“O que o Atlético fez é simplesmente tornar viável o futebol do Atlético. É vender caro o que é do Atlético. O esclarecimento é o seguinte: o Atlético é detentor de 45% de toda a renda do Independência: namming rights, bares, restaurantes, ambulantes, venda de produtos, cadeira vip, camarote, exploração de estacionamento, em qualquer jogo, a não ser o do América, que tem o seu contrato particular com o Governo e o Atlético não tem conhecimento do que é. Em momento nenhum o Atlético pretende tomar o estádio do América. O Atlético, em momento nenhum, disse ou escreveu em nenhum contrato que o estádio é do Atlético. O Atlético simplesmente foi procurado por uma empresa que precisava de conteúdo e o vendeu da melhor forma possível”, esclareceu, em entrevista à Rádio Itatiaia.
Kalil foi enfático ao dizer que o Atlético não vai gerir o Independência. “O Atlético não vai gerir nada, porque não interessa. Nós temos um shopping center que deve valer 10 ‘Independências’. Mas não temos interesse em gerir shopping center. Nós queremos o dinheiro que o shopping center dá. O Atlético trabalhou, e duro, e certo e consultando os órgãos todos. Estou podendo dizer isso agora porque a confidencialidade do contrato foi por água abaixo, porque está publicado para Deus e o mundo na internet. Então, estou autorizado pelo BWA para falar isso. Não altera em nada o direito do América. Ninguém vai dar palpite em nada. Vou pagar a minha parte, vou entregar o dinheiro para a BWA, que é meu único sócio, e vou receber através de uma sociedade de cota de participação o lucro do negócio. Quando o Atlético quer mais dinheiro dá esse ‘bafafa’ que deu.”
Clube mais rico de Minas
O presidente atleticano fez questão de reiterar que o Atlético não agiu na ilegalidade. Apenas aproveitou, segundo ele, uma oportunidade que estava dada no mercado e que isso manterá seu clube como o mais rico do estado.
Kalil enfatizou também que o Atlético submeteu o contrato a especialistas e que o maior intuito com a parceria é a de aumentar as receitas do clube. “Nós não queremos tomar estádio do América, não interessa por escudo do Atlético. Nós queremos dinheiro. Trabalhamos para arrecadar muito. Vendemos caro o conteúdo para a BWA. Nosso contrato foi hoje (terça-feira) para o Estado, de manhã. Consultamos a promotoria e o Ministério Público e recebemos a mesma resposta: ‘esse é um contrato particular entre duas empresas, ninguém tem que se meter’. Se ferir, em algum momento, a licitação, aí sim a legalidade deve prevalecer. E nós tivemos o mais absoluto cuidado para que isso não aconteça. Fomos rápidos e ágeis em viabilizar primeiro o estádio e em pegar a maior fatia possível”.
Vestiário, privadas... Detalhes que não interessam
Questionado sobre datas de jogos, uso de vestiários e detalhes do estádio, Kalil disse esses temas têm interesse menor para o Atlético. “Quem bota data é a Rede Globo. O vestiário, está na concorrência, quem usa é o América, é o América que vai usar. Se o banco é azul ou verde, se tem que ter placa no banheiro ou na privada, vai ter placa. Eu não tenho nada com isso. O que eu tenho é o seguinte: o que rende o estádio, 45% do lucro vem para o cofre do Atlético”.
Por fim, o presidente disse que o Atlético vai estar atento aos seus direitos e que fará jus aos R$ 8 milhões que investiu no Independência. “O Atlético vai colocar, por baixo, oito milhões de reais em investimento no estádio. É o mínimo que o Atlético pode exigir. O América tem seus direitos preservados. O Atlético investiu oito milhões de reais no estádio e vai encostar a torcida num canto lá? Espera aí. O Atlético vai botar dinheiro. Isso é negócio”
A reportagem do Superesportes tentou conversar com Alexandre Kalil na manhã desta quarta-feira, mas o dirigente disse que não poderia falar no momento e afirmou que só estaria disponível para entrevistas nesta quinta-feira.