhes um pouco de technica. Sem dúvida, não se póde deixar de assignalar que Attilio, que foi o melhor player, demonstrando raro esforço e habilidade. Nani também se distinguiu.

Quanto ao Athletico, havia pontos muito fracos. Furtado, Fernando e Coutinho salientaram-se, entretanto, na defesa, sendo que a linha pouco fez. Talvez poderão receber referência Zica, Amaral e Hernani.

O juiz agiu com perfeita imparcialidade, a não ser um o outro deslise muito perdoáveis.


Rivalidade

O segundo embate entre Palestra e Atlético, em 15 de maio de 1921, terminou com vitória alvinegra por 2 a 1. Assim por diante, os clubes foram se enfrentando até estabelecer a principal rivalidade de Minas Gerais na década de 1940.

O Atlético leva vantagem em títulos estaduais (45 a 38) e também no retrospecto do clássico - 207 vitórias, 137 empates e 170 derrotas, segundo os próprios números.

Já o Cruzeiro, que considera 169 vitórias, 132 empates e 195 derrotas, obteve mais troféus em competições nacionais e internacionais: Copa do Brasil (6 a 1), Campeonato Brasileiro (4 a 1) e Copa Libertadores (2 a 1).

Neste domingo, às 16h, as equipes escrevem mais um capítulo dessa interminável história, em compromisso no Mineirão, pela nona rodada da primeira fase do Mineiro 2021.

Com aporte financeiro de conselheiros bilionários, o Atlético investiu em reforços de peso, como o meia Nacho Fernández e o atacante Hulk, e é considerado favorito.

Por sua vez, o Cruzeiro tenta construir uma identidade de jogo no estadual para brigar por seu principal objetivo em 2021: ficar entre os quatro primeiros da Série B e retornar à elite do Brasileirão.

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