Uma das armas mais letais em seus títulos expressivos nos últimos anos, o jogo aéreo se tornou uma espécie de vilão do Atlético em partidas recentes pelo Campeonato Brasileiro. Assim como ocorreu no desastre de domingo diante do Sport por 4 a 1, essas falhas contribuíram decisivamente para que a equipe deixasse de somar pontos preciosos e visse o Corinthians abrir oito de vantagem sobre os mineiros na competição. A sete rodadas do fim, esta é a maior diferença do líder para o vice-líder.
O técnico Levir Culpi reconhece a necessidade de corrigir os erros pontuais para tentar o último suspiro em busca do bicampeonato: “São várias situações que antes não ocorriam e agora vêm nos prejudicando. Tivemos contra o Sport uma repetição de um erro que ocorreu contra o Internacional, numa bola parada, na semana passada. Não conseguimos corrigir e precisamos trabalhar. Esta bola aérea pode decidir uma partida, tanto a favor quanto contra”.
Dos 35 gols sofridos pelo Galo no Brasileiro, oito foram de cabeça. Alguns deles impediram a equipe de sair com os três pontos, como nos empates por 2 a 2 contra Palmeiras, no turno, e Joinville, no returno. O zagueiro Matheus Ferraz, do Sport, marcou duas vezes dessa forma contra os mineiros – havia feito na derrota por 2 a 1, no Mineirão, e abriu o caminho dos 4 a 0 no Recife. Esse quesito era um dos pontos fortes do time alvinegro desde o vice-campeonato nacional de 2012, quando a zaga titular ainda era formada por Leonardo Silva e Réver e se destacava pela forte presença no setor ofensivo.
Curiosamente, se os cruzamentos causam preocupação à defesa, o ataque até permanece se destacando nessa jogada. O Atlético marcou 11 gols de cabeça, nove a menos que o Palmeiras, até agora o recordista do campeonato. Jemerson é o que mais balançou as redes pelo alto: quatro vezes, sendo duas contra o Fluminense, em Brasília, e duas contra o Flamengo, no Independência.
“Às vezes, falta atenção à nossa equipe. É preciso continuar trabalhando essa jogada para corrigir isso”, afirma Jemerson, titular ao lado de Edcarlos no Recife. Em recuperação de fratura na mão direita, Leonardo Silva está liberado para voltar aos treinos e pode ficar no banco de reservas contra a Ponte Preta, domingo, às 19h30, no Horto, pela 32ª rodada.
REFLEXOS DA GOLEADA Agora, as chances de o Atlético conquistar o Brasileiro estão próximas de 1% segundo os institutos de pesquisa Chance de Gol, Infobola e UFMG. Além de vencer seus jogos restantes, a equipe terá de contar com, no mínimo, duas derrotas do Corinthians – além de ser obrigado a conquistar os três pontos no confronto direto com o Timão, em 1º de novembro, em Belo Horizonte.
Mesmo chateados com o resultado ruim no Nordeste, os jogadores evitaram apontar culpados e afirmaram que o conjunto foi muito mal. Expulso aos 18min do primeiro tempo depois de receber dois amarelos por faltas violentas, o prata da casa Carlos foi defendido pelos companheiros. “Não era o resultado que a gente queria, mas, infelizmente, ocorreu. A expulsão prejudicou muito, mas poderia ter sido qualquer um, eu mesmo... Mas não vamos colocar a culpa em ninguém, todos somos culpados”, disse o volante Leandro Donizete no desembarque da delegação no aeroporto de Confins.
Domingo, contra a Ponte Preta (o Corinthians receberá o Flamengo), uma novidade é certa. Livre de suspensão, o atacante Luan retorna. Já o argentino Dátolo, que desde a semana passada vem treinando com o grupo, recuperado de corte profundo na perna esquerda, pode voltar a campo.
Atleticana...
Reduto ameaçado
Multas de R$ 58 mil impostas pelo Ministério Público e pela Prefeitura de Belo Horizonte viraram um ameaça ao Bar do Salomão, um dos principais redutos dos torcedores do Atlético em Belo Horizonte. Localizado na Rua do Ouro, no Bairro Serra, Região Centro-Sul, o estabelecimento foi enquadrado por ter descumprido acordo que previa a retirada de cadeiras e a proibição de telões em dias de jogos. Já a PBH alega ter ocorrido desrespeito à Lei do Silêncio com shows musicais. O dono, Salomão Jorge Filho, afirma que não cometeu irregularidades em nenhum dos casos. Com as restrições, afirma ter perdido 70% da clientela, sugere “perseguição” e diz que tentará uma licença especial para não ser enquadrado de novo.
Fala atleticano
Flamenguista por um dia?
“Ser Flamenguista? Jamais. Mas vou torcer para o Flamengo vencer o Corinthians, mesmo acreditando que o Corinthians não vai tropeçar. Mas vamos acreditar sempre até o final”
Cristiano Aparecido da Silva, 27, segurança
“Acho que não vale a pena trocar o Galo por outro time. Vamos torcer para que dê tudo certo para o Galo, mas sem torcer para o Flamengo”
Bruno Henrique Ribeiro, 34, servidor público
“Não dá para trocar de time por isso. A gente é atleticano e confia e acredita no time, mesmo a equipe não passando por uma fase boa. Não podemos perder a esperança”
Cleiton Luiz Carvalho, 28, biólogo
“Jamais torcerei para o Flamengo. É bom que o Corinthians perca, embora eu não acredite que vá. Mas ser flamenguista é difícil, a rivalidade é muito grande”
Filipe Gomes, 18, estudante