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Fillipe Soutto fala sobre história no Atlético, momento no Ituano e sonho de jogar na Europa

Em entrevista ao Superesportes, volante passa carreira a limpo e explica motivos que o levaram a sair do Galo no ano do título da Libertadores

postado em 22/11/2020 07:00 / atualizado em 22/11/2020 11:56

(Foto: Renato Weil/EM D.A Press e Arquivo pessoal)
Fillipe Soutto subiu ao time principal do Atlético durante o Brasileirão de 2010, mas foi na temporada 2011 que ele se consolidou como titular, com apenas 20 anos, ao demonstrar boa visão de jogo, qualidade no passe e capacidade para participar da construção ofensiva da equipe. Era a realização do sonho de um jovem que havia iniciado sua trajetória no futsal do clube ainda criança, aos 5 anos, em 1996.


Ao relembrar a carreira em entrevista ao Superesportes, Soutto, que disputa a Série C pelo Ituano, falou sobre o momento mais marcante no Galo. Foi no clássico contra o Cruzeiro, em 28 de agosto de 2011, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o camisa 25 arriscou chute de longa distância e mandou a bola no ângulo esquerdo de Fábio.

“Imagine uma criança que torce para um clube, tem o sonho de ser jogador e consegue, desde criança, jogar nesse clube, formar-se nesse clube, subir ao profissional desse clube e fazer o primeiro gol contra o maior rival. É difícil mensurar isso, cara. É muita emoção e gratidão. Até hoje, nada que vivi na minha carreira é capaz de superar”, disse.

“Talvez no dia em que eu fizer um gol com minha filha no estádio, algo assim, possa chegar perto. Mas foi um cenário maravilhoso. Além de tudo isso, meus familiares estavam no estádio e puderam presenciar e compartilhar essa alegria comigo. O cenário só não foi perfeito porque perdemos o jogo. Mas, individualmente, foi maravilhoso”, complementou.

Em 2011, Soutto foi titular em 34 partidas. Além do gol na derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, o meio-campista balançou a rede na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras, pela 32ª rodada, em 30 de outubro. Também em uma bonita jogada, tabelou com o atacante André, recebeu toque de calcanhar e encheu o pé no canto direito de Deola.

Perda de espaço com Cuca


(Foto: Rodrigo Clemente/EM D.A Press - 02/11/2012)

Apesar do bom momento individual, Fillipe começou a perder espaço na equipe em 2012. O técnico Cuca deu preferência a um esquema tático com dois volantes de contenção, Pierre e Leandro Donizete, em razão da presença de atletas com características bastante ofensivas, casos do lateral-direito Marcos Rocha, do meia Danilinho, do armador Ronaldinho Gaúcho e dos atacantes Bernard e Jô.

“Eu tentava mostrar que era capaz de exercer o poder de marcação e contribuir de uma forma maior na parte técnica. Mas, como falei, é muito difícil se transformar num jogador de marcação, assim como o maratonista se transformar num corredor de 100 metros. São valências e necessidades do corpo totalmente diferentes”.

Menos aproveitado em 2012, Soutto participou de 18 jogos (10 como titular) e marcou um gol - na vitória por 5 a 0 sobre o Penarol, do Amazonas, pela segunda fase da Copa do Brasil. Em 2013, o volante conversou com o técnico Cuca e revelou o desejo de seguir a carreira em outro clube. Assim, houve uma troca entre Vasco e Atlético envolvendo o atacante Alecsandro.

Enquanto o Galo comemorou o maior título de sua história, a Copa Libertadores de 2013, o Vasco acabou rebaixado à Série B. Fillipe lamentou por não ter feito parte do grupo campeão continental, porém explicou que precisava respirar novos ares. “Não me arrependo, pois não fui omisso e não sentei em cima do contrato. Fui buscar a minha realização em outro lugar”.

Sonho europeu


(Foto: Divulgação/Vitória)

Em 2014, Soutto teve a segunda passagem pelo Atlético, de apenas três jogos. Na sequência da carreira, rodou por Joinville, Náutico, Linense, Londrina, Red Bull Brasil e Vitória. Em 2019, alimentou a expectativa de jogar no exterior e chegou a negociar com o Jubilo Iwata, do Japão, e o Rayo Vallecano, da Espanha. Contudo, as conversas não avançaram.

Em meio ao ano sabático, o atleta obteve passaporte europeu por ser descendente de portugueses. Assim, aos 29 anos, ainda sonha com uma experiência fora do Brasil - desde que seja um projeto que permita boa adaptação à esposa, Marcela, e à filha Helena, de 5 meses.

“Tenho a vontade de jogar, mas precisa ser algo muito concreto. Tenho filha, e não é o momento de aventuras mais. Tenho um tempo considerável de carreira para ter as oportunidades, sair e jogar. Ter essa experiência diferente depende do que surgir daqui pra frente”.

Ituano


(Foto: Divulgação)

Enquanto a oportunidade de sair do país não surge novamente, Fillipe Soutto se diz feliz no Ituano, ao qual chegou em dezembro de 2019, em negociação conduzida por seu representante, Cristiano Hosken. Após perder grande parte do Campeonato Paulista devido uma lesão muscular, o volante voltou em alta na Série C e é o camisa 7 da equipe treinada por Vinícius Bergantin, ex-zagueiro do Hannover 96, da Alemanha.

“É um clube que abriu as portas para mim, muito organizado, que, ao contrário da maioria dos clubes do Brasil, manteve os pagamentos em dia durante a pandemia. Isso também é um ponto muito positivo diante do cenário em que vivemos no futebol brasileiro. Daí optei, resolvi ficar e tenho contrato até o fim da Série C”.

Nesse sábado, o Ituano subiu para a segunda posição do Grupo B da Série C ao vencer o Boa Esporte por 4 a 3, no estádio Novelli Júnior, em Itu, pela 16ª rodada. Soutto marcou o segundo gol, aos 7 minutos da etapa final, com um belo chute de pé esquerdo de fora da área. A bola entrou no ângulo direito (assista ao vídeo). Com o quarto triunfo seguido, a equipe do interior de São Paulo passou a contabilizar 26 pontos (sete vitórias, cinco empates e quatro derrotas).


As habilidades de Soutto vão além da bola no pé. Fluente em inglês e espanhol, o jogador é graduado em administração de empresas pela Universidade Estácio de Sá (2017) e em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (2019). Em agosto de 2020, tornou-se colunista do site FutClass - Academia de Futebol, para o qual escreve e grava vídeos com reflexões sobre a profissão. Leia abaixo a íntegra da entrevista de Fillipe ao Superesportes.
 

ENTREVISTA COM FILLIPE SOUTTO


SITUAÇÃO NO ITUANO

“Atualmente estou jogando no Ituano. Vim para disputar o Campeonato Paulista deste ano, mas foi um ano atípico. Devido à pandemia, tudo virou de cabeça pra baixo, no mundo do futebol também. O contrato era até abril, mas, com a pandemia, foi estendido até o fim da Série C. Nem sabíamos que ia haver os dois últimos jogos do Campeonato Paulista, nem tampouco a realização da Série C. Mas, assim que foi definido o calendário e a participação do Ituano na Série C, recebi o convite para ficar e não pensei duas vezes”.

“É um clube que abriu as portas para mim, muito organizado, que, ao contrário da maioria dos clubes do Brasil, manteve os pagamentos em dia durante a pandemia. Isso também é um ponto muito positivo diante do cenário em que vivemos no futebol brasileiro. Daí resolvi ficar e tenho contrato até o fim da Série C”.

EXPECTATIVA DE RENOVAÇÃO

“Já há conversas para renovação. Mas o clube tem tratado esse tema de forma bem cautelosa, porque há a possibilidade de o campeonato parar novamente devido ao aumento de casos de coronavírus. É um planejamento do clube ficar com alguns jogadores, e eu tenho conversado sobre essa possibilidade ao meu respeito”.

“Mas acho que eles estão fazendo certo, porque criar expectativa para o início do ano que vem, para um novo Paulistão e até mesmo um novo Brasileiro não é o mais apropriado no momento. Não sabemos o que vai estar acontecendo daqui um mês no Brasil, se a Série C vai terminar no tempo previsto, enfim. O fato de este ano ter sido atípico acaba comprometendo o planejamento para o ano que vem”.

MOMENTO NA CARREIRA

“Estou vivendo um momento novo na minha carreira. Depois de jogar algumas Séries A e B, é a primeira Série C que disputo. É um campeonato diferente, porque é eliminatório. Tem a parte dos pontos corridos, mas depois começa a ser um campeonato eliminatório. Tem uma atmosfera diferente, os jogos são diferentes, questão de logística e tudo mais”.

“Mas, individualmente, tenho lidado bem com essas novidades, essas diferenças dos campeonatos. Acho que contribui o fato de eu estar numa equipe organizada e em um clube que disputa o melhor campeonato do primeiro semestre no Brasil, que é o Paulistão. Então há uma estrutura, há uma organização necessária para que o time seja competitivo também na Série C. Isso me ajuda muito”.

RENDIMENTO NO TIME

“Tenho conseguido jogar bem, estou me sentindo bem em campo. Nesses últimos jogos, principalmente, desde o início do returno da primeira fase, nosso time tem crescido na competição. É um momento importante do campeonato, e isso também tem me ajudado. Na medida em que o time vai ganhando e se encorpando, o crescimento individual acontece. E a perspectiva de voltar ao cenário da elite do futebol brasileiro passa pelo meu rendimento, pelo meu desempenho. Tenho tentado fazer o máximo em campo para que consiga voltar à elite e jogar no mais alto nível do futebol brasileiro o quanto antes”.

POSICIONAMENTO EM CAMPO

“Aqui, o esquema tático alterna entre o 4-1-4-1 e o 4-4-2, com duas linhas de quatro. Então consigo às vezes jogar um pouco à frente no 4-1-4-1 ou lado a lado com outro volante no 4-4-2. Em ambas as posições, tenho liberdade para chegar à frente, construir e assumir a bola parada. Tenho me sentido à vontade dentro do esquema tático, isso é importante, pois potencializa o meu trabalho e também de quem está jogando comigo”.

“As características do meu jogo são bem parecidas com a forma como jogava quando comecei. Claro que na medida em que o tempo passa, a experiência nos traz alguns ensinamentos. Não sou velho, estou em uma idade boa para o futebol, mas é necessário que me cuide e esteja sempre atento aos sinais que o corpo dá. Para jogar todos os jogos e ser regular no maior tempo possível, é necessário ter esse cuidado com o corpo e com esses ensinamentos que a vida do futebol me trouxe”.

INÍCIO NO ATLÉTICO

“Quando surgi para o futebol profissional no Atlético, vinha há algum tempo sendo preparado pelo Rogério Micale, que é um treinador muito visionário. Eu já sabia mais ou menos a função que o volante do futebol moderno precisava desempenhar. Quando subi, já tinha isso na cabeça, era natural, eu fazia no sub-20. Mas não era tão comum no futebol profissional, e causou aquela surpresa positiva na torcida, na imprensa e encaixou na necessidade de momento do time naquele ano de 2011”. 

“Mas, no outro ano - claro que não posso atribuir só a isso -, grande parte do motivo de eu não ter uma sequência foi o fato de o treinador preferir jogadores com maior poder de marcação em detrimento da qualidade técnica. Eu era obrigado, nas conversas que tinha com ele, a marcar como os outros e jogar como eu mesmo. Mas os outros não eram obrigados a jogar como eu jogava na época. Isso de certa forma é um pouco injusto, mas, como dizem, ‘o cliente e o treinador sempre têm razão'”. 

“Acabava que tinha de me adaptar a uma circunstância que, por mais que me esforçasse bastante, jamais seria característica minha. Jamais me tornaria volante de marcação, pegador, sendo que a vida inteira o que eu tinha de melhor era a parte técnica. Só que eu precisava me adaptar ao que o treinador exigia na época, e isso acabou causando uma confusão”.

“Eu era muito novo, não sabia discernir até que ponto valia a pena ir pela cabeça do treinador, e isso acabou me prejudicando. Claro que faço mea-culpa, tenho minha parcela de responsabilidade, mas não me culpo por isso porque sei que na pergunta há a resposta para tudo que aconteceu”.

GOL NO CLÁSSICO EM 2011

“Imagine uma criança que torce para um clube, tem o sonho de ser jogador e consegue, desde criança, jogar nesse clube, formar-se nesse clube, subir ao profissional desse clube e fazer o primeiro gol contra o maior rival. É difícil mensurar isso, cara. É muita emoção e gratidão. Até hoje, nada que vivi na minha carreira é capaz de superar”.

“Talvez no dia em que eu fizer um gol com minha filha no estádio, algo assim, possa chegar perto. Mas foi um cenário maravilhoso. Além de tudo isso, meus familiares estavam no estádio e puderam presenciar e compartilhar essa alegria comigo. O cenário só não foi perfeito porque perdemos o jogo. Mas, individualmente, foi maravilhoso”.

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM D.A Press)

DIFICULDADES EM SE ADAPTAR À EQUIPE DE CUCA

“Era necessário fazer um esquema de mais contenção dos volantes e da linha de três pelo fato de o Atlético ter contratado o Ronaldinho e encaixado o time com Danilinho, Bernard, Marcos Rocha e outros. Os laterais-esquerdos que jogavam, Júnior César e Richarlyson, eram quase proibidos a passar do meio-campo. Eu conseguia fazer essa leitura. Naquele ano, até tive algumas oportunidades. Não era titular, mas joguei vários jogos do Campeonato Brasileiro. À época, apenas 18 jogadores eram relacionados, e já era uma vitória ir para o banco com aquele elenco de muita qualidade”.

“Eu tentava mostrar que era capaz de exercer o poder de marcação e contribuir de uma forma maior na parte técnica. Mas, como falei, é muito difícil se transformar num jogador de marcação, assim como o maratonista se transformar num corredor de 100 metros. São valências e necessidades do corpo totalmente diferentes”.

“Tentei, dentro das minhas condições, melhorar a parte de marcação. A forma como eu tentava fazer isso era treinando. Quem me conhece e me acompanhava no dia a dia, via a minha postura profissional. Mas, entra em questão a preferência do treinador por determinados jogadores. Tanto que no outro ano o Cuca ainda trouxe o Josué, outro jogador de marcação que ele queria usar caso o Pierre ou o Donizete não jogasse. Foi ali que senti que não era mais da preferência dele e pedi para ser emprestado. Conversei com o Cuca, senti que ele ia contratar outros jogadores com característica mais apurada de marcação e entendi que seria difícil para mim”.

“Entenda que essa leitura que faço é de hoje. Na época eu quebrava a cabeça, ficava maluco, chegava mais cedo para treinar e saía mais tarde. Ia ao auxiliar pedir um feedback, dizia que precisava fazer um trabalho de mais força de marcação, tentei ao máximo. Acho que consegui melhorar ao longo desses anos o meu poder de marcação”.

“Até por uma leitura tática, não acredito que o futebol tem de ser feito de jogadores de criação e de marcação. Hoje em dia todos têm de jogar e marcar. É muito difícil separar uma coisa de outra. Aqueles que não sabem criar têm de pelo menos não errar. E aqueles que não sabem marcar têm de ocupar espaço. O adversário pode até passar, o que não pode passar é a bola”.

“Então, se você souber marcar o espaço onde a bola está, praticamente resolve o problema. Mesmo que o adversário tenha qualidade e capacidade para passar de você, a bola não vai chegar com tanta facilidade para o outro dominar. Você vai dificultar o passe, que virá mais forte, o domínio será complicado. A linha de marcação atrás dos volantes conseguem adiantar e roubar a bola. Então o futebol é muito sistêmico. Não preciso roubar a bola para mostrar que sou um grande marcador, e sim dificultar o adversário, mesmo que seja um colega de time a roubar a bola”.

RÓTULO DE SER UM VOLANTE DE POUCOS DESARMES

“Essa análise crua e isolada dos jogadores nunca é boa, na minha opinião. Por exemplo, o cara é artilheiro do time, mas o time todo tem mérito. Ele não pega a bola do pé do goleiro e vai lá dentro fazer o gol. O time tem que criar uma jogada para o cara fazer o gol. Ah, o cara fez 30 gols de pênalti, mas o time sofreu 30 pênaltis.. Ah, aquele jogador acertou não sei quantos cruzamentos. Ele só acertou porque alguém foi lá e fez o gol. Senão, seria só mais um cruzamento na área, ninguém computaria acerto de cruzamento. E desarme é a mesma coisa, não é eu ir lá, roubar a bola e entregar a um companheiro meu. Até porque isso acontece muito, né?! Muitos jogadores são bons para desarmar e ruins para passar. Ou seja, roubam a bola e entregam novamente ao adversário. Adianta o quê?!”

“Respeito a opinião de todo mundo, de coração, mas me pergunto por que se cobra do jogador X marcar como marca o Y, mas não se cobra do Y como se joga o X. Aí vem falar: ‘aquele jogador é bom, mas não marca’. Por que não potencializar isso do cara que é bom? Tem que ressaltar só o que o cara não faz de bom? Acaba ficando uma coisa um pouco injusta, sem um critério bem definido. Eu respeito, não posso falar que a pessoa está errada, mas meu ponto de vista é esse. Mas, ciente de que não era suficiente pensar assim, treinava todo dia para me tornar um jogador mais completo”.

SAÍDA DO ATLÉTICO EM 2013 (TIME FOI CAMPEÃO DA LIBERTADORES)

“Por um lado, sim (chateação por não ter feito parte do elenco). Fui criado no clube e gostaria de ter esse gostinho de ser campeão e feito parte daquele grupo. Mas, por outro, não existe um arrependimento. Eu não me omiti quando achei que era o momento de investir na minha carreira, ter um novo momento e dar um passo diferente”.

“Até aquele momento eu tinha 17 anos de vínculo com o Atlético e estava vivendo todas aquelas emoções de ter sido destaque em um ano, e no outro não ter jogado tanto. Daí tomei a decisão de conversar com o diretor na época, o Eduardo Maluf, para ser liberado e ter oportunidade em outro gigante do futebol brasileiro, o Vasco”.

“Claro que gostaria de ter a honra de ser campeão da Libertadores, isso estaria no meu currículo e nas fotos para sempre. Mas não me arrependo, pois não fui omisso e não sentei em cima do contrato. Fui buscar a minha realização em outro lugar”.

(Foto: Marcelo Sadio/Vasco)

DECISÃO DE DEIXAR O GALO

“No fim de 2012, eu fui conversar com o Cuca. Ele me garantiu que eu estaria entre os 18 no ano seguinte, independentemente das contratações e tudo mais. Disse que eu era um jogador que ele gostava e fazia parte do elenco - Bernard e eu éramos os mais novos do elenco -, que eu seria muito importante em 2013”.

“Mas não senti que seria tão importante assim, pois ele havia me falado a mesma coisa no ano. Falei que queria sair, e ele respondeu que se fosse uma coisa boa não iria se opor, pois queria me ajudar. Surgiu o interesse do Vasco, o Atlético queria também um reserva para o Jô, que era o Alecsandro. E o Alecsandro queria sair do Vasco. Então acabou casando tudo. Não sei se contratualmente foi uma troca, mas acabou sendo”.

TEMPORADA 2019 SEM CLUBE

“Eu fui num projeto para o Japão e para a Europa, e ambos os projetos não deram certo. Eu prefiro nem falar sobre isso, porque é uma história muito longa. Mas acabou não sendo de todo ruim, pois fui buscar minha cidadania na Europa, meu passaporte comunitário. Ninguém me forçou, eu mesmo abri mão pelo sonho de jogar fora. Acabou não se concretizando da forma que eu queria. Mas passou. Está bom”.

SONHO DE JOGAR NA EUROPA

“Eu tenho o sonho, e acho que todo jogador tem de jogar em outra cultura. Tática e tecnicamente eu sinto que é um futebol diferente, até em questão de gestão também. Hoje temos acesso a algumas séries, como a do Tottenham, do Manchester City, do Barcelona, do Sunderland, várias séries que comprovam que a parte de gestão na Europa é mais profissional do que no Brasil em geral”.

“Tenho a vontade de jogar, mas precisa ser algo muito concreto. Tenho filha, e não é o momento de aventuras mais. Tenho um tempo considerável de carreira para ter as oportunidades, sair e jogar. Ter essa experiência diferente depende do que surgir daqui pra frente”.

RETORNO A BELO HORIZONTE

“Seria uma ótima oportunidade retornar à minha cidade e defender um clube de Belo Horizonte. Tenho a minha história no Atlético, fiquei 20 anos vinculado ao clube. Toda vez que estou em BH sou bem recebido pelos torcedores. Na rua, às vezes, quando me reconhecem, me tratam com carinho”.

“Eu não tive nenhum momento ruim no Atlético, isso é um ponto positivo para a minha carreira. Vários jogadores saem com a porta fechada, queimados, mas isso não aconteceu comigo. Mas tudo depende de comissão técnica, análise de desempenho, minutagem, sites e aplicativos que estudam a temporada do jogador, tem muita coisa que influencia na escolha dos clubes”.

“Tenho conhecidos que trabalham nos três clubes do futebol mineiro, que vivem realidades distintas: o América num momento mágico, o Cruzeiro no pior momento da história e o Atlético tentando ser a grande potência do futebol. São momentos distintos e fáceis de definir”.

“Eu tento fazer o meu trabalho no dia a dia. Este ano provou que não adianta fazer planejamento em longo prazo, pois tudo pode mudar a qualquer momento. É um grande aprendizado para a minha vida também. Tento fazer o meu trabalho no presente para que o futuro surja gradativamente e eu colha bons frutos”.

TÉCNICOS COM QUEM MAIS SE IDENTIFICOU

“Para ser bem sincero, talvez o Cuca seja o último da lista. E não é nada pessoal. Mas não é um cara que me ensinou taticamente e tecnicamente. Eu colocaria, não em uma ordem, o Alberto Valentim, um cara muito didático; o Paulo Autuori, o Cláudio Tencati, que hoje está no Brasil de Pelotas e foi meu treinador no Vitória; o Moacir Júnior, na questão de confiança no meu futebol; e até o próprio Vagner Mancini, é um treinador que tem a qualidade dele”.

“O Mancini ajudou, mesmo eu não sendo volante de marcação, a ter números expressivos na posição. Ele é um cara que aposta nessa questão do esquema tático ser mais importante do que a característica individual do jogador. Com ele coloquei em prática essa questão de fechar espaços e induzir o adversário ao erro”.

“Lógico que o Cuca, o Dorival Júnior, o Adilson Batista, o Petkovic, o Lisca e o Gilmar Dal Pozzo me ensinaram alguma coisa. Mas esses que citei antes são os principais”.

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