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Mineiro 'por acaso' e reprovado em teste do Galo, Uilson relembra passos até ouro e reviravolta

Em entrevista ao Superesportes, goleiro do Atlético comenta sobre pressão após falha em clássico, a conquista olímpica e o retorno da confiança para substituir Victor

Gustavo Andrade Roger Dias
Aos 22 anos, Uilson tenta aproveitar confiança gerada pelo ouro olímpico para crescer no Atlético - Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Único atleta mineiro campeão olímpico de futebol, Uilson nasceu em Minas quase que por um acasoNanuque, no norte do estado, se tornou sua terra natal em consequência da falta de uma maternidade em Mucuri, no sul da Bahia, onde ele foi criadoPorém, aos 11 anos, o goleiro estava de volta a Minas Gerais para iniciar sua trajetória no futebolHoje na equipe profissional do Atlético, Uilson foi reprovado em seu primeiro teste no clube alvinegroAs primeiras chances vieram no América, onde as boas atuações lhe renderam um convite para retornar ao Galo, clube que defende desde os 14 anos

Em 2016, a vida do prata da casa alvinegro sofreu uma reviravolta com final felizCulpado pela falha na derrota para o Cruzeiro por 1 a 0, em abril, pelo Campeonato Mineiro, ele conquistou no mês passado a inédita medalha de ouro com a Seleção Brasileira no RioE aos poucos vem se livrando do descrédito da torcida atleticana depois de atuações seguras nos empates com a Ponte Preta, pela Copa do Brasil, e com o Grêmio, pelo Brasileiro“Sei que posso crescer maisMas me sinto felizSe Deus quiser, posso chegar a novas conquistas e ser marcado no clube e onde passar”, ressalta o goleiro, que contou ao Superesportes a emoção de ganhar o ouro e as projeções para a carreira que está apenas começando


Vida pós-ouro

"Tenho me preparado bem em todas as situações, tanto na Seleção, como no AtléticoClaro, com as experiências, a gente vai pegando confiança, pois passei por situações difíceis, em que precisei de paciênciaEstou mais confiante e espero fazer meu trabalho da melhor forma possível e aproveitar meu momentoFoi muito importante essa conquistaGrande jogadores tentaram ganhá-la e não conseguiramEstou muito felizVoltei para o Atlético para buscar meu espaço e cada dia trabalho mais com o professor ChiquinhoCada dia quero subir um degrauzinho na minha históriaJoguei no início do ano, mas infelizmente as coisas não saíram do jeito que eu quisQueria tanto ver a torcida feliz comigo, naquele primeiro momento, contra o Cruzeiro, mas não foi possível
Agora estou podendo ver o torcedor feliz e me sentir abraçado com eleEstou contente com isso"

Falha contra o Cruzeiro

"Queria tanto ter aproveitado melhor aquela oportunidadeAcho que não mostrei o que eu poderia darMas foi o momento que Deus preparou para mimA gente cresce nas dificuldades e dá valor nessas horasCreio que era para eu refletir um pouco, trabalhar mais..Hoje, estou bem, confiante e trabalhando muito forteDeus me ajudou muitoNa nossa vida, tudo tem um propósito"

- Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressExperiência olímpica

"A experiência é únicaEstamos perto de craques, como o Neymar, que é um dos melhores do mundoA gente se sente motivado a buscar as vitórias o tempo todoEstamos na Seleção não por acasoQueremos dar nosso melhor para fazer nossa história também"

Projeções na carreira

"Venho buscando meu espaço e estou aproveitando dar meu melhor, aproveitando ao máximo as chancesNão sabemos o dia de amanhã, mas estou dando meu melhor para abraçar as chancesCada vez mais quero jogar, ganhar experiência e enriquecer meu currículo no Atlético, como fiz na Seleção"

Importância de Rogério Micale

"Trabalhamos juntos por quatro anos na base e ele sabia das minhas qualidades, me conhecia como ninguémFui convocado para os amistosos antes das Olimpíadas e tive boas atuações, jogando mais adiantadoProcuro me adaptar a esse estilo de jogoEle sempre reconheceu meu trabalhoNa Seleção, pude demonstrar meu futebol e aquilo o que ele espera de mim"

Habilidade com os pés

"Eu me adapto a todos os estilos de jogoCada treinador tem o seuQuando é preciso jogar com os pés, tento fazer o melhorEssa é uma de minhas qualidadesMas não sei jogar apenas com os pésTento ser seguro também perto do golQuero sempre fazer meu melhor e entender o que o treinador pede"

Evolução

"A gente sempre tem que estar preparadoCostumo falar com meus companheiros que a gente treina muito, mas também sofre golsImagina se não treinássemos? O trabalho vem sendo bem-feito pelo ChiquinhoA gente vê o Victor e o Giovanni sendo destaques e eu também estou jogando com frequênciaEu trabalho muito, mas sei que não há goleiro perfeitoTemos que melhorar nossa habilidade, nossa velocidade e em todos os aspectosO treinamento é essencial na posição"

Relação com Victor

"O Victor é um goleiro consagrado, foi campeão várias vezes e já passou por situações boas e ruins, como lesões e falhasA gente aprende com isso e ganha experiênciaVictor é sensacional e eu me espelho neleEspero que cada vez mais eu possa construir minha históriaEle já fez a dele, com muita luta e garra, é um grande goleiro e pessoaPretendo ter minha história na Seleção e onde eu jogoQuero ser feliz"

- Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Nanuque ou Mucuri?

"Nasceria em Mucuri, no sul da Bahia, uma cidade pequena, e lá não tem maternidadeQuando as mulheres vão ter bebê, têm de ir para Minas ou para o Espírito SantoNanuque era mais perto e fui registrado lá, apesar de nunca tê-la conhecidoMinha família é baiana, tenho amigos em Nanuque, mas eu sou de MucuriTenho muito orgulho de minha cidade, pois o interior é bomSempre que vou lá vejo meus amigos e minha família"

Chegada ao Galo

"Tinha um treinador em Mucuri na época chamado Bitata, que arrumou um ônibus, juntou um grupo de meninos e nos trouxe para cáO primeiro clube que fui fazer teste foi o Atlético e fui reprovadoPassou um tempo depois, fui para o América, depois segui para o Espírito Santo ficar com minha irmã mais velha, que estava grávidaNo América, fiz alguns jogos e o Atlético me convidou novamente para fazer testesEstou até hoje aqui"

- Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressPeríodo longe da família

"Cheguei em Belo Horizonte com 11 anos e estou até hojeQuando tiver meu filho, penso que vai ser difícil ficar longe deleDeus tem um propósito nas nossas vidasO Atlético me ajudou muitoA estrutura é muito boaQuando cheguei aqui, fiquei encantadoAlgumas coisas melhoraram, mas desde sempre o clube valorizou a base, dando suporte, escola, alimentação..."

Obstáculos superados

"Como a maioria dos jogadores, meus pais não tiveram boa vida financeiraMeu pai era pescador e minha mãe trabalhava de faxineira na BahiaMas isso não me impediu que eu conquistasse meus sonhos e buscasse o que eu queriaTeve um período difícil quando eu fiz cirurgia no joelho ligamento cruzamento, aos 18 anos, e fiquei um ano paradoTambém tive saudade dos amigos e da famíliaMas não me arrependo das minhas escolhasHoje posso realizar meu sonho, jogando com grandes atletas e sendo titular de um clube como o AtléticoTenho que agradecer muito por tudoSei que posso crescer maisMas me sinto felizSe Deus quiser, posso chegar a novas conquistas e ser marcado no clube e onde passar"