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Bernard fala em gratidão, Seleção, retorno e desafios em sua despedida do Atlético

Jogador foi negociado com o Shakhtar Donetsk, em transação de 25 milhões de euros

Luiz Martini Roger Dias


Bernard esteve na sala de imprensa da Cidade do Galo para encerrar um ciclo como jogador do Atlético. Em sua entrevista de despedida nesta sexta-feira, o meia-atacante abordou vários assuntos e prometeu voltar ao clube um dia. Negociado com o Shakhtar Donetsk por 25 milhões de euros, o jogador é a transação mais cara da história alvinegra. Emocionado, o atleta comentou os desafios no Leste Europeu, chances na Seleção Brasileira e trajetória no Galo.


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Veja os principais trechos da entrevista de Bernard:

Começo no Atlético

O início, eu queria somente jogar futebol. Não tinha noção da grandeza que ia me tornar dentro do Atlético, do que ia acontecer na carreira. Treinava terça e quinta e hoje a rotina é diferente. A partir do momento que as coisas ficaram sérias, comecei a ver a responsabilidade e o que poderia alcançar. Foi um começo que eu não esperava. Tinha capacidade de buscar meus sonhos.

Vida na Ucrânia

Escutei muito do Leste Europeu, que não era a melhor escolha, que não tinha uma cidade boa, que seria difícil a adaptação. A parti do momento que cheguei na cidade, as metas, os objetivos, tudo foi me convencendo. Tenho o desejo de títulos e de vencer. Um clube que vem crescendo mundialmente. Ele vem crescendo diante da visibilidade. É lógico que não tem uma força grande, como os demais, como times da Inglaterra e da Espanha. Iria para uma visita, falei para os empresários e família, mesmo se eu gostasse. Mas a maneira que eles me acolheram... Tiveram carinho grande, me senti bem no local.

Processo para sair

Fiz os exames e as coisas clarearam. Disse para meus empresários, família e amigos que eles estariam comigo onde estivesse. Estava sofrendo pressão psicológica. Mas cabia ao presidente decidir. Não escondi que queria ficar, mas financeiramente foi importante. Ninguém trabalha de graça. Fiquei muito feliz em todos os fatores.

Conversa com Felipão

Não é tranquila a decisão. Eu perguntei ao Felipão, pedi um conselho, e ele disse que era para seguir meu coração. É um momento de decisão e qualquer conselho é bem-vindo. Ele me ajudou muito na escolha. Em todo momento pude parar para pensar.

Voltar um dia


Não é a última vez que estarei aqui. Quero estar aqui outras vezes. Quero agradecer à torcida pela paciência, a Deus, ao grupo, ao técnico, ao presidente. Seria difícil e complicado falar nome por nome, porque são muitas pessoas que me ajudaram a crescer dentro do clube. A história não termina aqui.


Pressão na Europa


Eles estão investindo 25 milhões de euros e esperam de mim uma resposta. Sei da responsabilidade e quero ter o máximo de empenho. Vou cumprir os cinco anos de contrato e, mesmo diante das dificuldades, tenho de saber passar por cima disso. Vou encontrar dificuldades da mesma maneira que no Atlético e passei por cima delas. Vou trabalhar ao máximo para dar a resposta o mais rápido possível.

Torcida de longe

Vou tentar de alguma maneira acompanhar o Galo de longe. Vários torcedores vão estar me acompanhando. Kalil é o presidente do clube, fez estrutura excepcional e o clube cresceu muito. Ele queria o melhor do clube. Cuca pediu para ter tranquilidade na escolha e não fazer nada precipitado.


Mudança no estilo de jogo

Futebol europeu tem muito contato e tem força. Vou ter mudar o estilo e se tiver de carregar a bola, vou sofrer faltas e acabar me machucando. Quero crescer nas mudanças no futebol, na vida e nas amizades. Vou deixar muitas amizades, pois brincava com todos, e todos ficavam sorridentes.Tenho certeza que não vou achar outro grupo assim na minha vida. Às vezes chegava triste e eles me animavam. Todos têm problemas e todos me ajudaram bastante a ser homem. Todos foram fundamentais para mim.

Emoção na despedida

Há o choro de felicidade. Tem o lado da tristeza, porque não queria ir embora, como deixei claro. Queria ficar aqui e a tristeza de deixar um clube com uma torcida apaixonada. Tudo ocorre na hora e no momento certo. Vou esperar o momento para voltar um dia. Vou sentir falta de tudo, porque o Brasil é um país maravilhoso. Construí uma história num clube dentro da minha própria cidade. Vou levar comigo as boas lembranças, mas tenho de dar a resposta em campo na Ucrânia.