Atletico-MG

Preto e branco. Traje de gala

Comemoração pela classificação inédita à final da Libertadores varou a madrugada, atravessou a manhã e se transformou em desfile de camisas e bandeiras. Fila por ingressos já começou

Bruno Freitas

Com o uniforme e outros símbolos do clube, alvinegros fizeram do dia seguinte extensão da euforia no Independência: buzinaço e gritos de Galo ecoando pela cidade
A dramática classificação à decisão da Copa Libertadores, pela primeira vez nos 105 anos de história do Atlético, pintou Belo Horizonte de duas cores. No dia seguinte ao pênalti convertido por Ronaldinho Gaúcho e à defesa de Victor que selou a vitória sobre os argentinos do Newell’s Old Boys por 3 a 2, desde as primeiras horas o que se ouvia eram gritos de comemoração, muito buzinaço e a execução do hino alvinegro. A festa continuou madrugada adentro e pela manhã. As ruas foram tomadas por carros ostentando bandeiras. Uma infinidade de camisas preto e branco brotava no Centro e em todas as regiões da capital. O torcedor alvinegro acordou entusiasmado, orgulhoso e confiante para o próximo desafio: os dois jogos finais contra o Olimpia – o primeiro na quarta-feira, em Assunção, depois em casa, dia 24, no Mineirão.


“A expectativa é a melhor possível. Apesar de a torcida paraguaia ser ainda mais chata que a argentina, desta vez o Atlético tem de assegurar o resultado já fora de casa”, aponta Anderson Luiz Santana, de 40 anos. No comando de um bar considerado reduto da torcida, próximo à Praça 7, área central de BH, o comerciante, atleticano, comemorou o movimento gerado pelo duelo: festejando, trabalhou até as 2h. Serviço também não foi empecilho para Judnilson Ladeira, 36 anos, vestir a camisa listrada. O motoboy só não colocou o bandeirão alvinegro em sua moto por falta de espaço adequado – o veículo não tem baú para transporte de mercadorias. “Espero pelo menos um empate no próximo jogo. Se o Galo continuar jogando mal fora de casa, a coisa fica difícil”, avalia.

Mesmo não tendo sido liberado do serviço, o operador de caixa Cleudimar dos Reis, 29, deu um jeitinho de acompanhar a partida. “Ouvi tudo pelo rádio. Sofri demais, mas no fim o sentimento foi inexplicável. Hoje é dia de comemorar.”

Assim que se confirmou a vitória por penalidades no Horto, pelo menos três dezenas de torcedores rumaram em direção à sede de Lourdes. Objetivo: conseguir um ingresso, apesar de o dia para o começo das vendas não ter sido definido. “Estou em férias e pretendo ficar aqui até quando for necessário. O jogo foi emocionante e sofrido. A esperança de ganhar a América é grande demais”, celebrava o segurança de escolta armada Carlaile Ferreira, 30. Ele se revezava na fila com o primo Leandro. Já o operador industrial Ronan André Antunes, 21, que trabalha durante a madrugada, conta com a ajuda da namorada, Deividielly, e da prima, Fabiana, para assegurar pelo menos cinco bilhetes para a família. Nem o frio da noite assusta essa turma, que montou barraca equipada com edredom, cobertores, lanche e um pequeno colchão. “Vale a pena passar por isso. É a primeira vez que chegamos à final. Vale tudo. Faz 21 anos que espero por isso”, disse Ronan.

De folga, o auxiliar de montagem Marco Aurélio Lima, 24, só não irá ao jogo no Paraguai porque considera o preço do ingresso – 500 mil guaranis (cerca de R$ 250) – alto, além do sacrifício de ficar na fila. Ele aproveitou o dia para desfilar a bandeira do Galo no carro na companhia do irmão, Charles Lima da Costa, 26, e do amigo Wellington Dias Júnior, 23. “Hoje (ontem) estou por conta do Galo. Nem sei como não fiquei rouco durante o jogo, porque gritei muito”, brinca. Coro, pelo visto, é o que não vai faltar em pleno Defensores del Chaco.