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Crise na Venezuela afeta futebol local e interfere na disputa da Copa Libertadores

Cruzeiro e Atlético têm equipes do país em seus grupos no torneio continental

postado em 14/03/2019 11:19 / atualizado em 14/03/2019 11:26

<i>(Foto: Johann Sánchez/Caracas FC)</i>
A crise social, política e econômica na Venezuela também tem afetado o futebol local. Por causa do blecaute que atinge o país há uma semana, a competição nacional foi adiada por tempo indeterminado e o Deportivo Lara não conseguiu viajar até Belo Horizonte para enfrentar o Cruzeiro pela Copa Libertadores.

O duelo deveria acontecer, inicialmente, na quarta-feira. Como o elenco não embarcou para Belo Horizonte, a Conmebol remarcou para quinta. Para tentar vir ao Brasil, o time viajou até Valencia, a 200 quilômetros de distância de sua cidade, mas novamente enfrentou problemas e não embarcou. Durante a quarta-feira, improvisou um treinamento.

Depois, veio o obstáculo inicial de ordem burocrática: a companhia venezuelana de aviação disponível em Valencia não tinha autorização para voar em território brasileiro. Além disso, o Cruzeiro recebeu a informação que não havia combustível suficiente para a viagem. O voo faria escala em Manaus para reabastecimento.

O clube mineiro chegou a oferecer ajuda financeira, mas não adiantou. O Deportivo Lara não conseguiu desembarcar em Belo Horizonte a pelo menos 24 horas do início da partida, como pede as regras da Conmebol. Em comunicado, o time venezuelano agradeceu ao Cruzeiro pelo apoio e solidariedade e lamentou não ter conseguido honrar com o compromisso.

A Conmebol remarcou o duelo para 27 de março, que coincide com uma Data Fifa, reservada para amistosos entre seleções. Caso o clube venezuelano não compareça novamente, a entidade concederá a vitória ao Cruzeiro por W.O.. O Atlético, outro clube mineiro envolvido na competição continental, também pode ter problemas, já que tem o Zamora em seu grupo. O Galo enfrenta o time venezuelano no Mineirão, em 3 de abril, e depois terá que ir ao país vizinho, em 7 de maio, no encerramento da Chave 5, da fase de grupos da competição.

O blecaute que atrapalhou a Libertadores também desativou a rede de telecomunicações do país, tornou a luta por alimento e água ainda mais complicada e aprofundou as dificuldades do debilitado sistema médico no país. O número de mortes em hospitais chegou a 21, de acordo com a ONG Médicos pela Saúde, que tem registrado as deficiências dos 40 maiores hospitais da Venezuela.

No futebol local, na rodada do último fim de semana do Campeonato Venezuelano, Zulia e Caracas se recusaram a jogar em protesto por falta de condições mínimas. As duas equipes entraram em campo em Maracaibo, mas após o apito do árbitro permaneceram o primeiro minuto sem se movimentar. Depois, seguiram o restante dos dois tempos tocando a bola de um lado para o outro à espera do término.

O governo de Nicolás Maduro diz que o crise de energia ocorreu devido a uma "sabotagem" na hidrelétrica de Guri, a principal do país. O presidente, no entanto, não deu detalhes sobre como isso ocorreu. Os governistas afirmam que estão tentando resolver a falha e garantem que o abastecimento está sendo restabelecido lentamente.

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó convocou manifestação, em data a definir, para pressionar pela saída de Maduro, a quem responsabilizou pelo apagão que atinge o país produtor de petróleo.

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