Atlético

FRED MELO PAIVA

A história vai passar de novo na nossa frente

Confesso, atleticano descrente, que não apenas creio no milagre: eu acredito é no milagre dos milagres!

postado em 01/11/2014 12:00

Fred Melo Paiva /Estado de Minas

Mauricio Val/VIPCOMM
Peço ajuda ao atleticano descrente: como é possível não acreditar? Porque, juro, eu gostaria mesmo é de já ter jogado a toalha, tanto na Copa do Brasil como no Brasileirão. E agora, em vez de pensar em Atlético 90% do tempo em que estou acordado, meu córtex cerebral ficaria liberado para processar outros assuntos, como o trabalho e a família, relegados a 10% da minha cabeça animal.

O problema é que eu vi Riascos ir pra bola, e Victor de bico isolar. Vi Deus derrubar o disjuntor no Horto, vi o gol de Guilherme, e aquele terço na marca da cal. Vi a derrota em Assunção, e a testada de Leo Silva aos 42 do segundo tempo. Vi El Tanque derrapar, e o Roberto Baggio do Paraguai nos dar o título impossível, aquele que me fez jogar fora o epitáfio que eu planejava desde a final de 1999: “Vim, vi e perdi”. (Deixo este para Júlio César, o goleiro.)

Como é que eu faço agora pra não acreditar, se outro dia mesmo teve a Recopa e, de novo, aquele estilo Dilma de vencer só depois de 90% dos votos apurados? De novo, nesse Mineirão que só dava azar, e que agora é o palco principal da nossa fortuna.

Qual é a mágica, atleticano descrente, pra não botar uma fé depois daqueles 4 a 1 contra o Corinthians? Depois daquilo, meu amigo, eu tô acreditando é em tudo – segredo de Fátima, CIA matando o Kennedy, capa da Veja, duende, disco voador, reforma política, tudo.

Você pode me dizer que o Guilherme estava em campo jogando o fino da bola, e que agora não estará mais. Sim, é verdade. Mas eu te pergunto, então, atleticano descrente: com Guilherme ou sem Guilherme, você acha normal um gol de Edcarlos? Aos 40 do segundo tempo? Com uma estranha chifrada que faz a bola bater em sua própria coxa e depois na trave, antes que o Caixa pudesse enfim gritar o “caixa” mais sinistro de sua vida? Com a autoridade do ateu, posso lhe garantir que foi coisa de Deus.

E embora ateu, começo a acreditar que alguma coisa tá guardada pra nós mais uma vez. Confesso, atleticano descrente, que não apenas creio no milagre – eu acredito é no milagre dos milagres! No Dátolo livrando-se do espírito de Emerson Conceição e reencarnando R49. No Jô pedindo o hino no Fantástico, obination style, e em mais um do Leo, nosso testa de ferro.

Tô crendo em um novo 4 a 1, meu amigo! Porque o Flamengo tinha só duas chances de matar o jogo no Maraca, onde 7 mil atleticanos engoliram 35 mil flamenguistas no gogó: ou ganhava de 1, ou metia 5. Escolheu fazer 2 a 0, coitado, nosso mais mítico placar. Chego a achar que São Victor pegaria aquele pênalti. Mas como santo que entende das providências lá de cima, deixou entrar por querer – ele sabe que o 2 a 0 é a senha no caixa eletrônico de Deus.

Eu estava no sofá da sala quando Victor pegou o pênalti. Nunca mais cometo esse desatino. E por isso recomendo ao atleticano descrente que vá logo comprar o seu ingresso, porque a gente precisa da sua garganta, da veia estufada do seu pescoço – e você mesmo não vai se perdoar por ter ficado de fora da sessão de descarrego. Vem logo, meu chapa, todo mundo junto, petralhas e coxinhas, para exorcizar mais esse encosto! Sai, José Roberto Wright! Sai, José de Assis Aragão! Sai, que a história vai passar de novo na nossa frente.

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